Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/07/2019

20 de Julho de 2019

Misericórdia e Caridade

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Misericórdia e Caridade

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20/04/2016 18:23 - Atualizado em 20/04/2016 19:23

Misericórdia e Caridade 0

20/04/2016 18:23 - Atualizado em 20/04/2016 19:23

O homem não tem nada de tão divino – tão de Cristo- como a mansidão e a paciência na prática do bem. Temos que fomentar aquelas virtudes que juntamente com a salvação nos ajudam a servir bem a Deus e ao próximo. A grande virtude é o amor e a caridade.

Os vários chamados que o Senhor nos dirige é para que vivamos a todo o momento a caridade. Assim, devem estimular a segui-lo de perto com atos concretos, procurando oportunidades de ser úteis, de proporcionar alegrias aos que estão ao nosso lado, sabendo que nunca progrediremos suficientemente nessa virtude. Ao mesmo tempo, consideremos, hoje em nossa vida e em nossa oração todos esses aspectos em que seria fácil faltarmos à caridade se não estivéssemos vigilantes.

A caridade leva-nos a compreender, a desculpar, a conviver com todos, de maneira que aqueles que pensam ou atuam de um modo diferente do nosso em matéria social, política ou mesmo religioso, devem ser objeto também do nosso respeito e do nosso apreço. Esta caridade e esta benignidade não se devem converter de forma alguma em indiferença no tocante à verdade e ao bem; mais ainda, a verdade que salva. Mas é necessário distinguir entre o erro, que sempre deve ser evitado, e o homem que erra, pois este conserva a dignidade da pessoa mesmo quando está dominado por ideias falsas insuficientes em matéria religiosa.

Um discípulo de Cristo jamais deverá tratar o outro mal, o erro se chama erro, mas, a quem está errado, deve corrigi-lo com afeto; senão, não poderá ajudá-lo, não poderá santificá-lo, e essa é a maior prova de caridade.

O preceito da caridade não se estende somente àqueles que nos querem e nos tratam bem, mas todos sem exceção. Ouvistes como diz a palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Fazei o bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Devemos também viver a caridade com aqueles que nos tratam mal, que nos difamam e roubam a honra, que procuram positivamente prejudicar-nos. O Senhor deu-nos exemplo disso na Cruz, e os seus discípulos seguiram o mesmo caminho do mestre. Ele nos ensinou a não ter inimigos pessoais como o testemunharam heroicamente os santos de todas as épocas e a considerar o pecado como o único mal verdadeiro.

A caridade incita-nos à oração, a exemplaridade, ao apostolado, à correção fraterna, confiando em que todo o homem é capaz de retificar os seus erros. Se vez por outra as ofensas, as injúrias, as calunias, forem particularmente dolorosas, pediremos ajuda a Nossa Senhora, que contemplamos frequentemente ao pé da Cruz, sentindo muito de perto toas as infâmias contra o seu Filho; grande parte daquelas injúrias, não o esqueçamos, saíram dos nossos lábios e das nossas ações. Os agravos que nos fazem hão de doer-nos sobretudo pela ofensa a Deus que representam e pelo mal que podem ocasionar a outras pessoas, e hão de mover-nos a desagravar a Deus e a oferecer-lhe toda a reparação que pudermos.

O coração do Cristão tem de ser grande. A sua caridade, evidentemente, deve ser ordenada e, portanto, deve começar pelos mais próximos, pelas pessoas que, por vontade divina, estão à sua volta. No entanto, o seu afeto nunca pode ser excludente ou limitar-se a âmbitos reduzidos. O Senhor não quer um apostolado de horizontes estreitos. A atitude do Cristão, a sua convivência com todos, deve ser como uma generosa torrente de carinho sobrenatural e de cordialidade humana, que banha tudo à sua passagem.

O amor disporá o coração a todos os atos próprios de respeito, seja para com Deus, seja para com o homem. Isto é evidente, visto que um genuíno respeito, seja para com Deus, ou seja para com o homem, consiste em amor. Se uma pessoa ama a Deus sinceramente, este amor a disporá a render-lhe todo o respeito próprio; e os homens não carecem de nenhum outro incentivo para mostrar, uns aos outros, todo o devido respeito, senão do amor. O amor para com Deus disporá uma pessoa a honrá-lo, a cultuá-lo e a adorá-lo, e sinceramente reconhecer sua grandeza, glória e domínio. E assim o amor disporá a todos os atos de obediência a Deus; pois o servo que ama a seu senhor, e o súdito que ama a seu soberano, se disporão à sujeição e obediência próprias.

Contudo, O amor disporá os homens a todos os atos de misericórdia para com seus semelhantes, quando estiverem enfrentando alguma aflição ou calamidade, pois somos naturalmente dispostos à piedade para com os que amamos, quando são afligidos. Ele disporá os homens a fazer doação aos pobres, a carregar as cargas alheias e a chorar com os que choram, tanto quanto a alegrar-se com os que se alegram.


Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.
 
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Misericórdia e Caridade

20/04/2016 18:23 - Atualizado em 20/04/2016 19:23

O homem não tem nada de tão divino – tão de Cristo- como a mansidão e a paciência na prática do bem. Temos que fomentar aquelas virtudes que juntamente com a salvação nos ajudam a servir bem a Deus e ao próximo. A grande virtude é o amor e a caridade.

Os vários chamados que o Senhor nos dirige é para que vivamos a todo o momento a caridade. Assim, devem estimular a segui-lo de perto com atos concretos, procurando oportunidades de ser úteis, de proporcionar alegrias aos que estão ao nosso lado, sabendo que nunca progrediremos suficientemente nessa virtude. Ao mesmo tempo, consideremos, hoje em nossa vida e em nossa oração todos esses aspectos em que seria fácil faltarmos à caridade se não estivéssemos vigilantes.

A caridade leva-nos a compreender, a desculpar, a conviver com todos, de maneira que aqueles que pensam ou atuam de um modo diferente do nosso em matéria social, política ou mesmo religioso, devem ser objeto também do nosso respeito e do nosso apreço. Esta caridade e esta benignidade não se devem converter de forma alguma em indiferença no tocante à verdade e ao bem; mais ainda, a verdade que salva. Mas é necessário distinguir entre o erro, que sempre deve ser evitado, e o homem que erra, pois este conserva a dignidade da pessoa mesmo quando está dominado por ideias falsas insuficientes em matéria religiosa.

Um discípulo de Cristo jamais deverá tratar o outro mal, o erro se chama erro, mas, a quem está errado, deve corrigi-lo com afeto; senão, não poderá ajudá-lo, não poderá santificá-lo, e essa é a maior prova de caridade.

O preceito da caridade não se estende somente àqueles que nos querem e nos tratam bem, mas todos sem exceção. Ouvistes como diz a palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Fazei o bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Devemos também viver a caridade com aqueles que nos tratam mal, que nos difamam e roubam a honra, que procuram positivamente prejudicar-nos. O Senhor deu-nos exemplo disso na Cruz, e os seus discípulos seguiram o mesmo caminho do mestre. Ele nos ensinou a não ter inimigos pessoais como o testemunharam heroicamente os santos de todas as épocas e a considerar o pecado como o único mal verdadeiro.

A caridade incita-nos à oração, a exemplaridade, ao apostolado, à correção fraterna, confiando em que todo o homem é capaz de retificar os seus erros. Se vez por outra as ofensas, as injúrias, as calunias, forem particularmente dolorosas, pediremos ajuda a Nossa Senhora, que contemplamos frequentemente ao pé da Cruz, sentindo muito de perto toas as infâmias contra o seu Filho; grande parte daquelas injúrias, não o esqueçamos, saíram dos nossos lábios e das nossas ações. Os agravos que nos fazem hão de doer-nos sobretudo pela ofensa a Deus que representam e pelo mal que podem ocasionar a outras pessoas, e hão de mover-nos a desagravar a Deus e a oferecer-lhe toda a reparação que pudermos.

O coração do Cristão tem de ser grande. A sua caridade, evidentemente, deve ser ordenada e, portanto, deve começar pelos mais próximos, pelas pessoas que, por vontade divina, estão à sua volta. No entanto, o seu afeto nunca pode ser excludente ou limitar-se a âmbitos reduzidos. O Senhor não quer um apostolado de horizontes estreitos. A atitude do Cristão, a sua convivência com todos, deve ser como uma generosa torrente de carinho sobrenatural e de cordialidade humana, que banha tudo à sua passagem.

O amor disporá o coração a todos os atos próprios de respeito, seja para com Deus, seja para com o homem. Isto é evidente, visto que um genuíno respeito, seja para com Deus, ou seja para com o homem, consiste em amor. Se uma pessoa ama a Deus sinceramente, este amor a disporá a render-lhe todo o respeito próprio; e os homens não carecem de nenhum outro incentivo para mostrar, uns aos outros, todo o devido respeito, senão do amor. O amor para com Deus disporá uma pessoa a honrá-lo, a cultuá-lo e a adorá-lo, e sinceramente reconhecer sua grandeza, glória e domínio. E assim o amor disporá a todos os atos de obediência a Deus; pois o servo que ama a seu senhor, e o súdito que ama a seu soberano, se disporão à sujeição e obediência próprias.

Contudo, O amor disporá os homens a todos os atos de misericórdia para com seus semelhantes, quando estiverem enfrentando alguma aflição ou calamidade, pois somos naturalmente dispostos à piedade para com os que amamos, quando são afligidos. Ele disporá os homens a fazer doação aos pobres, a carregar as cargas alheias e a chorar com os que choram, tanto quanto a alegrar-se com os que se alegram.


Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.
 
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro