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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/03/2017

28 de Março de 2017

Diácono: Mensageiro da Palavra

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Diácono: Mensageiro da Palavra

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07/06/2016 14:30 - Atualizado em 07/06/2016 14:32

Diácono: Mensageiro da Palavra 0

07/06/2016 14:30 - Atualizado em 07/06/2016 14:32

“Recebe o Evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres; ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”. Com essas palavras, o Bispo entrega ao Diácono o “Livro dos Evangelhos”, logo após ter sido revestido com os paramentos litúrgicos, no dia de sua ordenação.

Primeiro, o diácono é chamado a ser mensageiro do Evangelho de Cristo. Mais do que isso, ele é constituído, investido como mensageiro. Não é um mensageiro qualquer. É paramentado para isso. Passa ter a autoridade da Igreja, conferida pelo Bispo, para tornar-se esse mensageiro especial.

O mensageiro não fala aquilo que quer. Mas anuncia o que foi determinado. A Sagrada Escritura designou o Arcanjo Gabriel como o mensageiro de Deus. Na cultura grega, Hermes é o mensageiro dos deuses do Olimpo. E para simbolizar a agilidade da mensagem, ele é representado com um par de asas em cada pé. As asas simbolizam a agilidade do anuncio a ser comunicado. O diácono é mensageiro do evangelho, e como tal, não pode perder tempo em anunciar aquilo para o qual foi “constituído”.

Em seguida, é dito que ele deve transformar “em fé viva” aquilo que lê. O Evangelho de Jesus não é estático. “Ide pelo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Não se recebe o evangelho e se guarda para si. Ele precisa ser anunciado. Anunciado com uma “fé viva”. Com alegria, como diz o Papa Francisco: “O Evangelho (...) convida insistentemente à alegria. (...) Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?” (EG, 5). E ainda, “se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de comunica-lo aos outros?” (EG, 8).

Em terceiro lugar, deve ensinar aquilo que crê. Ensinar significa colocar um sinal. E o sinal é uma marca. E esta marca tem que ser a do Evangelho. Não é um marca pessoal, mas a marca de Cristo. O Diácono foi marcado por Cristo, e agora deve marcar os outros, com a Palavra. Deve ensinar aquilo que crê. E no que crê o Diácono? Deve crer no Evangelho, do qual é mensageiro. Deve crer na Igreja, da qual é ministro ordenado. Crer é dar atestado de fidelidade, de legalidade. Crer é não ter dúvidas da pessoa a qual segue, Cristo. Ao crer, o Diácono deve ensinar.

E por último, deve “realizar o que ensinares”. Não basta ensinar. É preciso viver aquilo que ensina. Jesus assim fazia, ele ensina com autoridade (Mt.7,29). É viver o que se prega. Daí o diácono ser o ministro, também, da caridade.

Os bispos do Brasil ampliaram a definição de caridade para os Diáconos. No documento da CNBB, número 96, parágrafo 58, afirmam: “(...) o diácono assume a opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos. Ele é apóstolo da Caridade com os pobres, envolvido com a conquista de sua dignidade e de seus direitos econômicos, políticos e sociais. Está próximo da dor do mundo. Deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e pelas provações da vida”. Em seguida, ainda no mesmo parágrafo, citando o Documento de Aparecida, parágrafo 402, dizem que o diácono “reveste-se de especial compaixão pelos: migrantes, as vítimas da violência, os deslocados e refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas e sequestros, os desaparecidos, os enfermos de HIV e de enfermidades endêmicas, os tóxicos-dependentes, idosos, meninos e meninas que são vítimas da prostituição, pornografia e violência ou do trabalho infantil, mulheres maltratadas, vítimas da exclusão e do tráfico para a exploração sexual, pessoas com capacidades diferentes, grandes grupos de desempregados/as, os excluídos pelo analfabetismo tecnológico, as pessoas que vivem na rua das grandes cidades, os indígenas e afro-americanos, agricultores sem terra e os trabalhadores das minas”.

Assim, a missão do diácono é muito ampla. Abrange vários espaços. Não fica restrita ao âmbito paroquial, pois é mensageiro constituído do Evangelho de Cristo. E se é mensageiro, deve partir em missão, sempre.

E confirmando essa designação missionária, os bispos do Brasil, no documento 74, afirmam que “o diácono (...) será discípulo e ouvinte. (...) fará a leitura meditada e orante da Sagrada Escritura”. E que “a familiaridade com a Palavra de Deus facilitará o itinerário de conversão (...)” (n. 58). E ainda, que a missão do diácono é de “comunicador da Palavra”, dando “testemunho de um ouvinte assíduo e convicto do Evangelho” (n. 59). E sendo um “servidor da Palavra, (...) anuncia a Palavra de Deus com a autoridade que nasce (...) da convivência com o Evangelho” (n. 59).


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Diácono: Mensageiro da Palavra

07/06/2016 14:30 - Atualizado em 07/06/2016 14:32

“Recebe o Evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres; ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”. Com essas palavras, o Bispo entrega ao Diácono o “Livro dos Evangelhos”, logo após ter sido revestido com os paramentos litúrgicos, no dia de sua ordenação.

Primeiro, o diácono é chamado a ser mensageiro do Evangelho de Cristo. Mais do que isso, ele é constituído, investido como mensageiro. Não é um mensageiro qualquer. É paramentado para isso. Passa ter a autoridade da Igreja, conferida pelo Bispo, para tornar-se esse mensageiro especial.

O mensageiro não fala aquilo que quer. Mas anuncia o que foi determinado. A Sagrada Escritura designou o Arcanjo Gabriel como o mensageiro de Deus. Na cultura grega, Hermes é o mensageiro dos deuses do Olimpo. E para simbolizar a agilidade da mensagem, ele é representado com um par de asas em cada pé. As asas simbolizam a agilidade do anuncio a ser comunicado. O diácono é mensageiro do evangelho, e como tal, não pode perder tempo em anunciar aquilo para o qual foi “constituído”.

Em seguida, é dito que ele deve transformar “em fé viva” aquilo que lê. O Evangelho de Jesus não é estático. “Ide pelo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Não se recebe o evangelho e se guarda para si. Ele precisa ser anunciado. Anunciado com uma “fé viva”. Com alegria, como diz o Papa Francisco: “O Evangelho (...) convida insistentemente à alegria. (...) Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?” (EG, 5). E ainda, “se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de comunica-lo aos outros?” (EG, 8).

Em terceiro lugar, deve ensinar aquilo que crê. Ensinar significa colocar um sinal. E o sinal é uma marca. E esta marca tem que ser a do Evangelho. Não é um marca pessoal, mas a marca de Cristo. O Diácono foi marcado por Cristo, e agora deve marcar os outros, com a Palavra. Deve ensinar aquilo que crê. E no que crê o Diácono? Deve crer no Evangelho, do qual é mensageiro. Deve crer na Igreja, da qual é ministro ordenado. Crer é dar atestado de fidelidade, de legalidade. Crer é não ter dúvidas da pessoa a qual segue, Cristo. Ao crer, o Diácono deve ensinar.

E por último, deve “realizar o que ensinares”. Não basta ensinar. É preciso viver aquilo que ensina. Jesus assim fazia, ele ensina com autoridade (Mt.7,29). É viver o que se prega. Daí o diácono ser o ministro, também, da caridade.

Os bispos do Brasil ampliaram a definição de caridade para os Diáconos. No documento da CNBB, número 96, parágrafo 58, afirmam: “(...) o diácono assume a opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos. Ele é apóstolo da Caridade com os pobres, envolvido com a conquista de sua dignidade e de seus direitos econômicos, políticos e sociais. Está próximo da dor do mundo. Deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e pelas provações da vida”. Em seguida, ainda no mesmo parágrafo, citando o Documento de Aparecida, parágrafo 402, dizem que o diácono “reveste-se de especial compaixão pelos: migrantes, as vítimas da violência, os deslocados e refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas e sequestros, os desaparecidos, os enfermos de HIV e de enfermidades endêmicas, os tóxicos-dependentes, idosos, meninos e meninas que são vítimas da prostituição, pornografia e violência ou do trabalho infantil, mulheres maltratadas, vítimas da exclusão e do tráfico para a exploração sexual, pessoas com capacidades diferentes, grandes grupos de desempregados/as, os excluídos pelo analfabetismo tecnológico, as pessoas que vivem na rua das grandes cidades, os indígenas e afro-americanos, agricultores sem terra e os trabalhadores das minas”.

Assim, a missão do diácono é muito ampla. Abrange vários espaços. Não fica restrita ao âmbito paroquial, pois é mensageiro constituído do Evangelho de Cristo. E se é mensageiro, deve partir em missão, sempre.

E confirmando essa designação missionária, os bispos do Brasil, no documento 74, afirmam que “o diácono (...) será discípulo e ouvinte. (...) fará a leitura meditada e orante da Sagrada Escritura”. E que “a familiaridade com a Palavra de Deus facilitará o itinerário de conversão (...)” (n. 58). E ainda, que a missão do diácono é de “comunicador da Palavra”, dando “testemunho de um ouvinte assíduo e convicto do Evangelho” (n. 59). E sendo um “servidor da Palavra, (...) anuncia a Palavra de Deus com a autoridade que nasce (...) da convivência com o Evangelho” (n. 59).


Diácono Marcos Gayoso
Autor

Diácono Marcos Gayoso

Relações Públicas da Comissão Arquidiocesana dos Diáconos Permanentes da Arquidiocese do Rio de Janeiro (CADIPERJ)