Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

"Paz a vós!"

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

16 de Outubro de 2018

"Paz a vós!"

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

01/04/2016 17:01 - Atualizado em 04/04/2016 13:34

"Paz a vós!" 0

01/04/2016 17:01 - Atualizado em 04/04/2016 13:34

“Paz a vós!”

Esse é o dom do ressuscitado aos discípulos: a paz! A cena do evangelho de João que hoje ouvimos nos transporta para aquela feliz tarde do dia ressurreição. Naquele “grande domingo” o Senhor apareceu aos seus discípulos. Estes estavam a portas fechadas, por medo dos judeus.

O Ressuscitado se põe no meio deles e lhes anuncia: Paz a vós! A paz do Ressuscitado não é simplesmente uma saudação, menos ainda um simples desejo. Trata-se do dom efetivo da paz. Com a sua ressurreição chegou para nós a paz. Aqui nós nos recordamos o que o Cristo havia dito em seu discurso de despedida: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; não vo-la dou como faz o mundo” (Jo 14,27). Lembramo-nos também de São Paulo: “O Senhor da paz vos conceda a paz, em todo tempo e lugar” (2Ts 3,16); e ainda em outra passagem: “Ele é a nossa paz: de ambos os povos fez um só, tendo derrubado o muro de separação e suprimido em sua carne a inimizade – a Lei dos mandamentos expressa em preceitos –, a fim de criar em si mesmo um só Homem Novo, estabelecendo a paz, e de reconciliar a ambos com Deus em um só Corpo, por meio da cruz, na qual ele matou a inimizade” (Ef 2,14-16).

A paz que o ressuscitado oferece aos seus não é uma simples ausência de tribulações nesta vida. Não se trata de um mero estado de calma, nem de uma impossível ausência de preocupações. Qual é, então, a paz que o ressuscitado nos oferece? Deveríamos perguntar não “qual” mas “quem”. São Paulo nos afirma que “Ele é a nossa paz”. Cristo nos dá a paz que é Ele mesmo. A paz que o ressuscitado nos oferece é a certeza da sua presença; é a confiança de quem o olha e contempla n’Ele aquilo o que se dará também em nós. Nele nós fomos reconciliados com o Pai. Nele fomos ressuscitados e n’Ele nos assentamos já nos céus.

Portanto, quem contempla esse mistério inaugurado na Sua Ressurreição pode experimentar sua paz como um dom efetivo. No meio das tribulações, mesmo quando as portas do nosso coração se fecham, como estavam fechadas as portas do lugar onde os discípulos estavam reunidos, aí se apresenta o Ressuscitado que nos dá a paz. Ou melhor, Ele a cada dia nos relembra que a paz já está aí, porque Ele está conosco todos os dias até o fim do mundo, como prometeu aos discípulos na Ascensão.

Muitos são os motivos pelos quais as nossas portas se fecham. Às vezes as nossas portas se fecham por medo, como aconteceu com os apóstolos. Outras vezes as nossas portas se fecham por causa das frustrações várias que carregamos. Nos  encarceramos com medo da morte; nos encarceramos na tristeza de não colhermos os frutos que esperávamos; tornamo-nos prisioneiros do imenso pavor que nos domina ao pensarmos que estamos dando todo o nosso amor e que este está sendo pisado por aqueles que deveriam recebê-lo como um maravilhoso dom. É no meio dessa situação que o Ressuscitado vem ao nosso encontro e nos comunica a paz. Nós o contemplamos e experimentamos a sua paz.

O Ressuscitado vem ao nosso encontro hoje. Ele está aqui em nosso meio. Aliás, Ele nos reuniu aqui, para que como os apóstolos na tarde da ressurreição, possamos nós, também, contemplá-lo, Ressuscitado, a nos anunciar o dom tremendo da paz. É ele mesmo que nos fala hoje nas Divinas Escrituras, que são para nós, nessa assembléia cúltica, Palavra de Deus viva e eficaz.

Somos tão ou mais felizes que aqueles cristãos da primeira hora dos quais nos fala a primeira leitura. Eles contemplaram muitos milagres extraordinários. Mas, também em nossos dias os milagres do Senhor se multiplicam. Os sacramentos são seus maiores milagres e eles nos tocam a cada dia. Eles são “forças que saem do Corpo de Cristo sempre vivo e vivificante” e nos curam a todos. Hoje, contemplamos o Vivente, e somos tão ou mais felizes que o grande João que na segunda leitura nos descreve a sua visão. Ele, no Dia do Senhor, foi arrebatado em Espírito e contemplou coisas maravilhosas. Ele estava preso. Havia recebido a paz do Ressuscitado, mas estava em cadeias. Que paradoxo! Ele experimenta a violência porque testemunha a paz! Mas a paz que o Messias deu a João não podia ser tirada pela violência, nem por cadeias. Mesmo preso, o Espírito o arrebata, porque os filhos são livres, e Ele pode contemplar o Cristo Ressuscitado na sua visão: o Vivente, aquele que caminha entre os sete candelabros de ouro. Ele também caminha no meio de nós meus irmãos, nesta cópia da Jerusalém celeste. Ele nos diz também: não tenhais medo! Estive morto, mas eis que vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. Não tenhamos medo irmãos: Ele tem as chaves da morte. A morte não terminará conosco. Ela não tem a última palavra. Ela parece reinar. O mal parece dominar. A iniqüidade parece prevalecer. Mas Deus tem o domínio sobre tudo. Não desanimemos de fazer o bem!

Grandes mistérios são inaugurados nesta tarde da Ressurreição. Assim como o Espírito pairava sobre as águas no princípio da criação e assim como Deus insuflou nas narinas do homem plasmado da terra um hálito de vida, o Cristo agora sopra sobre os discípulos o Espírito Santo para eles possam, em seu nome, perdoar os pecados. A obra da reconciliação se torna visível para nós neste sacramento. Cada vez que nos reconciliamos com Deus por este sinal visível de sua graça é como se começássemos de novo. É com se um novo Bereshit (No princípio) fosse pronunciado sobre a nossa vida e nos fosse dada a oportunidade de, reerguendo-nos, começarmos outra vez.

Tomé acreditou porque viu. Bem-aventurados somos nós que acreditamos sem tê-lo visto. Bendita incredulidade de Tomé, que nos valeu o título de bem-aventurados. Digo que não o vimos, mas não o vimos corporalmente. Todavia, ele está sempre visível nos sinais sacramentais. O que nos falta é pedir ao Espírito para que como aconteceu com São Paulo assim também aconteça conosco e caiam as escamas dos nossos olhos que nos impedem de ver o Ressuscitado que está em nosso meio. Peçamos ainda ao Espírito que rompa a nossa surdez, que aconteça conosco um grande “Éfeta” a fim de que os nossos ouvidos se abram para ouvi-lo, porque Ele ainda hoje nos anuncia o Evangelho quando as Divinas Escrituras são lidas na Igreja.

Essa Palavra foi escrita e hoje é proclamada, para que ouvindo-a creiamos e crendo tenhamos a vida. Somente quem crê tem a vida. Quem crê é capaz de contemplar o invisível e isso enche o nosso coração de esperança. Peçamos com incessante clamor e até mesmo com lágrimas ao Espírito de Deus o dom da fé.

Que os nossos corações se abram, para que possamos ouvir a Palavra e crer e assim sairmos do sono da morte, para caminharmos lado a lado com o Ressuscitado. Saiamos daqui a anunciar à semelhança dos apóstolos: Vimos o Senhor! Não estaremos mentindo nem ficando loucos, porque de fato o vimos. Ele está no meio de nós. Ainda que não sintamos a sua presença Ele está aqui. Ainda que estejamos preocupados, atribulados e desanimados, Ele está comunicando-nos a sua paz. Ele é bom, sim o Senhor é bom. Demos graças a Ele para sempre. Bendito seja o seu nome, Aleluia!

 

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

"Paz a vós!"

01/04/2016 17:01 - Atualizado em 04/04/2016 13:34

“Paz a vós!”

Esse é o dom do ressuscitado aos discípulos: a paz! A cena do evangelho de João que hoje ouvimos nos transporta para aquela feliz tarde do dia ressurreição. Naquele “grande domingo” o Senhor apareceu aos seus discípulos. Estes estavam a portas fechadas, por medo dos judeus.

O Ressuscitado se põe no meio deles e lhes anuncia: Paz a vós! A paz do Ressuscitado não é simplesmente uma saudação, menos ainda um simples desejo. Trata-se do dom efetivo da paz. Com a sua ressurreição chegou para nós a paz. Aqui nós nos recordamos o que o Cristo havia dito em seu discurso de despedida: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; não vo-la dou como faz o mundo” (Jo 14,27). Lembramo-nos também de São Paulo: “O Senhor da paz vos conceda a paz, em todo tempo e lugar” (2Ts 3,16); e ainda em outra passagem: “Ele é a nossa paz: de ambos os povos fez um só, tendo derrubado o muro de separação e suprimido em sua carne a inimizade – a Lei dos mandamentos expressa em preceitos –, a fim de criar em si mesmo um só Homem Novo, estabelecendo a paz, e de reconciliar a ambos com Deus em um só Corpo, por meio da cruz, na qual ele matou a inimizade” (Ef 2,14-16).

A paz que o ressuscitado oferece aos seus não é uma simples ausência de tribulações nesta vida. Não se trata de um mero estado de calma, nem de uma impossível ausência de preocupações. Qual é, então, a paz que o ressuscitado nos oferece? Deveríamos perguntar não “qual” mas “quem”. São Paulo nos afirma que “Ele é a nossa paz”. Cristo nos dá a paz que é Ele mesmo. A paz que o ressuscitado nos oferece é a certeza da sua presença; é a confiança de quem o olha e contempla n’Ele aquilo o que se dará também em nós. Nele nós fomos reconciliados com o Pai. Nele fomos ressuscitados e n’Ele nos assentamos já nos céus.

Portanto, quem contempla esse mistério inaugurado na Sua Ressurreição pode experimentar sua paz como um dom efetivo. No meio das tribulações, mesmo quando as portas do nosso coração se fecham, como estavam fechadas as portas do lugar onde os discípulos estavam reunidos, aí se apresenta o Ressuscitado que nos dá a paz. Ou melhor, Ele a cada dia nos relembra que a paz já está aí, porque Ele está conosco todos os dias até o fim do mundo, como prometeu aos discípulos na Ascensão.

Muitos são os motivos pelos quais as nossas portas se fecham. Às vezes as nossas portas se fecham por medo, como aconteceu com os apóstolos. Outras vezes as nossas portas se fecham por causa das frustrações várias que carregamos. Nos  encarceramos com medo da morte; nos encarceramos na tristeza de não colhermos os frutos que esperávamos; tornamo-nos prisioneiros do imenso pavor que nos domina ao pensarmos que estamos dando todo o nosso amor e que este está sendo pisado por aqueles que deveriam recebê-lo como um maravilhoso dom. É no meio dessa situação que o Ressuscitado vem ao nosso encontro e nos comunica a paz. Nós o contemplamos e experimentamos a sua paz.

O Ressuscitado vem ao nosso encontro hoje. Ele está aqui em nosso meio. Aliás, Ele nos reuniu aqui, para que como os apóstolos na tarde da ressurreição, possamos nós, também, contemplá-lo, Ressuscitado, a nos anunciar o dom tremendo da paz. É ele mesmo que nos fala hoje nas Divinas Escrituras, que são para nós, nessa assembléia cúltica, Palavra de Deus viva e eficaz.

Somos tão ou mais felizes que aqueles cristãos da primeira hora dos quais nos fala a primeira leitura. Eles contemplaram muitos milagres extraordinários. Mas, também em nossos dias os milagres do Senhor se multiplicam. Os sacramentos são seus maiores milagres e eles nos tocam a cada dia. Eles são “forças que saem do Corpo de Cristo sempre vivo e vivificante” e nos curam a todos. Hoje, contemplamos o Vivente, e somos tão ou mais felizes que o grande João que na segunda leitura nos descreve a sua visão. Ele, no Dia do Senhor, foi arrebatado em Espírito e contemplou coisas maravilhosas. Ele estava preso. Havia recebido a paz do Ressuscitado, mas estava em cadeias. Que paradoxo! Ele experimenta a violência porque testemunha a paz! Mas a paz que o Messias deu a João não podia ser tirada pela violência, nem por cadeias. Mesmo preso, o Espírito o arrebata, porque os filhos são livres, e Ele pode contemplar o Cristo Ressuscitado na sua visão: o Vivente, aquele que caminha entre os sete candelabros de ouro. Ele também caminha no meio de nós meus irmãos, nesta cópia da Jerusalém celeste. Ele nos diz também: não tenhais medo! Estive morto, mas eis que vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. Não tenhamos medo irmãos: Ele tem as chaves da morte. A morte não terminará conosco. Ela não tem a última palavra. Ela parece reinar. O mal parece dominar. A iniqüidade parece prevalecer. Mas Deus tem o domínio sobre tudo. Não desanimemos de fazer o bem!

Grandes mistérios são inaugurados nesta tarde da Ressurreição. Assim como o Espírito pairava sobre as águas no princípio da criação e assim como Deus insuflou nas narinas do homem plasmado da terra um hálito de vida, o Cristo agora sopra sobre os discípulos o Espírito Santo para eles possam, em seu nome, perdoar os pecados. A obra da reconciliação se torna visível para nós neste sacramento. Cada vez que nos reconciliamos com Deus por este sinal visível de sua graça é como se começássemos de novo. É com se um novo Bereshit (No princípio) fosse pronunciado sobre a nossa vida e nos fosse dada a oportunidade de, reerguendo-nos, começarmos outra vez.

Tomé acreditou porque viu. Bem-aventurados somos nós que acreditamos sem tê-lo visto. Bendita incredulidade de Tomé, que nos valeu o título de bem-aventurados. Digo que não o vimos, mas não o vimos corporalmente. Todavia, ele está sempre visível nos sinais sacramentais. O que nos falta é pedir ao Espírito para que como aconteceu com São Paulo assim também aconteça conosco e caiam as escamas dos nossos olhos que nos impedem de ver o Ressuscitado que está em nosso meio. Peçamos ainda ao Espírito que rompa a nossa surdez, que aconteça conosco um grande “Éfeta” a fim de que os nossos ouvidos se abram para ouvi-lo, porque Ele ainda hoje nos anuncia o Evangelho quando as Divinas Escrituras são lidas na Igreja.

Essa Palavra foi escrita e hoje é proclamada, para que ouvindo-a creiamos e crendo tenhamos a vida. Somente quem crê tem a vida. Quem crê é capaz de contemplar o invisível e isso enche o nosso coração de esperança. Peçamos com incessante clamor e até mesmo com lágrimas ao Espírito de Deus o dom da fé.

Que os nossos corações se abram, para que possamos ouvir a Palavra e crer e assim sairmos do sono da morte, para caminharmos lado a lado com o Ressuscitado. Saiamos daqui a anunciar à semelhança dos apóstolos: Vimos o Senhor! Não estaremos mentindo nem ficando loucos, porque de fato o vimos. Ele está no meio de nós. Ainda que não sintamos a sua presença Ele está aqui. Ainda que estejamos preocupados, atribulados e desanimados, Ele está comunicando-nos a sua paz. Ele é bom, sim o Senhor é bom. Demos graças a Ele para sempre. Bendito seja o seu nome, Aleluia!

 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida