Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (43): Interpretação e tradução da Bíblia

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27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (43): Interpretação e tradução da Bíblia

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29/04/2016 00:00 - Atualizado em 30/05/2016 14:39

A Palavra de Deus na Bíblia (43): Interpretação e tradução da Bíblia 0

29/04/2016 00:00 - Atualizado em 30/05/2016 14:39

Dentro do nosso percurso de leitura e reflexão sobre os aspectos mais relevantes acerca da interpretação bíblica contemporânea que estamos estudando a partir do documento “A Interpretação da Bíblia na Igreja” (1993), da Pontifícia Comissão Bíblica, iniciaremos agora o item E: “Abordagens contextuais”, no qual trataremos de duas abordagens: 1) Libertação; 2) Feminista.

Mas o que são ‘abordagens contextuais’?

‘A interpretação de um texto é sempre dependente da mentalidade e das preocupações de seus leitores. Estes últimos dão uma atenção privilegiada a certos aspectos e, sem mesmo pensar, negligenciam outros1.

O documento coloca como premissa da questão da existência e do valor de abordagens contextuais a premissa importante do papel do leitor no processo de leitura, sua mentalidade e preocupações não são exiladas de sua ação de leitor e intérprete.

Esta situação de leitura que implica na consideração que as ‘circunstâncias do leitor são componentes de sua interpretação e a condicionam leva a Igreja a recomendar aos exegetas e aos estudiosos da Bíblia que considerem tantos os aspectos positivos, como aqueles negativos implicados nesta realidade.

Esta premissa que parece tão simples e óbvia é a conquista de décadas de trabalhos de teóricos da literatura2. E contribuiu para entender porque o entendimento plural de um texto não depende somente da ‘plurisemanticidade’ de um texto, isto é, que um texto apresenta uma gama de variações interpretativas ao longo de sua sobrevivência no tempo, mas que também a situação dos leitores em suas circunstâncias provocam e criam uma diversidade de significações em sua leitura.

‘É então inevitável que exegetas adotem, em seus trabalhos, novos pontos de vista que correspondam a correntes de pensamento contemporâneas que não obtiveram, até aqui, uma importância suficiente. Convém que eles o façam com discernimento crítico. Atualmente, os movimentos de libertação e o feminismo retêm particularmente a atenção’3.

Com esta recomendação aos exegetas, acerca desta realidade inconfutável que leitores leem textos segundo as suas circunstâncias, e por isso podem, às vezes, negligenciar aspectos importantes do texto, e que por isso, é preciso que ‘o façam com discernimento crítico’, passaremos então à primeira abordagem a ser analisada, aquela da ‘libertação’.

1. Abordagem da libertação

‘A teologia da libertação é um fenômeno complexo que é preciso não simplificar indevidamente. Como movimento teológico ele se consolida no início dos anos 70. Seu ponto de partida, além das circunstâncias econômicas, sociais e politicas dos países da América Latina, encontra-se em dois grandes acontecimentos eclesiais: o Concilio Vaticano II, com sua vontade declarada de aggiornamento e de orientação do trabalho pastoral da Igreja em direção às necessidades do mundo atual, e a 2ª Assembleia plenária do Celam (Conselho Episcopal Latino-americano) em Medellin em 1968, que aplicou os ensinamentos do Concilio às necessidades da América Latina. O movimento se propagou também em outras partes do mundo (África, Ásia, população negra dos Estados Unidos)’4.

Destaco imediatamente a observação prévia do documento, que não se deve considerar o fenômeno da teologia da libertação como um ‘fenômeno simples’, diante do qual podemos reduzir tudo a um juízo positivo ou negativo.

É difícil discernir se existe « uma » teologia da libertação e definir seu método. É tão difícil quanto determinar adequadamente sua maneira de ler a Bíblia para indicar em seguida as contribuições e os limites. Pode-se dizer que ela não adota um método especial. Mas, partindo de pontos de vista socioculturais e políticos próprios, ela pratica uma leitura bíblica orientada em função das necessidades do povo, que procura na Bíblia o alimento da sua fé e da sua vida5.

Diversas são as observações que nascem destas reflexões e considerações do documento6.

A primeira reitera aquilo que já fora dito antes, que estamos diante de um fenômeno complexo em sua natureza interpretativa. E, por conseguinte, tem-se dificuldade de avaliar as contribuições e os limites.

Não se pode ignorar a força desta afirmação em relação à peculiaridade do método desta abordagem: ‘não adota um método especial’, se considerarmos que as ciências sociais e humanas elaboram suas abordagens partindo do mesmo lócus: uma olhar sociopolítico da realidade.

Pode se dizer, segundo o documento que estamos diante de um método que privilegia o ponto de vista ‘do Povo’, que busca na leitura bíblica ‘o alimento da sua fé e da sua vida’

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://teorialiterariaufrj.blogspot.com.br/2009/06/o-papel-do-leitor.html; http://www.gragoata.uff.br/index.php/gragoata/article/view/454

3 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.htm

5 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.htm

6 Não nos esqueçamos de que o Papa Bento XVI, então, Cardeal da Congregação da Doutrina da Fé, lançou em 1984, um documento em que trata especificamente da análise da Teologia da Libertação: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html

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A Palavra de Deus na Bíblia (43): Interpretação e tradução da Bíblia

29/04/2016 00:00 - Atualizado em 30/05/2016 14:39

Dentro do nosso percurso de leitura e reflexão sobre os aspectos mais relevantes acerca da interpretação bíblica contemporânea que estamos estudando a partir do documento “A Interpretação da Bíblia na Igreja” (1993), da Pontifícia Comissão Bíblica, iniciaremos agora o item E: “Abordagens contextuais”, no qual trataremos de duas abordagens: 1) Libertação; 2) Feminista.

Mas o que são ‘abordagens contextuais’?

‘A interpretação de um texto é sempre dependente da mentalidade e das preocupações de seus leitores. Estes últimos dão uma atenção privilegiada a certos aspectos e, sem mesmo pensar, negligenciam outros1.

O documento coloca como premissa da questão da existência e do valor de abordagens contextuais a premissa importante do papel do leitor no processo de leitura, sua mentalidade e preocupações não são exiladas de sua ação de leitor e intérprete.

Esta situação de leitura que implica na consideração que as ‘circunstâncias do leitor são componentes de sua interpretação e a condicionam leva a Igreja a recomendar aos exegetas e aos estudiosos da Bíblia que considerem tantos os aspectos positivos, como aqueles negativos implicados nesta realidade.

Esta premissa que parece tão simples e óbvia é a conquista de décadas de trabalhos de teóricos da literatura2. E contribuiu para entender porque o entendimento plural de um texto não depende somente da ‘plurisemanticidade’ de um texto, isto é, que um texto apresenta uma gama de variações interpretativas ao longo de sua sobrevivência no tempo, mas que também a situação dos leitores em suas circunstâncias provocam e criam uma diversidade de significações em sua leitura.

‘É então inevitável que exegetas adotem, em seus trabalhos, novos pontos de vista que correspondam a correntes de pensamento contemporâneas que não obtiveram, até aqui, uma importância suficiente. Convém que eles o façam com discernimento crítico. Atualmente, os movimentos de libertação e o feminismo retêm particularmente a atenção’3.

Com esta recomendação aos exegetas, acerca desta realidade inconfutável que leitores leem textos segundo as suas circunstâncias, e por isso podem, às vezes, negligenciar aspectos importantes do texto, e que por isso, é preciso que ‘o façam com discernimento crítico’, passaremos então à primeira abordagem a ser analisada, aquela da ‘libertação’.

1. Abordagem da libertação

‘A teologia da libertação é um fenômeno complexo que é preciso não simplificar indevidamente. Como movimento teológico ele se consolida no início dos anos 70. Seu ponto de partida, além das circunstâncias econômicas, sociais e politicas dos países da América Latina, encontra-se em dois grandes acontecimentos eclesiais: o Concilio Vaticano II, com sua vontade declarada de aggiornamento e de orientação do trabalho pastoral da Igreja em direção às necessidades do mundo atual, e a 2ª Assembleia plenária do Celam (Conselho Episcopal Latino-americano) em Medellin em 1968, que aplicou os ensinamentos do Concilio às necessidades da América Latina. O movimento se propagou também em outras partes do mundo (África, Ásia, população negra dos Estados Unidos)’4.

Destaco imediatamente a observação prévia do documento, que não se deve considerar o fenômeno da teologia da libertação como um ‘fenômeno simples’, diante do qual podemos reduzir tudo a um juízo positivo ou negativo.

É difícil discernir se existe « uma » teologia da libertação e definir seu método. É tão difícil quanto determinar adequadamente sua maneira de ler a Bíblia para indicar em seguida as contribuições e os limites. Pode-se dizer que ela não adota um método especial. Mas, partindo de pontos de vista socioculturais e políticos próprios, ela pratica uma leitura bíblica orientada em função das necessidades do povo, que procura na Bíblia o alimento da sua fé e da sua vida5.

Diversas são as observações que nascem destas reflexões e considerações do documento6.

A primeira reitera aquilo que já fora dito antes, que estamos diante de um fenômeno complexo em sua natureza interpretativa. E, por conseguinte, tem-se dificuldade de avaliar as contribuições e os limites.

Não se pode ignorar a força desta afirmação em relação à peculiaridade do método desta abordagem: ‘não adota um método especial’, se considerarmos que as ciências sociais e humanas elaboram suas abordagens partindo do mesmo lócus: uma olhar sociopolítico da realidade.

Pode se dizer, segundo o documento que estamos diante de um método que privilegia o ponto de vista ‘do Povo’, que busca na leitura bíblica ‘o alimento da sua fé e da sua vida’

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://teorialiterariaufrj.blogspot.com.br/2009/06/o-papel-do-leitor.html; http://www.gragoata.uff.br/index.php/gragoata/article/view/454

3 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.htm

5 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.htm

6 Não nos esqueçamos de que o Papa Bento XVI, então, Cardeal da Congregação da Doutrina da Fé, lançou em 1984, um documento em que trata especificamente da análise da Teologia da Libertação: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica