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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

Misericórdia e reconciliação

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19 de Março de 2019

Misericórdia e reconciliação

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Misericórdia e reconciliação 0

05/06/2016 00:00

Estamos no Ano Santo da Misericórdia! O Santo Padre, o Papa Francisco, apresenta o fundamento e razão do ano santo: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (n.1)[1]. A misericórdia é, pois, “o coração pulsante do evangelho” (n.12). O lema escolhido para esse Jubileu é um chamado à vivência concreta da fé e a misericórdia: “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36). O Papa estabelece que em todas as Dioceses, Santuários, Paróquias, Comunidades cristãs se realize a celebração deste Ano Santo como um acontecimento extraordinário de graça e renovação espiritual. Além disso, o Santo Padre recomenda a revitalização das obras de misericórdia corporal e espiritual fixadas pela Igreja, para entrarmos no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. Obras de misericórdia corporal: dar comida aos famintos, bebida aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, visitar os doentes, visitar os presos e enterrar os mortos (velórios). Obras de misericórdia espiritual: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas inconvenientes, rezar pelos vivos e defuntos (n.15).

Neste Ano da Misericórdia, o Papa Francisco quer dar a importância de viver a misericórdia de Deus através do sacramento da Reconciliação, como “sinal da bondade do Senhor”[2] e do “abraço” de Jesus. “Ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem medo por causa das nossas culpas, mas com a certeza de ser acolhidos por ele em nome de Deus”[3].

O Sacramento da Penitência é sinal realizador do juízo divino da graça para a reconciliação do pecador na comunhão da Igreja. O objetivo deste Sacramento é a reconciliação: reconciliação com Deus, reconciliação com os semelhantes e reconciliação do ser humano consigo mesmo. O Sacramento da Penitência é, em primeiro lugar, um anúncio e uma atuação da misericórdia de Deus (TRESE, 1999). A palavra que anuncia a reconciliação deve ser acolhida no coração humano para que possa dar fruto. A resposta do homem é chamada comumente de conversão, ou seja, de volta. Não há reconciliação sem a iniciativa de Deus, mas também não há sem a resposta do homem. O Sacramento da Penitência supõe essencialmente um diálogo (TRESE, 1999).

O cristão não vive isoladamente o seu relacionamento com Deus. Toda a salvação tem uma dimensão comunitária. Não só porque, para o cristão, ela se realiza normalmente pelo ministério da Igreja, mas também porque, em certo sentido, a Igreja toda, através do pecador, faz penitência e confessa os seus pecados. Com o seu pecado, o pecador não só ofende a Deus e a certas pessoas determinadas, mas também à comunidade eclesial. Se confessarmos a nossa fé na “comunhão dos santos”, poderemos facilmente compreender que o pecado, ao afastar da vida da graça um dos membros, limita essa comunhão, abre como que uma ferida no corpo da Igreja (TRESE, 1999).

O Catecismo da Igreja Católica explica que “a conversão interior impele à expressão exterior com gestos e sinais visíveis, gestos e sinais de penitência” (n. 1430). E o Catecismo completa, de modo muito preciso: “A penitência interior é uma radical reorientação de toda a vida, um retorno, uma conversão a Deus com todo o coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal, juntamente com a reprovação das más ações que cometemos” (n. 1421). Observe-se bem: antes de falar diretamente no Sacramento da Penitência, estamos falando numa profunda atitude de penitência! Desde já vai aparecendo claro que o Sacramento da Penitência insere-se numa atitude mais ampla de volta a Deus e no profundo sentido existencial que somos pecadores. Como diz o Salmista: “Um coração despedaçado e triturado, ó Deus, não rejeitarás! Cria em mim um coração puro, ó Deus; enraíza em mim um espírito novo” (Sl 51, 19.12).

O Papa Francisco conhece a situação atual e o mundo precisa de misericórdia, de um novo impulso, de um novo início. Deus é amor que se transborda a toda a humanidade, ainda que sejamos infiéis. Deus jamais quebra a sua aliança conosco, pois sempre haverá abundância de amor e de perdão, onde tudo será restabelecido e é, por causa dessa relação de desiguais, que se roga sempre a misericórdia para assim recomeçarmos.

Aprendamos, portanto, no Ano Santo da Misericórdia, a ser misericordiosos uns com os outros para merecermos a misericórdia de Deus. Vivamos a experiência do perdão e da reconciliação.


[1] Francisco. Misericordiae Vultus:Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Città del Vaticano, Libreria Editrice Vaticana, 2015.

[2] Cf. Is 7,14; Sl 86, 17.

[3] Papa Francisco. Anúncio do Jubileu extraordinário centrado na misericórdia de Deus.

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Misericórdia e reconciliação

05/06/2016 00:00

Estamos no Ano Santo da Misericórdia! O Santo Padre, o Papa Francisco, apresenta o fundamento e razão do ano santo: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (n.1)[1]. A misericórdia é, pois, “o coração pulsante do evangelho” (n.12). O lema escolhido para esse Jubileu é um chamado à vivência concreta da fé e a misericórdia: “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36). O Papa estabelece que em todas as Dioceses, Santuários, Paróquias, Comunidades cristãs se realize a celebração deste Ano Santo como um acontecimento extraordinário de graça e renovação espiritual. Além disso, o Santo Padre recomenda a revitalização das obras de misericórdia corporal e espiritual fixadas pela Igreja, para entrarmos no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. Obras de misericórdia corporal: dar comida aos famintos, bebida aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, visitar os doentes, visitar os presos e enterrar os mortos (velórios). Obras de misericórdia espiritual: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas inconvenientes, rezar pelos vivos e defuntos (n.15).

Neste Ano da Misericórdia, o Papa Francisco quer dar a importância de viver a misericórdia de Deus através do sacramento da Reconciliação, como “sinal da bondade do Senhor”[2] e do “abraço” de Jesus. “Ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem medo por causa das nossas culpas, mas com a certeza de ser acolhidos por ele em nome de Deus”[3].

O Sacramento da Penitência é sinal realizador do juízo divino da graça para a reconciliação do pecador na comunhão da Igreja. O objetivo deste Sacramento é a reconciliação: reconciliação com Deus, reconciliação com os semelhantes e reconciliação do ser humano consigo mesmo. O Sacramento da Penitência é, em primeiro lugar, um anúncio e uma atuação da misericórdia de Deus (TRESE, 1999). A palavra que anuncia a reconciliação deve ser acolhida no coração humano para que possa dar fruto. A resposta do homem é chamada comumente de conversão, ou seja, de volta. Não há reconciliação sem a iniciativa de Deus, mas também não há sem a resposta do homem. O Sacramento da Penitência supõe essencialmente um diálogo (TRESE, 1999).

O cristão não vive isoladamente o seu relacionamento com Deus. Toda a salvação tem uma dimensão comunitária. Não só porque, para o cristão, ela se realiza normalmente pelo ministério da Igreja, mas também porque, em certo sentido, a Igreja toda, através do pecador, faz penitência e confessa os seus pecados. Com o seu pecado, o pecador não só ofende a Deus e a certas pessoas determinadas, mas também à comunidade eclesial. Se confessarmos a nossa fé na “comunhão dos santos”, poderemos facilmente compreender que o pecado, ao afastar da vida da graça um dos membros, limita essa comunhão, abre como que uma ferida no corpo da Igreja (TRESE, 1999).

O Catecismo da Igreja Católica explica que “a conversão interior impele à expressão exterior com gestos e sinais visíveis, gestos e sinais de penitência” (n. 1430). E o Catecismo completa, de modo muito preciso: “A penitência interior é uma radical reorientação de toda a vida, um retorno, uma conversão a Deus com todo o coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal, juntamente com a reprovação das más ações que cometemos” (n. 1421). Observe-se bem: antes de falar diretamente no Sacramento da Penitência, estamos falando numa profunda atitude de penitência! Desde já vai aparecendo claro que o Sacramento da Penitência insere-se numa atitude mais ampla de volta a Deus e no profundo sentido existencial que somos pecadores. Como diz o Salmista: “Um coração despedaçado e triturado, ó Deus, não rejeitarás! Cria em mim um coração puro, ó Deus; enraíza em mim um espírito novo” (Sl 51, 19.12).

O Papa Francisco conhece a situação atual e o mundo precisa de misericórdia, de um novo impulso, de um novo início. Deus é amor que se transborda a toda a humanidade, ainda que sejamos infiéis. Deus jamais quebra a sua aliança conosco, pois sempre haverá abundância de amor e de perdão, onde tudo será restabelecido e é, por causa dessa relação de desiguais, que se roga sempre a misericórdia para assim recomeçarmos.

Aprendamos, portanto, no Ano Santo da Misericórdia, a ser misericordiosos uns com os outros para merecermos a misericórdia de Deus. Vivamos a experiência do perdão e da reconciliação.


[1] Francisco. Misericordiae Vultus:Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Città del Vaticano, Libreria Editrice Vaticana, 2015.

[2] Cf. Is 7,14; Sl 86, 17.

[3] Papa Francisco. Anúncio do Jubileu extraordinário centrado na misericórdia de Deus.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro