Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/10/2018

15 de Outubro de 2018

Minhas ovelhas escutam minha voz

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15 de Outubro de 2018

Minhas ovelhas escutam minha voz

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19/04/2016 15:04 - Atualizado em 19/04/2016 15:05

Minhas ovelhas escutam minha voz 0

19/04/2016 15:04 - Atualizado em 19/04/2016 15:05

Minhas ovelhas escutam minha voz

Estamos celebrando o quarto domingo do Tempo Pascal, este tempo de alegria e júbilo no qual a Igreja nos convida a viver os cinquenta dias que vão da Grande Vigília até Pentecostes como se fossem um único dia, um “grande domingo”, para utilizar a expressão de Santo Atanásio, onde devemos manter acesa em nossos corações a chama da alegria pascal, assim como brilha em nossas igrejas a chama do círio, aceso na noite santa.

Este domingo é chamado de “Domingo do Bom Pastor”. Já a oração coleta nos introduz nessa temática, quando cada ano faz com que o sacerdote diga em favor de toda a assembleia: “Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor.” Depois, cada ano, ouvimos um trecho de Jo 10, onde o próprio Senhor Jesus se apresenta como o “bom pastor”. No ano A Jo 10,1-10; no ano B Jo 10,11-18 e, no ano C, Jo 10,27-30.

Na primeira parte de Jo 10 encontramos o binômio pastor/mercenário. Jesus se apresenta como o “bom pastor” e afirma que antes dele vieram “ladrões e assaltantes” (vv. 8.10) e que estes eram “mercenários” (v. 12), não eram pastores e, por isso, não se preocupavam com as ovelhas. Ele, ao contrário, sendo o “bom pastor”, dá a sua vida pelas ovelhas (vv. 10.11).

No trecho que a liturgia nos apresenta hoje encontramos não um binômio, mas dois grupos opostos: os judeus incrédulos e as ovelhas. Nos vv. 22-26 vemos Jesus discutindo com os judeus que querem que ele “fale abertamente” se é ou não o Messias. Jesus deflagra a incredulidade deles, dizendo que não crêem nas suas obras porque não são suas ovelhas (v. 26). As “suas ovelhas”, no entanto, “ouvem a sua voz” (v. 27).
Nos vv. 27 e 28 encontramos o desenvolvimento dessa relação de Jesus com suas ovelhas. Das ovelhas, como já foi dito acima, diz Jesus que elas “ouvem” a sua voz e o “seguem”; de si mesmo Jesus afirma que Ele “dá a vida eterna às suas ovelhas”, por isso elas “jamais perecerão” e “ninguém as arrebatará das suas mãos”.

“Ouvir e seguir”, eis o que cabe às ovelhas “fazer”. “A vida eterna” e a “constante proteção do Cristo”, eis o que cabe às ovelhas “receber”. No meio do v. 27 e no início do v. 28 Jesus se compromete com as ovelhas afirmando “e eu”: “eu as conheço” (v. 27); “eu lhes dou a vida eterna” (v. 28). Ele mesmo é a garantia de que as ovelhas estarão seguras, desde que ouçam e sigam a sua voz.

No final do v. 28 Jesus afirma que ninguém pode tirar dele as ovelhas e, no v. 29, Jesus amplia essa ideia, mostrando que ninguém pode roubar dele as ovelhas, porque as recebeu “do Pai” - do Pai, que aliás, lhe deu “tudo” - e ninguém pode arrebatar nada das mãos do Pai, pois afinal o Pai é maior que todos.

O trecho do evangelho termina com a grande afirmação do v. 30: Eu e o Pai somos um. Aqui a unidade entre Jesus e o Pai já expressa em 5,17.19.30; 6,38; 8,16.18.26.28 chega a seu clímax. Não é mais simplesmente uma união de vontades, ou a obediência do Filho com relação ao Pai. Essa união de vontades e essa obediência tornou-se, agora, unidade. Eu e o Pai “somos um”. Deste ponto podemos olhar para alguns capítulos à frente, e ver que Jesus, na oração sacerdotal, suplicará ao Pai que esta unidade chegue aos discípulos, a fim de que estes também estejam unidos a Ele e “sejam um”, como o Pai e o Filho “são um” (Jo 17,10-11).

Diante dessa passagem do evangelho devemos nos questionar, nós que somos ovelhas de Cristo, se estamos sendo, verdadeiramente, ovelhas, ou seja, se estamos “ouvindo” e “seguindo” o Bom pastor. Queremos ser guardados por Ele e receber a vida eterna, mas muitas vezes vivemos sem ouvi-lo e, se não o ouvimos, como poderemos saber se o estamos seguindo? Para saber se o estamos ouvindo devemos nos perguntar seriamente quanto tempo damos para a oração pessoal com a Palavra de Deus e, mais ainda, se esta oração pessoal está nos levando gradualmente a descobrir o que Ele, o Bom Pastor, quer de nós. As dúvidas surgidas desse contato pessoal com a Palavra devem ser partilhadas com alguém que possa nos orientar na vida cristã, um sacerdote, um religioso ou religiosa, ou até mesmo um irmão de caminhada mais experiente que nós, que possa nos ajudar a discernir e descobrir o que quer de nós o nosso Bom Pastor. Se assim procedermos poderemos ter a certeza de nos encontrarmos, um dia, no meio dessa “multidão imensa” que João viu e nos testemunha no Apocalipse. Como diz a segunda leitura, depois da grande tribulação, poderemos partir para a cidade que tem no centro o Cordeiro, aquele que é o “pastor” e que nos conduzirá às “fontes da água da vida”.

A primeira leitura, um trecho dos Atos dos Apóstolos, que nos acompanha nesse tempo pascal, nos apresenta como a Igreja foi se expandido, pouco a pouco, a partir de Jerusalém. O trecho deste domingo nos apresenta Paulo e Barnabé, em uma das viagens missionárias do Apóstolo.
O apóstolo vai primeiro na sinagoga, pois afinal, como ele mesmo vai dizer mais adiante, era necessário anunciar o mistério de Cristo primeiro a estes, a quem a Palavra de Deus se dirigiu em primeiro lugar. No entanto, como Paulo vai encontrar rejeição da parte dos judeus, ele se voltará aos pagãos, pois o importante é que a Palavra do Senhor não cesse de ser proclamada. É belo ver como os pagãos, diante dessa notícia dada pelo apóstolo, “ficaram muito contentes” e “glorificavam a palavra do Senhor”.

Aqui aparecem dois importantes verbos gregos. Para falar da alegria, Lucas, o autor de Atos dos Apóstolos, se utiliza do verbo Kairo, o mesmo que encontramos na boca do anjo Gabriel quando este saúda a Virgem em Lc 1,28. Para falar que os pagãos “glorificavam” a Palavra do Senhor, Lucas utiliza o verbo doxadzo, o mesmo que aparece em Lc 2,20 para falar dos pastores que voltam da gruta “glorificando e louvando a Deus” por tudo o que tinham visto e ouvido.

Movidos pela alegria da Ressurreição e pela força do Espírito Santo recebido em Pentecostes, os discípulos seguem anunciando o evangelho. Enfrentam perigos e perseguições por causa de Cristo, mas jamais desistem. Estão, inclusive, alegres por isso.

A liturgia é para nós experiência do Mistério Pascal de Cristo. Em cada domingo somos reunidos na Igreja pelo Bom Pastor que nos coloca em comunhão com esse mistério. Deixemo-nos penetrar pela alegria da Ressurreição e pela força do Espírito Santo derramado em Pentecostes. Assim, poderemos também nós, sair e anunciar a Palavra do Senhor.

Aonde ele nos enviará? Isso não sabemos... Contudo, sabemos que Ele, como Bom Pastor, jamais nos deixará sozinhos e, enquanto ouvirmos e seguirmos a sua voz, estaremos seguros e protegidos, pois ninguém nos arrebatará das suas mãos.

 

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Minhas ovelhas escutam minha voz

19/04/2016 15:04 - Atualizado em 19/04/2016 15:05

Minhas ovelhas escutam minha voz

Estamos celebrando o quarto domingo do Tempo Pascal, este tempo de alegria e júbilo no qual a Igreja nos convida a viver os cinquenta dias que vão da Grande Vigília até Pentecostes como se fossem um único dia, um “grande domingo”, para utilizar a expressão de Santo Atanásio, onde devemos manter acesa em nossos corações a chama da alegria pascal, assim como brilha em nossas igrejas a chama do círio, aceso na noite santa.

Este domingo é chamado de “Domingo do Bom Pastor”. Já a oração coleta nos introduz nessa temática, quando cada ano faz com que o sacerdote diga em favor de toda a assembleia: “Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor.” Depois, cada ano, ouvimos um trecho de Jo 10, onde o próprio Senhor Jesus se apresenta como o “bom pastor”. No ano A Jo 10,1-10; no ano B Jo 10,11-18 e, no ano C, Jo 10,27-30.

Na primeira parte de Jo 10 encontramos o binômio pastor/mercenário. Jesus se apresenta como o “bom pastor” e afirma que antes dele vieram “ladrões e assaltantes” (vv. 8.10) e que estes eram “mercenários” (v. 12), não eram pastores e, por isso, não se preocupavam com as ovelhas. Ele, ao contrário, sendo o “bom pastor”, dá a sua vida pelas ovelhas (vv. 10.11).

No trecho que a liturgia nos apresenta hoje encontramos não um binômio, mas dois grupos opostos: os judeus incrédulos e as ovelhas. Nos vv. 22-26 vemos Jesus discutindo com os judeus que querem que ele “fale abertamente” se é ou não o Messias. Jesus deflagra a incredulidade deles, dizendo que não crêem nas suas obras porque não são suas ovelhas (v. 26). As “suas ovelhas”, no entanto, “ouvem a sua voz” (v. 27).
Nos vv. 27 e 28 encontramos o desenvolvimento dessa relação de Jesus com suas ovelhas. Das ovelhas, como já foi dito acima, diz Jesus que elas “ouvem” a sua voz e o “seguem”; de si mesmo Jesus afirma que Ele “dá a vida eterna às suas ovelhas”, por isso elas “jamais perecerão” e “ninguém as arrebatará das suas mãos”.

“Ouvir e seguir”, eis o que cabe às ovelhas “fazer”. “A vida eterna” e a “constante proteção do Cristo”, eis o que cabe às ovelhas “receber”. No meio do v. 27 e no início do v. 28 Jesus se compromete com as ovelhas afirmando “e eu”: “eu as conheço” (v. 27); “eu lhes dou a vida eterna” (v. 28). Ele mesmo é a garantia de que as ovelhas estarão seguras, desde que ouçam e sigam a sua voz.

No final do v. 28 Jesus afirma que ninguém pode tirar dele as ovelhas e, no v. 29, Jesus amplia essa ideia, mostrando que ninguém pode roubar dele as ovelhas, porque as recebeu “do Pai” - do Pai, que aliás, lhe deu “tudo” - e ninguém pode arrebatar nada das mãos do Pai, pois afinal o Pai é maior que todos.

O trecho do evangelho termina com a grande afirmação do v. 30: Eu e o Pai somos um. Aqui a unidade entre Jesus e o Pai já expressa em 5,17.19.30; 6,38; 8,16.18.26.28 chega a seu clímax. Não é mais simplesmente uma união de vontades, ou a obediência do Filho com relação ao Pai. Essa união de vontades e essa obediência tornou-se, agora, unidade. Eu e o Pai “somos um”. Deste ponto podemos olhar para alguns capítulos à frente, e ver que Jesus, na oração sacerdotal, suplicará ao Pai que esta unidade chegue aos discípulos, a fim de que estes também estejam unidos a Ele e “sejam um”, como o Pai e o Filho “são um” (Jo 17,10-11).

Diante dessa passagem do evangelho devemos nos questionar, nós que somos ovelhas de Cristo, se estamos sendo, verdadeiramente, ovelhas, ou seja, se estamos “ouvindo” e “seguindo” o Bom pastor. Queremos ser guardados por Ele e receber a vida eterna, mas muitas vezes vivemos sem ouvi-lo e, se não o ouvimos, como poderemos saber se o estamos seguindo? Para saber se o estamos ouvindo devemos nos perguntar seriamente quanto tempo damos para a oração pessoal com a Palavra de Deus e, mais ainda, se esta oração pessoal está nos levando gradualmente a descobrir o que Ele, o Bom Pastor, quer de nós. As dúvidas surgidas desse contato pessoal com a Palavra devem ser partilhadas com alguém que possa nos orientar na vida cristã, um sacerdote, um religioso ou religiosa, ou até mesmo um irmão de caminhada mais experiente que nós, que possa nos ajudar a discernir e descobrir o que quer de nós o nosso Bom Pastor. Se assim procedermos poderemos ter a certeza de nos encontrarmos, um dia, no meio dessa “multidão imensa” que João viu e nos testemunha no Apocalipse. Como diz a segunda leitura, depois da grande tribulação, poderemos partir para a cidade que tem no centro o Cordeiro, aquele que é o “pastor” e que nos conduzirá às “fontes da água da vida”.

A primeira leitura, um trecho dos Atos dos Apóstolos, que nos acompanha nesse tempo pascal, nos apresenta como a Igreja foi se expandido, pouco a pouco, a partir de Jerusalém. O trecho deste domingo nos apresenta Paulo e Barnabé, em uma das viagens missionárias do Apóstolo.
O apóstolo vai primeiro na sinagoga, pois afinal, como ele mesmo vai dizer mais adiante, era necessário anunciar o mistério de Cristo primeiro a estes, a quem a Palavra de Deus se dirigiu em primeiro lugar. No entanto, como Paulo vai encontrar rejeição da parte dos judeus, ele se voltará aos pagãos, pois o importante é que a Palavra do Senhor não cesse de ser proclamada. É belo ver como os pagãos, diante dessa notícia dada pelo apóstolo, “ficaram muito contentes” e “glorificavam a palavra do Senhor”.

Aqui aparecem dois importantes verbos gregos. Para falar da alegria, Lucas, o autor de Atos dos Apóstolos, se utiliza do verbo Kairo, o mesmo que encontramos na boca do anjo Gabriel quando este saúda a Virgem em Lc 1,28. Para falar que os pagãos “glorificavam” a Palavra do Senhor, Lucas utiliza o verbo doxadzo, o mesmo que aparece em Lc 2,20 para falar dos pastores que voltam da gruta “glorificando e louvando a Deus” por tudo o que tinham visto e ouvido.

Movidos pela alegria da Ressurreição e pela força do Espírito Santo recebido em Pentecostes, os discípulos seguem anunciando o evangelho. Enfrentam perigos e perseguições por causa de Cristo, mas jamais desistem. Estão, inclusive, alegres por isso.

A liturgia é para nós experiência do Mistério Pascal de Cristo. Em cada domingo somos reunidos na Igreja pelo Bom Pastor que nos coloca em comunhão com esse mistério. Deixemo-nos penetrar pela alegria da Ressurreição e pela força do Espírito Santo derramado em Pentecostes. Assim, poderemos também nós, sair e anunciar a Palavra do Senhor.

Aonde ele nos enviará? Isso não sabemos... Contudo, sabemos que Ele, como Bom Pastor, jamais nos deixará sozinhos e, enquanto ouvirmos e seguirmos a sua voz, estaremos seguros e protegidos, pois ninguém nos arrebatará das suas mãos.