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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2017

17 de Agosto de 2017

Artigo 13: O Campo de Batalha no Coração Humano

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17 de Agosto de 2017

Artigo 13: O Campo de Batalha no Coração Humano

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31/05/2016 17:08 - Atualizado em 31/05/2016 17:10

Artigo 13: O Campo de Batalha no Coração Humano 0

31/05/2016 17:08 - Atualizado em 31/05/2016 17:10

A passagem de Mt 5, 27-28, nos acompanhará nas reflexões do segundo ciclo das catequeses da Teologia do Corpo. No artigo 12, meditamos sobre a ordem dada por Cristo: “Não cometerás adultério”. Naquela oportunidade focamos na vertente da educação para o amor do coração. E, neste momento passamos para o seu contexto mais abrangente, que nos revelará o significado chave da Teologia do Corpo. Aqui, Jesus faz uma revisão fundamental do modo de cumprir e compreender a lei moral da Antiga Aliança. Quando Ele afirma que não veio revogar a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento, objetivava mostrar que o Reino dos Céus terá plena existência no plano temporal ao cumprirmos os seus preceitos.

Percebemos, então, que esta passagem, como a de Mt 19, 3-9, tem caráter normativo. E, chegamos ao centro do ethos compreendido como a percepção do valor, de onde brota o conhecimento e a consciência do dever, e o consequente ato efetivado a partir do valor reconhecido. O ethos nos faz entrar na profundidade da norma e no mais interior do homem, vivendo o que o Papa chamou de “Moral Viva”, pois não nasce do cumprimento cego da lei, mas da sua adesão por causa do seu valor. Cristo transpõe a essência da questão para outra dimensão ao sair do meio meramente legal.

Cristo, com as palavras da passagem inicial, dirige-se aos homens de todos os tempos e, também, ao homem interior, ao coração. O adultério ao qual se refere “significa a infração da unidade, mediante a qual apenas os cônjuges podem unir-se tão intimamente de modo a serem uma só carne” (TDC, XXV, 3). O adultério, como ruptura, nesta passagem nasce com o sentido da visão. É interessante marcar, neste ponto, a reflexão apresentada pelo Papa João Paulo II ao deduzir que o “olhar de desejo dirigido para a própria esposa não é adultério “no coração”, justamente porque o este ato interior do homem se refere à mulher que é sua esposa, em relação à qual o adultério não pode se verificar” (TDC, XXV, 4).

Neste ponto, podemos adentrar na verdade sobre o que o homem enfrenta naquele contexto que foi o foco da atenção de Jesus ao querer que, a partir dele, o ser humano vivesse a verdadeira felicidade: o coração. E é justamente no coração que brotam, como nos revela São João (em I Jo 2, 16-17) sobre a tríplice concupiscência, a concupiscência da carne, dos olhos e o orgulho da riqueza, que não vêm do Pai, mas do mundo. Ou seja, a concupiscência existe porque nos afastamos do plano original, do princípio, de Deus para nós. E o fruto deste afastamento vem da árvore do conhecimento do bem e do mal, que nasceu, cresceu e vive no coração do homem. Justamente aí se encontra o ponto chave da nossa reflexão: o Coração Humano. Fica mais claro entendermos o porquê da preocupação de Jesus em querer atingir nosso coração, pois ao atingi-lo e convertê-lo, Ele nos reconduz ao Pai, ao Reino dos Céus, já aqui na Terra. Ele nos leva à verdade sobre o homem, verdade esta que não pode ser negada, como diria o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, na obra ‘A Vida de Galileu’, “Quem conhece a verdade e a chama de mentira é um criminoso”. Pois sabemos que, quando o homem fecha o seu coração ao que vem do Pai, resta nele apenas o que vem do mundo e, como vimos, o que vem do mundo não é a verdade.

E verdade e mentira lutam dentro de nós, no nosso coração. Numa batalha sabemos que vence quem tem a melhor estratégia e o exército mais forte. No campo da sexualidade, qual lado está mais bem guarnecido para as decisões do dia a dia: o lado do amor autêntico ou o da luxúria desenfreada? Se queremos nos fortalecer no amor, precisamos dar as “armas” certas a esse exército. Isso inclui a prática da caridade e de todas as outras virtudes. Confessar-se frequentemente, cultivar uma vida de oração e meditação na Palavra de Deus, evitar situações de tentação... Sabemos, muito bem! Abramos, pois, os nossos corações a Cristo e desejemos ardentemente sua presença para que Ele nos ajude neste campo de batalha do coração.

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Artigo 13: O Campo de Batalha no Coração Humano

31/05/2016 17:08 - Atualizado em 31/05/2016 17:10

A passagem de Mt 5, 27-28, nos acompanhará nas reflexões do segundo ciclo das catequeses da Teologia do Corpo. No artigo 12, meditamos sobre a ordem dada por Cristo: “Não cometerás adultério”. Naquela oportunidade focamos na vertente da educação para o amor do coração. E, neste momento passamos para o seu contexto mais abrangente, que nos revelará o significado chave da Teologia do Corpo. Aqui, Jesus faz uma revisão fundamental do modo de cumprir e compreender a lei moral da Antiga Aliança. Quando Ele afirma que não veio revogar a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento, objetivava mostrar que o Reino dos Céus terá plena existência no plano temporal ao cumprirmos os seus preceitos.

Percebemos, então, que esta passagem, como a de Mt 19, 3-9, tem caráter normativo. E, chegamos ao centro do ethos compreendido como a percepção do valor, de onde brota o conhecimento e a consciência do dever, e o consequente ato efetivado a partir do valor reconhecido. O ethos nos faz entrar na profundidade da norma e no mais interior do homem, vivendo o que o Papa chamou de “Moral Viva”, pois não nasce do cumprimento cego da lei, mas da sua adesão por causa do seu valor. Cristo transpõe a essência da questão para outra dimensão ao sair do meio meramente legal.

Cristo, com as palavras da passagem inicial, dirige-se aos homens de todos os tempos e, também, ao homem interior, ao coração. O adultério ao qual se refere “significa a infração da unidade, mediante a qual apenas os cônjuges podem unir-se tão intimamente de modo a serem uma só carne” (TDC, XXV, 3). O adultério, como ruptura, nesta passagem nasce com o sentido da visão. É interessante marcar, neste ponto, a reflexão apresentada pelo Papa João Paulo II ao deduzir que o “olhar de desejo dirigido para a própria esposa não é adultério “no coração”, justamente porque o este ato interior do homem se refere à mulher que é sua esposa, em relação à qual o adultério não pode se verificar” (TDC, XXV, 4).

Neste ponto, podemos adentrar na verdade sobre o que o homem enfrenta naquele contexto que foi o foco da atenção de Jesus ao querer que, a partir dele, o ser humano vivesse a verdadeira felicidade: o coração. E é justamente no coração que brotam, como nos revela São João (em I Jo 2, 16-17) sobre a tríplice concupiscência, a concupiscência da carne, dos olhos e o orgulho da riqueza, que não vêm do Pai, mas do mundo. Ou seja, a concupiscência existe porque nos afastamos do plano original, do princípio, de Deus para nós. E o fruto deste afastamento vem da árvore do conhecimento do bem e do mal, que nasceu, cresceu e vive no coração do homem. Justamente aí se encontra o ponto chave da nossa reflexão: o Coração Humano. Fica mais claro entendermos o porquê da preocupação de Jesus em querer atingir nosso coração, pois ao atingi-lo e convertê-lo, Ele nos reconduz ao Pai, ao Reino dos Céus, já aqui na Terra. Ele nos leva à verdade sobre o homem, verdade esta que não pode ser negada, como diria o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, na obra ‘A Vida de Galileu’, “Quem conhece a verdade e a chama de mentira é um criminoso”. Pois sabemos que, quando o homem fecha o seu coração ao que vem do Pai, resta nele apenas o que vem do mundo e, como vimos, o que vem do mundo não é a verdade.

E verdade e mentira lutam dentro de nós, no nosso coração. Numa batalha sabemos que vence quem tem a melhor estratégia e o exército mais forte. No campo da sexualidade, qual lado está mais bem guarnecido para as decisões do dia a dia: o lado do amor autêntico ou o da luxúria desenfreada? Se queremos nos fortalecer no amor, precisamos dar as “armas” certas a esse exército. Isso inclui a prática da caridade e de todas as outras virtudes. Confessar-se frequentemente, cultivar uma vida de oração e meditação na Palavra de Deus, evitar situações de tentação... Sabemos, muito bem! Abramos, pois, os nossos corações a Cristo e desejemos ardentemente sua presença para que Ele nos ajude neste campo de batalha do coração.

Tatiana e Ronaldo de Melo
Autor

Tatiana e Ronaldo de Melo

Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro