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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

Abrigar os sem lar

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14/05/2016 00:00

Abrigar os sem lar 0

14/05/2016 00:00

O tema dos sem-teto vai muito além da questão religiosa. Mas a obra de misericórdia proposta vai além do teto físico, pois fala dos “sem lar”. É a obra de misericórdia sugerida para este mês de maio. Recordemos a passagem bíblica em que o Senhor Jesus estava prestes a nascer e São José e a Virgem Maria não encontraram nenhum lugar nas hospedarias. Conhecemos a história: o Rei do Universo veio nascer numa estrebaria (Lc 2,1-7).

Ao olhar para o contexto atual, vemos quantas pessoas nas ruas? Quantos querem um melhoramento de vida, mas, por questões sociais não conseguem ter um lar! Algumas vezes, mesmo tendo um teto, não têm um verdadeiro lar para residir. Ainda: quantos têm um teto e este se encontra em um lugar de risco ambiental ou insalubre! Por isso, no mês de maio, a nossa Carta Pastoral sobre o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia sugere essa obra de misericórdia Abrigar os sem lar!

São muitas as iniciativas das dioceses e das congregações religiosas em lutar para que estas pessoas que vivem nas ruas tenham espaços com dignidade para ser uma ponte de um futuro lar. Enquanto não se tem um lar estável, procura-se minimizar com o atendimento à população de rua com possibilidades várias. No Vaticano, a pedido do Papa Francisco, foi adaptado o albergue destinado a receber com dignidade os sem-teto que dormem nas imediações da Praça São Pedro, informou a Esmolaria Apostólica.  E o representante do Papa tem feito um belo trabalho nesse sentido. Algo muito concreto e claro.

Esse centro, com capacidade para 34 pessoas e administrado pela Congregação das Irmãs de Caridade Madre Teresa de Calcutá, foi instalado na Via dei Penitenzieri, a poucos metros da Praça São Pedro. A inauguração aconteceu no último dia 7 de outubro de 2015. Os sem-teto que quiserem dormir no albergue deverão ir diretamente ao local, que recebe novos inquilinos das 18h às 19h, e poderão reservar a permanência por, no máximo, 30 dias. Às 6h15 todos devem estar de pé. Às 8h o centro fechará as portas para ser limpo, antes de voltar a operar.           

As pessoas que utilizam esta residência têm direito a jantar e a tomar café da manhã, assim como usar os chuveiros disponíveis. A nova casa se soma ao abrigo que, desde 1988, disponibiliza 50 camas para mulheres pobres no Vaticano.

Há algum tempo, o Papa Francisco mandou presentear os sem-teto com 300 guarda-chuvas, que foram esquecidos pelos turistas nos Museus Vaticanos, para que pudessem se proteger das fortes chuvas. Em dezembro, no dia do seu aniversário de 78 anos, ele distribuiu 400 sacos de dormir a pessoas sem lar de Roma.

Temos aqui no Brasil, também, em todas as dioceses e paróquias, várias entidades que se encarregam de acolher o próximo em suas várias necessidades. Várias entidades acolhem crianças, adolescentes e jovens. Gostaria aqui também de fazer uma alusão do Senhor, que não encontrou uma hospedaria para o seu nascimento, com crianças que muitas vezes não possuem um lar, ou ainda, crianças que foram abandonadas, que aqui não é o caso de Jesus.

Desde sempre a Igreja Católica se debruça sobre o drama das crianças órfãs e abandonadas, mas é evidente que esse drama, com a questão social em nosso país, aumentou muito nestes últimos anos. Além dos vários acolhimentos, mesmo dos migrantes e refugiados, somos chamados a encaminhar soluções para que o Poder Público providencie resultados definitivos para tantas situações.

O desenvolvimento destes temas até a iniciativa da Pastoral da Vida e à Família, dos trabalhadores, das favelas, da população de rua, da ação e caridade sociais, dos menores abandonados, e tantas outras que vêm tratando desses temas sociais e questionando a organização pública para a solução dos problemas sociais do país, tem atravessado toda a história da Igreja no Brasil. Há de se recordar, claramente, que a origem da preocupação é dada pelo próprio Cristo, que acolheu e continua acolhendo aos pequeninos, viúvas, pobres e doentes.

Uma questão de conseguir um lar para crianças abandonadas pode ser a adoção. A Família Cristã pode contribuir para a redenção e a salvação de tantos pequenos irmãos órfãos e abandonados, segundo os vários documentos da Igreja e em especial a Igreja do Brasil. No Decreto do Concílio Ecumênico Vaticano II sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam Actuositatem, no qual se coloca, em primeiro lugar e entre aqueles que definem as “formas de apostolado familiar”, justamente a escolha de “adotar como filhos as crianças abandonadas”. (Cap. III, nº 11).

Com a mensagem para a Quaresmaem 2004, São João Paulo II nos convida a refletir sobre a condição das crianças: Jesus amou as crianças como suas prediletas pela sua «simplicidade e alegria de viver, a sua espontaneidade e a sua fé cheia de assombro” (Ângelus de 18.12.1994). Por isso, quer que a comunidade as acolha, com os braços e o coração abertos, como se fosse a Ele mesmo: “Quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe a Mim” (Mt 18, 5)... “A atitude que se tomar para com eles – acolhê-los e amá-los ou, ao invés, ignorá-los e rejeitá-los – é a mesma que se tem com Jesus, o Qual neles se torna particularmente presente”.

Em geral, este é um campo onde os cristãos leigos deveriam agir com intrepidez e coragem, procurando soluções para situações angustiantes e desesperadoras. Sabemos da dificuldade de solucionar tantos problemas, mas somos chamados a encaminhar, para que exista uma luz no fim do túnel para tantas situações tristes que a todos machucam.

São muitos casos dos sem lares, mas a nossa atitude deve ser sempre de acolhimento desses nossos irmãos que não possuem uma casa, uma família e um convívio para assim colocarem suas alegrias e tristezas em relato com os outros. E o acolhimento no coração deve ser também um compromisso em mudar essa sociedade, para que se solucionem essas situações.

Peçamos ao Senhor que neste Ano da Misericórdia possamos acolher estes irmãos necessitados e pequeninos. Que o Senhor nos ilumine e conduza, pois o trabalho é muito.

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Abrigar os sem lar

14/05/2016 00:00

O tema dos sem-teto vai muito além da questão religiosa. Mas a obra de misericórdia proposta vai além do teto físico, pois fala dos “sem lar”. É a obra de misericórdia sugerida para este mês de maio. Recordemos a passagem bíblica em que o Senhor Jesus estava prestes a nascer e São José e a Virgem Maria não encontraram nenhum lugar nas hospedarias. Conhecemos a história: o Rei do Universo veio nascer numa estrebaria (Lc 2,1-7).

Ao olhar para o contexto atual, vemos quantas pessoas nas ruas? Quantos querem um melhoramento de vida, mas, por questões sociais não conseguem ter um lar! Algumas vezes, mesmo tendo um teto, não têm um verdadeiro lar para residir. Ainda: quantos têm um teto e este se encontra em um lugar de risco ambiental ou insalubre! Por isso, no mês de maio, a nossa Carta Pastoral sobre o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia sugere essa obra de misericórdia Abrigar os sem lar!

São muitas as iniciativas das dioceses e das congregações religiosas em lutar para que estas pessoas que vivem nas ruas tenham espaços com dignidade para ser uma ponte de um futuro lar. Enquanto não se tem um lar estável, procura-se minimizar com o atendimento à população de rua com possibilidades várias. No Vaticano, a pedido do Papa Francisco, foi adaptado o albergue destinado a receber com dignidade os sem-teto que dormem nas imediações da Praça São Pedro, informou a Esmolaria Apostólica.  E o representante do Papa tem feito um belo trabalho nesse sentido. Algo muito concreto e claro.

Esse centro, com capacidade para 34 pessoas e administrado pela Congregação das Irmãs de Caridade Madre Teresa de Calcutá, foi instalado na Via dei Penitenzieri, a poucos metros da Praça São Pedro. A inauguração aconteceu no último dia 7 de outubro de 2015. Os sem-teto que quiserem dormir no albergue deverão ir diretamente ao local, que recebe novos inquilinos das 18h às 19h, e poderão reservar a permanência por, no máximo, 30 dias. Às 6h15 todos devem estar de pé. Às 8h o centro fechará as portas para ser limpo, antes de voltar a operar.           

As pessoas que utilizam esta residência têm direito a jantar e a tomar café da manhã, assim como usar os chuveiros disponíveis. A nova casa se soma ao abrigo que, desde 1988, disponibiliza 50 camas para mulheres pobres no Vaticano.

Há algum tempo, o Papa Francisco mandou presentear os sem-teto com 300 guarda-chuvas, que foram esquecidos pelos turistas nos Museus Vaticanos, para que pudessem se proteger das fortes chuvas. Em dezembro, no dia do seu aniversário de 78 anos, ele distribuiu 400 sacos de dormir a pessoas sem lar de Roma.

Temos aqui no Brasil, também, em todas as dioceses e paróquias, várias entidades que se encarregam de acolher o próximo em suas várias necessidades. Várias entidades acolhem crianças, adolescentes e jovens. Gostaria aqui também de fazer uma alusão do Senhor, que não encontrou uma hospedaria para o seu nascimento, com crianças que muitas vezes não possuem um lar, ou ainda, crianças que foram abandonadas, que aqui não é o caso de Jesus.

Desde sempre a Igreja Católica se debruça sobre o drama das crianças órfãs e abandonadas, mas é evidente que esse drama, com a questão social em nosso país, aumentou muito nestes últimos anos. Além dos vários acolhimentos, mesmo dos migrantes e refugiados, somos chamados a encaminhar soluções para que o Poder Público providencie resultados definitivos para tantas situações.

O desenvolvimento destes temas até a iniciativa da Pastoral da Vida e à Família, dos trabalhadores, das favelas, da população de rua, da ação e caridade sociais, dos menores abandonados, e tantas outras que vêm tratando desses temas sociais e questionando a organização pública para a solução dos problemas sociais do país, tem atravessado toda a história da Igreja no Brasil. Há de se recordar, claramente, que a origem da preocupação é dada pelo próprio Cristo, que acolheu e continua acolhendo aos pequeninos, viúvas, pobres e doentes.

Uma questão de conseguir um lar para crianças abandonadas pode ser a adoção. A Família Cristã pode contribuir para a redenção e a salvação de tantos pequenos irmãos órfãos e abandonados, segundo os vários documentos da Igreja e em especial a Igreja do Brasil. No Decreto do Concílio Ecumênico Vaticano II sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam Actuositatem, no qual se coloca, em primeiro lugar e entre aqueles que definem as “formas de apostolado familiar”, justamente a escolha de “adotar como filhos as crianças abandonadas”. (Cap. III, nº 11).

Com a mensagem para a Quaresmaem 2004, São João Paulo II nos convida a refletir sobre a condição das crianças: Jesus amou as crianças como suas prediletas pela sua «simplicidade e alegria de viver, a sua espontaneidade e a sua fé cheia de assombro” (Ângelus de 18.12.1994). Por isso, quer que a comunidade as acolha, com os braços e o coração abertos, como se fosse a Ele mesmo: “Quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe a Mim” (Mt 18, 5)... “A atitude que se tomar para com eles – acolhê-los e amá-los ou, ao invés, ignorá-los e rejeitá-los – é a mesma que se tem com Jesus, o Qual neles se torna particularmente presente”.

Em geral, este é um campo onde os cristãos leigos deveriam agir com intrepidez e coragem, procurando soluções para situações angustiantes e desesperadoras. Sabemos da dificuldade de solucionar tantos problemas, mas somos chamados a encaminhar, para que exista uma luz no fim do túnel para tantas situações tristes que a todos machucam.

São muitos casos dos sem lares, mas a nossa atitude deve ser sempre de acolhimento desses nossos irmãos que não possuem uma casa, uma família e um convívio para assim colocarem suas alegrias e tristezas em relato com os outros. E o acolhimento no coração deve ser também um compromisso em mudar essa sociedade, para que se solucionem essas situações.

Peçamos ao Senhor que neste Ano da Misericórdia possamos acolher estes irmãos necessitados e pequeninos. Que o Senhor nos ilumine e conduza, pois o trabalho é muito.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro