Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 11/12/2018

11 de Dezembro de 2018

6º Domingo da Páscoa - 01/05/2016

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

11 de Dezembro de 2018

6º Domingo da Páscoa - 01/05/2016

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

28/04/2016 15:39 - Atualizado em 28/04/2016 16:42

6º Domingo da Páscoa - 01/05/2016 0

28/04/2016 15:39 - Atualizado em 28/04/2016 16:42

1ª Leitura: At 15,1-2.22-29

Sl 66

2ª Leitura: Ap 21,10-14.22-23

Evangelho: Jo 14,23-29

 

“A cidade não precisa de sol, nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23)

A Palavra de Deus hoje nos apresenta, na segunda leitura, a continuação da visão de João na Ilha de Patmos. Naquele “Dia do Senhor” João foi transportado pelo Espírito e viu coisas maravilhosas. Também nós, nesse grande Dia do Senhor, neste grande Domingo que é o tempo pascal, somos também transportados pelo Espírito para esta Santa Assembleia, a fim de contemplarmos o mesmo que João contemplou. João viu a Jerusalém celeste. A Igreja é “já” e “ainda não” a Jerusalém celeste. A Igreja não é mais sombra do que deveria vir como era sombra o antigo Templo e a antiga cidade. Todavia, a Igreja ainda é imagem, uma imagem muito mais perfeita do que aquelas do Antigo Testamento, mas é ainda uma imagem da Jerusalém Celeste que Deus revestirá com as vestes nupciais no final dos tempos.

Todavia, embora ainda seja imagem do que virá, a Igreja já possui hoje os sinais que nos apontam para a Jerusalém celestial. Assim como a Jerusalém futura tem doze portas e está construída sobre doze alicerces, também a nossa Jerusalém, a Igreja, está construída sobre o fundamento dos apóstolos do Cordeiro. Os apóstolos receberam do Senhor a missão de edificarem para Deus um novo povo, uma nova cidade, e eles se tornaram, por isso, o alicerce dessa cidade, cuja pedra principal é o Cordeiro.

A Igreja, como a Jerusalém celeste, não precisa de ninguém que a ilumine, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro. Não é o mundo que nos ilumina; não são as pesquisas de opinião que devem orientar a vida dos cristãos; não são as reportagens nem as novas descobertas científicas que nos iluminam. A luz que ilumina todo homem é a glória de Deus; a lâmpada que nos guia neste mundo de trevas é o Cordeiro. Deus nos ilumina com sua glória; o Cordeiro, como lâmpada nos guia, até que chegue a Jerusalém Celeste, onde todos serão iluminados e guiados pela luz de Deus. Nós não desprezamos a luz que o conhecimento humano pode trazer. Mas, essa luz só é verdadeiramente luz quando reflexo da luz que é Deus mesmo.

Essa necessidade de ser guiados pela luz de Deus, luz essa que os apóstolos receberam e que nos transmitiram, aparece claramente na primeira leitura. Não são mais as opiniões humanas que contam. Os judaizantes querem impor um comportamento puramente humano aos pagãos que se convertem à fé. Paulo não se contenta com essa opinião puramente humana e vai buscar a luz da doutrina onde ela está: nos apóstolos. Eles, que são o fundamento da Jerusalém Celeste, são os verdadeiros guardiões da luz pura, que é a Palavra de Cristo para nós. Eles decidem, juntamente com o Espírito, o que deve ou não ser imposto aos pagãos que aderem a fé.

Aqui reside uma lição preciosa para nossa vida cristã. Não podemos nos deixar guiar pelas opiniões do mundo. Isso não significa uma postura de fundamentalismo ou de não-diálogo com o mundo. Todavia, precisamos ser cautelosos para não perdermos a nossa orientação. Nós não queremos ser simplesmente uma Igreja agradável ao mundo. Queremos ser imagem dessa Jerusalém futura que João viu. Queremos caminhar para essa consumação que a Palavra hoje nos promete. Para chegarmos lá precisamos seguir a luz do Cordeiro, que é a sua Palavra, transmitida a nós por aqueles que são os alicerces da cidade futura e também dessa cidade que é a Igreja, imagem da que virá.

Queremos abrir as janelas do nosso coração a todos os homens, mas não queremos perder a razão da nossa vida, não queremos abrir mão da luz da verdade, não queremos nos deixar guiar por qualquer vento de doutrina, mas queremos caminhar onde caminham os apóstolos do Senhor, nossos pastores, porque a eles em primeiro lugar é enviado o Espírito para que governem a Igreja do Senhor, sempre conduzindo-a às fontes puras da doutrina que conduz à salvação.

Essa luz pura que os apóstolos nos transmitem chega até nós hoje nessa Palavra de Salvação. Nós concordamos que o Evangelho é para nós Palavra de Salvação. Se a nossa salvação se realiza pela proclamação dessa Palavra precisamos estar atentos ao que ouvimos e entender seu significado profundo.

Esse evangelho possui elementos fundamentais que gostaria de partilhar convosco.

O primeira deles é a importância de “guardar a Palavra”. Diz Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”. Não podemos ter um amor simplesmente intelectual. Não nos basta dizer que amamos a Jesus. Esse amor que é dito e sentido precisa se expressar de forma concreta. A forma concreta de expressarmos o nosso amor ao Cristo é guardando a sua Palavra. Ele é a Palavra como João nos diz no prólogo do seu evangelho. Jesus Cristo é o “lógos” do Pai. Ele é Aquele pelo qual todas coisas foram feitas, pois, no Gênesis, tudo é criado à medida em que o pai profere o seu “lógos”, a sua Palavra. Deus “disse” e “foi feito”. Mas Cristo não se contentou em ser a Palavra criadora. Essa Palavra se fez carne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14). Fazendo-se carne comunicou-nos numa linguagem humana o que o Pai tinha a nos dizer.

Guardar a Palavra de Cristo é guardar a Ele mesmo. Guardar a Palavra significa que a minha vida se modifica, o meu modo de agir é transformado, eu busco as coisas do Reino mas não somente porque alguém me disse que isto ou aquilo é pecado. Guardar a Palavra significa que a cada momento na minha vida quando estou diante das mais diversas situações eu percebo que há uma Palavra da Escritura que me ilumina e me guia. O meu contato pessoal e diário com a Palavra vai fazendo com que ela comece a ser escrita em meu coração e comece a resplandecer em mim como luz.

Cristo fez e falou muitas coisas. Muitas dessas coisas os apóstolos não entenderam num primeiro momento. Cristo hoje promete o Espírito. O Espírito é o Paráclito, aquele que é chamado para estar junto. Nós somos a ekklesia, a assembleia convocada; o Espírito é o Parakletos, o que é chamado junto, para nos defender e aqui especificamente para ensinar e recordar. Duas palavras - ekklesia e Parakletos – derivadas do mesmo verbo kaleo, que significa ‘chamar’, ‘invocar’, ‘convocar’. O Espírito Santo é o Didáscalos, o Mestre, e é também a Memória Viva de Deus. O Espírito que Cristo comunicou aos seus apóstolos e discípulos fez com que eles entendessem de maneira nova, à luz dos acontecimentos pascais, o que Cristo havia feito e falado quando ainda estava no meio deles.

O Espírito também é o nosso Mestre Interior, aquele que nos ensina a guardar a Palavra e tudo o que ela contém. Quem guarda da Palavra apenas o que gosta ainda não se abriu ao Espírito. O Espírito é também a Memória Viva de Deus. Poderíamos traduzir esse trecho da Escritura dizendo que o Espírito “vos ensinará e fará memória de tudo o que eu vos tenho dito”. O Espírito vem para fazer memória da Palavra. Não se trata aqui apenas de uma memória psicológica.

O Espírito não vem apenas para que nos lembremos de fatos passados. Para isso, não precisamos do Espírito, porque a nossa memória humana é capaz de realizar isso sozinha. O Espírito não vem para fazermos uma memória meramente humana de fatos passados. O Espírito vem e vem com poder para que a Palavra de Cristo se torne presente nesta celebração em toda a sua força. O que Cristo fez e falou acontece quando nos reunimos, porque o Espírito vem hoje e agora sobre nós aqui reunidos, para que experimentemos a força da sua Páscoa na atual condição de nossa vida, com nossos problemas, nossas dúvidas, nossas lutas, cansaços, decepções, frustrações e pecados.

 Isso nos enche de paz. Cristo hoje nos comunica a sua paz. Daqui a pouco eu vos direi: saudai-vos com um gesto de paz! Não é a nossa paz, o nosso cumprimento que estamos comunicando. Nós não temos uma paz nossa para oferecer. Não temos uma paz para oferecermos nem a nós mesmos, quanto mais aos outros. Trata-se de uma paz recebida e que é transmitida. Recebemos a paz de Cristo e a transmitimos. A Paz que Cristo nos dá Ele não no-la dá como o mundo faz. Não se trata de impossível ausência de tribulações nessa vida. A Paz que Cristo nos oferece é a certeza de que “O Senhor dos Exércitos está conosco, nossa fortaleza é o Deus de Jacó!” (Sl 46 “45”, 12). Ainda que a terra vacile e os montes se abalem, ou seja, ainda que o mundo se acabe, que tudo despenque, e às vezes a nossa vida desaba sobre nossas cabeças, nada tememos, porque “O Senhor dos Exércitos está conosco, nossa fortaleza é o Deus de Jacó!” (Sl 46 “45”, 12). É a paz do Messias, a certeza da sua presença.
Na nossa vida passamos por momentos de alegrias e incertezas, de frustrações e de realizações. Nos momentos de forte tribulação dizemos a Deus: Depois que isso tudo passar eu te louvarei para sempre, porque nunca experimentei um fardo tão difícil de carregar! Mal acaba uma tribulação já tem outra na fila e parece que nunca experimentamos a paz. É preciso pedir a graça de ver como Deus vê; Ele, que vai pacientemente tecendo o fio da nossa história, sempre no mesmo ritmo. Ainda que estejamos passando pelas experiências mais terríveis, lembremos de que também aí Deus está tecendo o fio da nossa história, que nunca se romperá, enquanto o deixarmos nas mãos do Senhor. Nem a morte romperá a tecitura desse fio, porque ele é para a eternidade. Que o nosso coração não se perturbe, e aqui nos lembramos da grande Teresa de Jesus que dizia para sua filhas espirituais: “Nada te perturbe, nada te amedronte. Tudo passa. A paciência tudo alcança. Para quem tem Deus nada falta, Deus é plenitude”.

Essa Palavra é coroada por três esperanças que brotam do Mistério Pascal, que fazem parte dele, porque Ele é a síntese de tudo. Ele vai. Nós estamos à espera da Ascensão. Mas, não nos deixará órfãos, porque enviará o Espírito que perpetuará sua presença conosco: na Igreja, nos sacramentos, na Liturgia das Horas, no Ano Litúrgico etc. E não somente isso. Vivendo no tempo do Espírito e, portanto, da visão sacramental de Cristo, aguardamos a sua Segunda Vinda, a Parusia. A celebração sacramental da Igreja é um grande Maranathá, um grande “Vem, Senhor Jesus!” Celebramos estes Divinos Mistérios na feliz expectativa de que possamos ver face a face o Senhor que agora contemplamos sob o véu dos sacramentos.

Fiquemos alegres, porque Ele foi, mas continua sempre conosco e voltará glorioso para nos levar com Ele. Essa é a nossa esperança. Nada há de mais concreto do que isso, e é essa esperança que nos ajuda a caminhar ainda mais, buscando – como ouvimos na oração coleta dessa Missa – fazer com que a “nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos”.
Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

6º Domingo da Páscoa - 01/05/2016

28/04/2016 15:39 - Atualizado em 28/04/2016 16:42

1ª Leitura: At 15,1-2.22-29

Sl 66

2ª Leitura: Ap 21,10-14.22-23

Evangelho: Jo 14,23-29

 

“A cidade não precisa de sol, nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21,23)

A Palavra de Deus hoje nos apresenta, na segunda leitura, a continuação da visão de João na Ilha de Patmos. Naquele “Dia do Senhor” João foi transportado pelo Espírito e viu coisas maravilhosas. Também nós, nesse grande Dia do Senhor, neste grande Domingo que é o tempo pascal, somos também transportados pelo Espírito para esta Santa Assembleia, a fim de contemplarmos o mesmo que João contemplou. João viu a Jerusalém celeste. A Igreja é “já” e “ainda não” a Jerusalém celeste. A Igreja não é mais sombra do que deveria vir como era sombra o antigo Templo e a antiga cidade. Todavia, a Igreja ainda é imagem, uma imagem muito mais perfeita do que aquelas do Antigo Testamento, mas é ainda uma imagem da Jerusalém Celeste que Deus revestirá com as vestes nupciais no final dos tempos.

Todavia, embora ainda seja imagem do que virá, a Igreja já possui hoje os sinais que nos apontam para a Jerusalém celestial. Assim como a Jerusalém futura tem doze portas e está construída sobre doze alicerces, também a nossa Jerusalém, a Igreja, está construída sobre o fundamento dos apóstolos do Cordeiro. Os apóstolos receberam do Senhor a missão de edificarem para Deus um novo povo, uma nova cidade, e eles se tornaram, por isso, o alicerce dessa cidade, cuja pedra principal é o Cordeiro.

A Igreja, como a Jerusalém celeste, não precisa de ninguém que a ilumine, pois a glória de Deus é a sua luz e a sua lâmpada é o Cordeiro. Não é o mundo que nos ilumina; não são as pesquisas de opinião que devem orientar a vida dos cristãos; não são as reportagens nem as novas descobertas científicas que nos iluminam. A luz que ilumina todo homem é a glória de Deus; a lâmpada que nos guia neste mundo de trevas é o Cordeiro. Deus nos ilumina com sua glória; o Cordeiro, como lâmpada nos guia, até que chegue a Jerusalém Celeste, onde todos serão iluminados e guiados pela luz de Deus. Nós não desprezamos a luz que o conhecimento humano pode trazer. Mas, essa luz só é verdadeiramente luz quando reflexo da luz que é Deus mesmo.

Essa necessidade de ser guiados pela luz de Deus, luz essa que os apóstolos receberam e que nos transmitiram, aparece claramente na primeira leitura. Não são mais as opiniões humanas que contam. Os judaizantes querem impor um comportamento puramente humano aos pagãos que se convertem à fé. Paulo não se contenta com essa opinião puramente humana e vai buscar a luz da doutrina onde ela está: nos apóstolos. Eles, que são o fundamento da Jerusalém Celeste, são os verdadeiros guardiões da luz pura, que é a Palavra de Cristo para nós. Eles decidem, juntamente com o Espírito, o que deve ou não ser imposto aos pagãos que aderem a fé.

Aqui reside uma lição preciosa para nossa vida cristã. Não podemos nos deixar guiar pelas opiniões do mundo. Isso não significa uma postura de fundamentalismo ou de não-diálogo com o mundo. Todavia, precisamos ser cautelosos para não perdermos a nossa orientação. Nós não queremos ser simplesmente uma Igreja agradável ao mundo. Queremos ser imagem dessa Jerusalém futura que João viu. Queremos caminhar para essa consumação que a Palavra hoje nos promete. Para chegarmos lá precisamos seguir a luz do Cordeiro, que é a sua Palavra, transmitida a nós por aqueles que são os alicerces da cidade futura e também dessa cidade que é a Igreja, imagem da que virá.

Queremos abrir as janelas do nosso coração a todos os homens, mas não queremos perder a razão da nossa vida, não queremos abrir mão da luz da verdade, não queremos nos deixar guiar por qualquer vento de doutrina, mas queremos caminhar onde caminham os apóstolos do Senhor, nossos pastores, porque a eles em primeiro lugar é enviado o Espírito para que governem a Igreja do Senhor, sempre conduzindo-a às fontes puras da doutrina que conduz à salvação.

Essa luz pura que os apóstolos nos transmitem chega até nós hoje nessa Palavra de Salvação. Nós concordamos que o Evangelho é para nós Palavra de Salvação. Se a nossa salvação se realiza pela proclamação dessa Palavra precisamos estar atentos ao que ouvimos e entender seu significado profundo.

Esse evangelho possui elementos fundamentais que gostaria de partilhar convosco.

O primeira deles é a importância de “guardar a Palavra”. Diz Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”. Não podemos ter um amor simplesmente intelectual. Não nos basta dizer que amamos a Jesus. Esse amor que é dito e sentido precisa se expressar de forma concreta. A forma concreta de expressarmos o nosso amor ao Cristo é guardando a sua Palavra. Ele é a Palavra como João nos diz no prólogo do seu evangelho. Jesus Cristo é o “lógos” do Pai. Ele é Aquele pelo qual todas coisas foram feitas, pois, no Gênesis, tudo é criado à medida em que o pai profere o seu “lógos”, a sua Palavra. Deus “disse” e “foi feito”. Mas Cristo não se contentou em ser a Palavra criadora. Essa Palavra se fez carne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14). Fazendo-se carne comunicou-nos numa linguagem humana o que o Pai tinha a nos dizer.

Guardar a Palavra de Cristo é guardar a Ele mesmo. Guardar a Palavra significa que a minha vida se modifica, o meu modo de agir é transformado, eu busco as coisas do Reino mas não somente porque alguém me disse que isto ou aquilo é pecado. Guardar a Palavra significa que a cada momento na minha vida quando estou diante das mais diversas situações eu percebo que há uma Palavra da Escritura que me ilumina e me guia. O meu contato pessoal e diário com a Palavra vai fazendo com que ela comece a ser escrita em meu coração e comece a resplandecer em mim como luz.

Cristo fez e falou muitas coisas. Muitas dessas coisas os apóstolos não entenderam num primeiro momento. Cristo hoje promete o Espírito. O Espírito é o Paráclito, aquele que é chamado para estar junto. Nós somos a ekklesia, a assembleia convocada; o Espírito é o Parakletos, o que é chamado junto, para nos defender e aqui especificamente para ensinar e recordar. Duas palavras - ekklesia e Parakletos – derivadas do mesmo verbo kaleo, que significa ‘chamar’, ‘invocar’, ‘convocar’. O Espírito Santo é o Didáscalos, o Mestre, e é também a Memória Viva de Deus. O Espírito que Cristo comunicou aos seus apóstolos e discípulos fez com que eles entendessem de maneira nova, à luz dos acontecimentos pascais, o que Cristo havia feito e falado quando ainda estava no meio deles.

O Espírito também é o nosso Mestre Interior, aquele que nos ensina a guardar a Palavra e tudo o que ela contém. Quem guarda da Palavra apenas o que gosta ainda não se abriu ao Espírito. O Espírito é também a Memória Viva de Deus. Poderíamos traduzir esse trecho da Escritura dizendo que o Espírito “vos ensinará e fará memória de tudo o que eu vos tenho dito”. O Espírito vem para fazer memória da Palavra. Não se trata aqui apenas de uma memória psicológica.

O Espírito não vem apenas para que nos lembremos de fatos passados. Para isso, não precisamos do Espírito, porque a nossa memória humana é capaz de realizar isso sozinha. O Espírito não vem para fazermos uma memória meramente humana de fatos passados. O Espírito vem e vem com poder para que a Palavra de Cristo se torne presente nesta celebração em toda a sua força. O que Cristo fez e falou acontece quando nos reunimos, porque o Espírito vem hoje e agora sobre nós aqui reunidos, para que experimentemos a força da sua Páscoa na atual condição de nossa vida, com nossos problemas, nossas dúvidas, nossas lutas, cansaços, decepções, frustrações e pecados.

 Isso nos enche de paz. Cristo hoje nos comunica a sua paz. Daqui a pouco eu vos direi: saudai-vos com um gesto de paz! Não é a nossa paz, o nosso cumprimento que estamos comunicando. Nós não temos uma paz nossa para oferecer. Não temos uma paz para oferecermos nem a nós mesmos, quanto mais aos outros. Trata-se de uma paz recebida e que é transmitida. Recebemos a paz de Cristo e a transmitimos. A Paz que Cristo nos dá Ele não no-la dá como o mundo faz. Não se trata de impossível ausência de tribulações nessa vida. A Paz que Cristo nos oferece é a certeza de que “O Senhor dos Exércitos está conosco, nossa fortaleza é o Deus de Jacó!” (Sl 46 “45”, 12). Ainda que a terra vacile e os montes se abalem, ou seja, ainda que o mundo se acabe, que tudo despenque, e às vezes a nossa vida desaba sobre nossas cabeças, nada tememos, porque “O Senhor dos Exércitos está conosco, nossa fortaleza é o Deus de Jacó!” (Sl 46 “45”, 12). É a paz do Messias, a certeza da sua presença.
Na nossa vida passamos por momentos de alegrias e incertezas, de frustrações e de realizações. Nos momentos de forte tribulação dizemos a Deus: Depois que isso tudo passar eu te louvarei para sempre, porque nunca experimentei um fardo tão difícil de carregar! Mal acaba uma tribulação já tem outra na fila e parece que nunca experimentamos a paz. É preciso pedir a graça de ver como Deus vê; Ele, que vai pacientemente tecendo o fio da nossa história, sempre no mesmo ritmo. Ainda que estejamos passando pelas experiências mais terríveis, lembremos de que também aí Deus está tecendo o fio da nossa história, que nunca se romperá, enquanto o deixarmos nas mãos do Senhor. Nem a morte romperá a tecitura desse fio, porque ele é para a eternidade. Que o nosso coração não se perturbe, e aqui nos lembramos da grande Teresa de Jesus que dizia para sua filhas espirituais: “Nada te perturbe, nada te amedronte. Tudo passa. A paciência tudo alcança. Para quem tem Deus nada falta, Deus é plenitude”.

Essa Palavra é coroada por três esperanças que brotam do Mistério Pascal, que fazem parte dele, porque Ele é a síntese de tudo. Ele vai. Nós estamos à espera da Ascensão. Mas, não nos deixará órfãos, porque enviará o Espírito que perpetuará sua presença conosco: na Igreja, nos sacramentos, na Liturgia das Horas, no Ano Litúrgico etc. E não somente isso. Vivendo no tempo do Espírito e, portanto, da visão sacramental de Cristo, aguardamos a sua Segunda Vinda, a Parusia. A celebração sacramental da Igreja é um grande Maranathá, um grande “Vem, Senhor Jesus!” Celebramos estes Divinos Mistérios na feliz expectativa de que possamos ver face a face o Senhor que agora contemplamos sob o véu dos sacramentos.

Fiquemos alegres, porque Ele foi, mas continua sempre conosco e voltará glorioso para nos levar com Ele. Essa é a nossa esperança. Nada há de mais concreto do que isso, e é essa esperança que nos ajuda a caminhar ainda mais, buscando – como ouvimos na oração coleta dessa Missa – fazer com que a “nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos”.