Arquidiocese do Rio de Janeiro

21º 16º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/07/2019

17 de Julho de 2019

É tempo de crer

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27/05/2016 00:00

É tempo de crer 0

27/05/2016 00:00

Entre as várias solenidades que marcam a retomada pós-pascal do Tempo Comum, o 9º Domingo desse tempo nos apresenta no Evangelho (Lc 7,1-10) a figura de um centurião que é modelo de muitas virtudes: fé, humildade, confiança no Senhor. A liturgia conservou as suas palavras na Santa Missa: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada... Jesus ficou admirado com a atitude desse homem e, depois de conceder-lhe o que lhe pedia – a cura de um dos seus servos –, virando-se para a multidão que O seguia, disse: Digo-vos que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.

Interessante é que não se dirige ao Senhor pedindo por ele, e sim pelo seu empregado. Além disso, chegados a Jesus, os anciãos dos judeus rogaram-lhe encarecidamente dizendo: Ele merece que lhe faças isso, pois aprecia o nosso povo e foi ele que nos construiu a sinagoga. E depois, quando o Senhor está já perto da sua casa, envia-lhe novamente uns amigos para dizer-lhe que não se incomode em ir até ele, que basta que assim o deseje para que o seu criado fique curado.

Essas atitudes de fé arrancam a admiração de Jesus, como ele disse: “Também eu estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: Vai, ele vai; e a outro: Vem! ele vem; e ao meu empregado: Faze isto!, ele o faz” (Lc 7, 8). A lógica é clara e a argumentação é notável.

O ensinamento mais importante desse texto evangélico é a fé do centurião; a qualidade daquela fé! Ele acreditou em Jesus. O Mestre já tinha dito: “em verdade, vos digo: se alguém disser a esta montanha: arranca-te e joga-te no mar, sem duvidar no coração, mas acreditando que vai acontecer, então acontecerá” (Mc 11,23). O dito de Jesus quer dizer que a fé faz superar todos os obstáculos; que entre o que Deus pede ao homem com a fé e aquilo que Ele está disposto a lhe dar há a mesma desproporção que existe entre um grãozinho de mostarda e um monte que se desloca.

Neste Evangelho, vemos um caso nítido de intercessão, ou seja, o centurião pede para o Senhor que seu empregado fique curado. Os Santos desempenham este papel, ou seja, os santos já gozam da bem-aventurança eterna, que são para aqueles que são amigos de Deus. Os santos são os nossos grandes aliados e intercessores, atendem sempre as nossas súplicas e rezam conosco diante de Deus. Deus honra-os e glorifica-os através dos milagres pelos quais intercedem.

A devoção aos santos é parte da fé católica e sempre foi vivida na Igreja. O Concílio Ecumênico Vaticano II diz-nos que: “convém, portanto, sumamente que amemos esses amigos e co-herdeiros de Jesus Cristo, além disso, nossos irmãos e exímios benfeitores; que rendamos as devidas graças a Deus por eles, que os invoquemos humildemente e recorramos às suas orações, à sua intercessão e ao seu auxílio. Temos amigos no Céu, recorramos à sua intercessão no dia de hoje, e nos prestarão grandes ajudas para realizarmos com retidão os nossos afazeres, para enfrentarmos com galhardia as coisas que mais nos custam.

Os Santos intercedem por nós no Céu, alcançam-nos graças e favores, pois – como comenta São Jerônimo – se quando estavam na Terra “e tinham motivos para se ocuparem de si próprios, já oravam pelos outros, quanto mais depois da coroa, da vitória e do triunfo”.

Que a Palavra de Deus no Evangelho deste domingo nos ajude a crer de maneira simples e corajosa, ousar em matéria de fé, pedir “sem duvidar”. Nossa fé é, muitas vezes, somente intelectual, muito cerebral; consistindo em crer que aquilo que Deus falou seja verdadeiro (crer na veracidade de Deus), o que é importante, mas muitas vezes falta-nos crer que o que prometeu acontecerá (crer no poder de Deus). Revistamo-nos da humildade do centurião, com aquelas palavras que ele foi o primeiro a dizer e que atravessaram os séculos até nós: Senhor, não sou digno; mas abracemos também sua fé: Dize somente uma palavra e eu ficarei curado.

Unidos à Virgem Maria, neste final do mês de maio, concluamos a reflexão invocando o Senhor com as palavras da liturgia: “Deus eterno e todo-poderoso, que pela glorificação dos santos continuais a manifestar o vosso amor por nós, concedei que a sua intercessão nos ajude e o seu exemplo nos anime a imitar fielmente o vosso Filho”. (Liturgia das Horas, Comum dos Santos. Oração para vários santos).


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27/05/2016 00:00

Entre as várias solenidades que marcam a retomada pós-pascal do Tempo Comum, o 9º Domingo desse tempo nos apresenta no Evangelho (Lc 7,1-10) a figura de um centurião que é modelo de muitas virtudes: fé, humildade, confiança no Senhor. A liturgia conservou as suas palavras na Santa Missa: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada... Jesus ficou admirado com a atitude desse homem e, depois de conceder-lhe o que lhe pedia – a cura de um dos seus servos –, virando-se para a multidão que O seguia, disse: Digo-vos que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.

Interessante é que não se dirige ao Senhor pedindo por ele, e sim pelo seu empregado. Além disso, chegados a Jesus, os anciãos dos judeus rogaram-lhe encarecidamente dizendo: Ele merece que lhe faças isso, pois aprecia o nosso povo e foi ele que nos construiu a sinagoga. E depois, quando o Senhor está já perto da sua casa, envia-lhe novamente uns amigos para dizer-lhe que não se incomode em ir até ele, que basta que assim o deseje para que o seu criado fique curado.

Essas atitudes de fé arrancam a admiração de Jesus, como ele disse: “Também eu estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: Vai, ele vai; e a outro: Vem! ele vem; e ao meu empregado: Faze isto!, ele o faz” (Lc 7, 8). A lógica é clara e a argumentação é notável.

O ensinamento mais importante desse texto evangélico é a fé do centurião; a qualidade daquela fé! Ele acreditou em Jesus. O Mestre já tinha dito: “em verdade, vos digo: se alguém disser a esta montanha: arranca-te e joga-te no mar, sem duvidar no coração, mas acreditando que vai acontecer, então acontecerá” (Mc 11,23). O dito de Jesus quer dizer que a fé faz superar todos os obstáculos; que entre o que Deus pede ao homem com a fé e aquilo que Ele está disposto a lhe dar há a mesma desproporção que existe entre um grãozinho de mostarda e um monte que se desloca.

Neste Evangelho, vemos um caso nítido de intercessão, ou seja, o centurião pede para o Senhor que seu empregado fique curado. Os Santos desempenham este papel, ou seja, os santos já gozam da bem-aventurança eterna, que são para aqueles que são amigos de Deus. Os santos são os nossos grandes aliados e intercessores, atendem sempre as nossas súplicas e rezam conosco diante de Deus. Deus honra-os e glorifica-os através dos milagres pelos quais intercedem.

A devoção aos santos é parte da fé católica e sempre foi vivida na Igreja. O Concílio Ecumênico Vaticano II diz-nos que: “convém, portanto, sumamente que amemos esses amigos e co-herdeiros de Jesus Cristo, além disso, nossos irmãos e exímios benfeitores; que rendamos as devidas graças a Deus por eles, que os invoquemos humildemente e recorramos às suas orações, à sua intercessão e ao seu auxílio. Temos amigos no Céu, recorramos à sua intercessão no dia de hoje, e nos prestarão grandes ajudas para realizarmos com retidão os nossos afazeres, para enfrentarmos com galhardia as coisas que mais nos custam.

Os Santos intercedem por nós no Céu, alcançam-nos graças e favores, pois – como comenta São Jerônimo – se quando estavam na Terra “e tinham motivos para se ocuparem de si próprios, já oravam pelos outros, quanto mais depois da coroa, da vitória e do triunfo”.

Que a Palavra de Deus no Evangelho deste domingo nos ajude a crer de maneira simples e corajosa, ousar em matéria de fé, pedir “sem duvidar”. Nossa fé é, muitas vezes, somente intelectual, muito cerebral; consistindo em crer que aquilo que Deus falou seja verdadeiro (crer na veracidade de Deus), o que é importante, mas muitas vezes falta-nos crer que o que prometeu acontecerá (crer no poder de Deus). Revistamo-nos da humildade do centurião, com aquelas palavras que ele foi o primeiro a dizer e que atravessaram os séculos até nós: Senhor, não sou digno; mas abracemos também sua fé: Dize somente uma palavra e eu ficarei curado.

Unidos à Virgem Maria, neste final do mês de maio, concluamos a reflexão invocando o Senhor com as palavras da liturgia: “Deus eterno e todo-poderoso, que pela glorificação dos santos continuais a manifestar o vosso amor por nós, concedei que a sua intercessão nos ajude e o seu exemplo nos anime a imitar fielmente o vosso Filho”. (Liturgia das Horas, Comum dos Santos. Oração para vários santos).


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro