Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/05/2019

23 de Maio de 2019

Jesus Misericordioso

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Jesus Misericordioso

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02/04/2016 00:00

Jesus Misericordioso 0

02/04/2016 00:00

O Segundo Domingo da Páscoa, antigamente era conhecido como “Domingo in Albis”, isto é, “Domingo Branco”, devido ao costume da vinda dos neo-batizados com suas vestes brancas recebidas na Vigília Pascal. Depois tivemos as orientações para que se aproveitasse desse clima pascal para que as crianças da catequese recebessem sua primeira comunhão (OS, 103). Por isso, além do clima batismal, muitas pessoas recordam o dia da sua Primeira Comunhão, ou da sua Comunhão Solene. É uma bela maneira de ligar o Batismo e a Eucaristia à Páscoa, completando, desta forma, a alegria pela ressurreição de Jesus. 

Porém, nos tempos atuais, este Segundo Domingo da Páscoa, tão cheio de significados e simbolismos, recebeu uma outra designação: por disposição de São João Paulo II, a Igreja celebra a Divina Misericórdia, convidando-nos a nos aproximarmos de Deus sem medo de sermos menosprezados ou rejeitados. Por sinal, o Papa São João Paulo II voltou ao Pai na véspera de um Domingo da Misericórdia. Além de seus documentos e testemunho, ele deixou-nos esse legado, que agora com o Papa Francisco, com o Ano da Misericórdia, nos faz ver a importância deste Kairós.

A motivação para colocar o segundo domingo da Páscoa como o Domingo da Divina Misericórdia encontra amparo na consciência de que “foi na ressurreição que o Filho de Deus experimentou, de modo radical, a misericórdia do Pai, que é mais forte do que a morte”. (São João Paulo II, Carta Encíclica Dives in Misericordia). Depois de ter passado pela dor do abandono e pela morte na cruz, “Cristo revelou o Deus do amor misericordioso, precisamente porque aceitou a Cruz como caminho para a ressurreição”. A experiência que o próprio Cristo fez da misericórdia do Pai, levou-O a nos ensinar que Deus é Pai de Misericórdia, que vai ao encontro do filho que o havia abandonado cobrindo-o de beijos, conforme nos ensina a parábola do Pai de Misericórdia, também conhecida como parábola do Filho Pródigo (Lc 15,11-32).

É neste domingo que a liturgia da Igreja faz memória da Confissão ou Sacramento da Penitência, que Jesus instituiu no mesmo dia de sua Ressurreição: aparecendo aos Apóstolos reunidos no Cenáculo – no domingo da Ressurreição – Jesus disse: “Recebei o Espírito Santo, aqueles a quem perdoardes os pecados, os pecados lhes serão perdoados; aqueles a quem não perdoardes os pecados, os pecados não serão perdoados” (Jo 20,22). O texto litúrgico colabora ainda mais para falar de misericórdia.

No Plano da Salvação, o Pai enviou o Filho para o perdão dos pecados; e o Filho enviou a Igreja. Ele quis que o perdão dos pecados fosse dado não de maneira vaga e abstrata, mas de maneira concreta, pelos ministros da Igreja, os sacerdotes do Senhor. Por isso, o sacerdote ao perdoar nossos pecados diz: “Pelo ministério da Igreja… eu te absolvo de todos os teus pecados”. Que consolo! Que alegria saber que o Sangue precioso do Senhor derramado na Paixão lava a nossa alma de todos os pecados! Não há misericórdia maior; não há amor mais profundo; não há certeza mais firme de perdão.

Portanto, a festa da Divina Misericórdia é celebrada no Segundo Domingo da Páscoa e foi oficialmente instituída e estendida a toda a Igreja Católica no ano 2000, pelo Papa São João Paulo II. Esta festa tem sua origem na proclamação da Divina Misericórdia por meio do gesto eloquente de Jesus na cruz, doando a sua vida pela salvação da humanidade. Aqui em nossa Arquidiocese a Festa da Misericórdia que já acontecia há anos em nossa Catedral está sendo estendida para muitas outras Igrejas, em especial para o Santuário da Divina Misericórdia. Uma oportunidade de aprofundar o tema neste ano santo do jubileu extraordinário.

Com relação ao tem temos também a inspiração de Santa Faustina, conhecida por São João Paulo II, quando no dia 22 de fevereiro de 1931, na Polônia, ela relata: “à noite, estando no meu quarto vi o Senhor Jesus vestido com uma veste branca: uma mão levantada para abençoar, enquanto com a outra tocava sobre o peito a veste, levemente, da qual saiam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido (branco)”. Depois de um instante, Jesus me disse: “pinte uma imagem segundo o modelo que viste, e embaixo escreve: Jesus, eu confio em ti”! E Jesus continuou: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia”. “Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia”. De uma certa forma isso atualiza a revelação sobre a misericórdia e a coloca de uma modo popular dentro da espiritualidade pascal.

Dessa forma, com a liturgia, tradição da Igreja e Inspiração em revelação particular, vemos como esta festa está em profunda relação com a liturgia deste Domingo, pois se lê o Evangelho da aparição do Ressuscitado e da instituição do Sacramento da Reconciliação, como instrumento comunicador da Misericórdia e do Perdão de Deus.

A imagem de Jesus misericordioso representa o nosso Salvador Ressuscitado, que leva ao mundo a sua paz com a salvação realizada por meio da sua paixão e morte na cruz. Como lemos no relato da morte do Senhor, quando o soldado lhe transpassa o peito, do seu coração saem sangue e água. Na imagem vemos sair do peito de Jesus dois raios (símbolos da Eucaristia e do Batismo). Jesus fez grandes promessas a aqueles que venerarem a imagem de Jesus Misericordioso: a salvação eterna; progresso no caminho da perfeição cristã; a graça de uma morte feliz e outras graças se os homens pedirem com confiança.

Portanto, esta festa não é somente um dia particular de adoração a Deus no mistério da sua misericórdia, mas é um tempo de graça para todo homem. Dizia Jesus a Santa Faustina: “desejo que a Festa da Misericórdia seja de reparo e refúgio para as almas, especialmente a dos pobres pecadores”. Neste Ano da Misericórdia, e também quando a JMJ será realizada em Cracóvia, na Polônia, terra de Santa Faustina e São João Paulo II, vemos a importância de viver este Domingo como um grande dom para toda a Igreja, para acolher e anunciar a misericórdia de Deus nesses tempos tão complexos da humanidade.

Jesus misericordioso, nós nos refugiamos em vós, fazei-nos homens e mulheres pascais construtores da civilização do amor.

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Jesus Misericordioso

02/04/2016 00:00

O Segundo Domingo da Páscoa, antigamente era conhecido como “Domingo in Albis”, isto é, “Domingo Branco”, devido ao costume da vinda dos neo-batizados com suas vestes brancas recebidas na Vigília Pascal. Depois tivemos as orientações para que se aproveitasse desse clima pascal para que as crianças da catequese recebessem sua primeira comunhão (OS, 103). Por isso, além do clima batismal, muitas pessoas recordam o dia da sua Primeira Comunhão, ou da sua Comunhão Solene. É uma bela maneira de ligar o Batismo e a Eucaristia à Páscoa, completando, desta forma, a alegria pela ressurreição de Jesus. 

Porém, nos tempos atuais, este Segundo Domingo da Páscoa, tão cheio de significados e simbolismos, recebeu uma outra designação: por disposição de São João Paulo II, a Igreja celebra a Divina Misericórdia, convidando-nos a nos aproximarmos de Deus sem medo de sermos menosprezados ou rejeitados. Por sinal, o Papa São João Paulo II voltou ao Pai na véspera de um Domingo da Misericórdia. Além de seus documentos e testemunho, ele deixou-nos esse legado, que agora com o Papa Francisco, com o Ano da Misericórdia, nos faz ver a importância deste Kairós.

A motivação para colocar o segundo domingo da Páscoa como o Domingo da Divina Misericórdia encontra amparo na consciência de que “foi na ressurreição que o Filho de Deus experimentou, de modo radical, a misericórdia do Pai, que é mais forte do que a morte”. (São João Paulo II, Carta Encíclica Dives in Misericordia). Depois de ter passado pela dor do abandono e pela morte na cruz, “Cristo revelou o Deus do amor misericordioso, precisamente porque aceitou a Cruz como caminho para a ressurreição”. A experiência que o próprio Cristo fez da misericórdia do Pai, levou-O a nos ensinar que Deus é Pai de Misericórdia, que vai ao encontro do filho que o havia abandonado cobrindo-o de beijos, conforme nos ensina a parábola do Pai de Misericórdia, também conhecida como parábola do Filho Pródigo (Lc 15,11-32).

É neste domingo que a liturgia da Igreja faz memória da Confissão ou Sacramento da Penitência, que Jesus instituiu no mesmo dia de sua Ressurreição: aparecendo aos Apóstolos reunidos no Cenáculo – no domingo da Ressurreição – Jesus disse: “Recebei o Espírito Santo, aqueles a quem perdoardes os pecados, os pecados lhes serão perdoados; aqueles a quem não perdoardes os pecados, os pecados não serão perdoados” (Jo 20,22). O texto litúrgico colabora ainda mais para falar de misericórdia.

No Plano da Salvação, o Pai enviou o Filho para o perdão dos pecados; e o Filho enviou a Igreja. Ele quis que o perdão dos pecados fosse dado não de maneira vaga e abstrata, mas de maneira concreta, pelos ministros da Igreja, os sacerdotes do Senhor. Por isso, o sacerdote ao perdoar nossos pecados diz: “Pelo ministério da Igreja… eu te absolvo de todos os teus pecados”. Que consolo! Que alegria saber que o Sangue precioso do Senhor derramado na Paixão lava a nossa alma de todos os pecados! Não há misericórdia maior; não há amor mais profundo; não há certeza mais firme de perdão.

Portanto, a festa da Divina Misericórdia é celebrada no Segundo Domingo da Páscoa e foi oficialmente instituída e estendida a toda a Igreja Católica no ano 2000, pelo Papa São João Paulo II. Esta festa tem sua origem na proclamação da Divina Misericórdia por meio do gesto eloquente de Jesus na cruz, doando a sua vida pela salvação da humanidade. Aqui em nossa Arquidiocese a Festa da Misericórdia que já acontecia há anos em nossa Catedral está sendo estendida para muitas outras Igrejas, em especial para o Santuário da Divina Misericórdia. Uma oportunidade de aprofundar o tema neste ano santo do jubileu extraordinário.

Com relação ao tem temos também a inspiração de Santa Faustina, conhecida por São João Paulo II, quando no dia 22 de fevereiro de 1931, na Polônia, ela relata: “à noite, estando no meu quarto vi o Senhor Jesus vestido com uma veste branca: uma mão levantada para abençoar, enquanto com a outra tocava sobre o peito a veste, levemente, da qual saiam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido (branco)”. Depois de um instante, Jesus me disse: “pinte uma imagem segundo o modelo que viste, e embaixo escreve: Jesus, eu confio em ti”! E Jesus continuou: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia”. “Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia”. De uma certa forma isso atualiza a revelação sobre a misericórdia e a coloca de uma modo popular dentro da espiritualidade pascal.

Dessa forma, com a liturgia, tradição da Igreja e Inspiração em revelação particular, vemos como esta festa está em profunda relação com a liturgia deste Domingo, pois se lê o Evangelho da aparição do Ressuscitado e da instituição do Sacramento da Reconciliação, como instrumento comunicador da Misericórdia e do Perdão de Deus.

A imagem de Jesus misericordioso representa o nosso Salvador Ressuscitado, que leva ao mundo a sua paz com a salvação realizada por meio da sua paixão e morte na cruz. Como lemos no relato da morte do Senhor, quando o soldado lhe transpassa o peito, do seu coração saem sangue e água. Na imagem vemos sair do peito de Jesus dois raios (símbolos da Eucaristia e do Batismo). Jesus fez grandes promessas a aqueles que venerarem a imagem de Jesus Misericordioso: a salvação eterna; progresso no caminho da perfeição cristã; a graça de uma morte feliz e outras graças se os homens pedirem com confiança.

Portanto, esta festa não é somente um dia particular de adoração a Deus no mistério da sua misericórdia, mas é um tempo de graça para todo homem. Dizia Jesus a Santa Faustina: “desejo que a Festa da Misericórdia seja de reparo e refúgio para as almas, especialmente a dos pobres pecadores”. Neste Ano da Misericórdia, e também quando a JMJ será realizada em Cracóvia, na Polônia, terra de Santa Faustina e São João Paulo II, vemos a importância de viver este Domingo como um grande dom para toda a Igreja, para acolher e anunciar a misericórdia de Deus nesses tempos tão complexos da humanidade.

Jesus misericordioso, nós nos refugiamos em vós, fazei-nos homens e mulheres pascais construtores da civilização do amor.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro