Arquidiocese do Rio de Janeiro

23º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2017

23 de Outubro de 2017

Palavra da Salvação

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Palavra da Salvação

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27/05/2016 00:00 - Atualizado em 31/05/2016 18:24

Palavra da Salvação 0

27/05/2016 00:00 - Atualizado em 31/05/2016 18:24

Depois da Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja retoma o ciclo contínuo de leituras disposto para o Ano C, retirado do Evangelho escrito por São Lucas. Assim, celebrando o IX Domingo do Tempo Comum, os fiéis escutam o episódio da cura do empregado do centurião estrangeiro, realizada por Jesus, na cidade de Cafarnaum (cf. Lc 7,1-10). A mensagem contida nesse trecho lucano nos abre para entendermos a força soteriológica da Palavra de Cristo.

A primeira parte do texto evangélico introduz a situação na qual Jesus é chamado a intervir (cf. Lc 6,2-5). Um centurião pede aos anciãos judeus que intercedam a fim de que o Senhor salve um funcionário enfermo e moribundo. Embora se trate de um relato de cura, o doente não vai ter tanta importância no desenvolvimento da narrativa quanto à figura do oficial romano. Esse último, que amava o povo de Israel e lhes tinha construído uma sinagoga, era, provavelmente, um prosélito – um estrangeiro que se torna temente a Deus. A segunda parte da narrativa introduz o tema da cura do empregado acamado (cf. Lc 2,6-10). O Senhor, já próximo da casa do centurião, é surpreendido pelos amigos desse. Na verdade, eles trazem um comunicado do próprio homem sobre a sua fé no poder soteriológico da palavra de Cristo. Tal comunicado causa um maravilhamento em Jesus, que exclama categoricamente: “Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc 7,9).

Em todos os ouvintes desta passagem da Escritura urge na mente a pergunta pela razão da experiência de admiração de Jesus. O termo utilizado no texto grego é ethaúmasen – maravilhou-se, admirou-se. Seus correlatos são o verbo thamazô – ‘maravilhar-se’, ‘admirar-se’, ‘surpreender-se’ – e os substantivos thaumásia – ‘milagre’ – e thaumatourgos – ‘taumaturgo’. No episódio narrado, o centurião surge como o grande taumaturgo, pois ele diz, através de seus amigos, algo maravilhoso, um verdadeiro portento. O Senhor fica de tal forma impactado pela sua palavra que a identifica com a verdadeira fé.

A mensagem confiada aos amigos pelo oficial é uma analogia entre a autoridade de Jesus sobre as potências da morte e a do superior militar sobre seus subalternos. O texto diz: “Senhor, não te incomodes, porque não sou digno que entres em minha casa nem mesmo me achei digno de ir ao teu encontro. Dize, porém, uma palavra, para que o meu criado seja curado. Pois eu também estou sob uma autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e a um digo ‘Vai!’ e ele vai; a outro ‘Vem!’ e ele vem; e a meu servo ‘Faze isto!’ e ele o faz” (Lc 7,6-8). O oficial romano expressa sua fé na potência da Palavra de Cristo de comunicar a vida. No confronto com a doença e a morte, a voz do Senhor é capaz de trazer salvação. O milagre da cura aparece, então, como confirmação do poder soteriológico do Senhor.

Para nós, hoje este relato é de tamanha importância para vivenciarmos a mesma força salvadora do Ressuscitado. No atual ritual da missa, encontramos duas peças litúrgicas inspiradas no dito do centurião: o anúncio doxológico após a proclamação do Evangelho – “Palavra da Salvação” – e a resposta ao convite eucarístico – “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. Na primeira peça, o ministro afirma que, com a proclamação da Escritura, a voz salvífica de Cristo atingiu aquela assembleia, produzindo nela seus frutos de vida. A fé do centurião naquele dia inspira a comunidade litúrgica a escutar e guardar a proclamação do texto “não como palavra humana, mas como aquilo que de fato é: Palavra de Deus, que está produzindo efeito em vós que abraçastes a fé” (1Ts 2,13). Na segunda peça, se repete algo das palavras que deixaram Jesus admirado. Através delas, expressamos a grandeza do Cristo e a nossa humildade diante d’Ele. Se o centurião não se achava digno de recebê-lo na sua casa, os fiéis se declaram indignos de acolhê-lo em seus corações. A experiência cultual da Igreja atualiza os eventos evangélicos. Agora somos nós que, a exemplo do oficial romano, devemos prestar total adesão à Palavra da Salvação.

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Palavra da Salvação

27/05/2016 00:00 - Atualizado em 31/05/2016 18:24

Depois da Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja retoma o ciclo contínuo de leituras disposto para o Ano C, retirado do Evangelho escrito por São Lucas. Assim, celebrando o IX Domingo do Tempo Comum, os fiéis escutam o episódio da cura do empregado do centurião estrangeiro, realizada por Jesus, na cidade de Cafarnaum (cf. Lc 7,1-10). A mensagem contida nesse trecho lucano nos abre para entendermos a força soteriológica da Palavra de Cristo.

A primeira parte do texto evangélico introduz a situação na qual Jesus é chamado a intervir (cf. Lc 6,2-5). Um centurião pede aos anciãos judeus que intercedam a fim de que o Senhor salve um funcionário enfermo e moribundo. Embora se trate de um relato de cura, o doente não vai ter tanta importância no desenvolvimento da narrativa quanto à figura do oficial romano. Esse último, que amava o povo de Israel e lhes tinha construído uma sinagoga, era, provavelmente, um prosélito – um estrangeiro que se torna temente a Deus. A segunda parte da narrativa introduz o tema da cura do empregado acamado (cf. Lc 2,6-10). O Senhor, já próximo da casa do centurião, é surpreendido pelos amigos desse. Na verdade, eles trazem um comunicado do próprio homem sobre a sua fé no poder soteriológico da palavra de Cristo. Tal comunicado causa um maravilhamento em Jesus, que exclama categoricamente: “Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc 7,9).

Em todos os ouvintes desta passagem da Escritura urge na mente a pergunta pela razão da experiência de admiração de Jesus. O termo utilizado no texto grego é ethaúmasen – maravilhou-se, admirou-se. Seus correlatos são o verbo thamazô – ‘maravilhar-se’, ‘admirar-se’, ‘surpreender-se’ – e os substantivos thaumásia – ‘milagre’ – e thaumatourgos – ‘taumaturgo’. No episódio narrado, o centurião surge como o grande taumaturgo, pois ele diz, através de seus amigos, algo maravilhoso, um verdadeiro portento. O Senhor fica de tal forma impactado pela sua palavra que a identifica com a verdadeira fé.

A mensagem confiada aos amigos pelo oficial é uma analogia entre a autoridade de Jesus sobre as potências da morte e a do superior militar sobre seus subalternos. O texto diz: “Senhor, não te incomodes, porque não sou digno que entres em minha casa nem mesmo me achei digno de ir ao teu encontro. Dize, porém, uma palavra, para que o meu criado seja curado. Pois eu também estou sob uma autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e a um digo ‘Vai!’ e ele vai; a outro ‘Vem!’ e ele vem; e a meu servo ‘Faze isto!’ e ele o faz” (Lc 7,6-8). O oficial romano expressa sua fé na potência da Palavra de Cristo de comunicar a vida. No confronto com a doença e a morte, a voz do Senhor é capaz de trazer salvação. O milagre da cura aparece, então, como confirmação do poder soteriológico do Senhor.

Para nós, hoje este relato é de tamanha importância para vivenciarmos a mesma força salvadora do Ressuscitado. No atual ritual da missa, encontramos duas peças litúrgicas inspiradas no dito do centurião: o anúncio doxológico após a proclamação do Evangelho – “Palavra da Salvação” – e a resposta ao convite eucarístico – “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. Na primeira peça, o ministro afirma que, com a proclamação da Escritura, a voz salvífica de Cristo atingiu aquela assembleia, produzindo nela seus frutos de vida. A fé do centurião naquele dia inspira a comunidade litúrgica a escutar e guardar a proclamação do texto “não como palavra humana, mas como aquilo que de fato é: Palavra de Deus, que está produzindo efeito em vós que abraçastes a fé” (1Ts 2,13). Na segunda peça, se repete algo das palavras que deixaram Jesus admirado. Através delas, expressamos a grandeza do Cristo e a nossa humildade diante d’Ele. Se o centurião não se achava digno de recebê-lo na sua casa, os fiéis se declaram indignos de acolhê-lo em seus corações. A experiência cultual da Igreja atualiza os eventos evangélicos. Agora somos nós que, a exemplo do oficial romano, devemos prestar total adesão à Palavra da Salvação.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida