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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

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11/03/2016 18:37 - Atualizado em 11/03/2016 18:38

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11/03/2016 18:37 - Atualizado em 11/03/2016 18:38

“Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria.” (Sl 125)

Diante da Palavra de Deus que nós hoje ouvimos podemos jubilosos cantar esse versículo, porque ele é uma realidade na nossa vida. De fato, o Senhor fez conosco maravilhas. Nós cantamos esse hino de exultação ao Senhor, porque nos reconhecemos na figura da adúltera desse evangelho. Adúltera privilegiada, porque experimentou na sua vida a misericórdia do Senhor.

Nós poderíamos hoje nos transportar para essa cena. Jesus está ensinando no Templo. O que será que Jesus ensinava? Falava talvez da misericórdia infinita do Pai. Os fariseus e os escribas trazem até Ele uma mulher surpreendida em flagrante adultério. Não há como negar: de fato, ela é uma adúltera. Os fariseus querem experimentar Jesus. Se ele absolve a mulher, estaria se opondo à Lei. Se, por outro lado, ele a condena, estaria contradizendo a sua própria pregação e sua própria atitude de acolhimento para com os pecadores.

Diante da pergunta dos escribas e dos fariseus Jesus realiza um gesto obscuro: Ele escreve na terra com o dedo. Muito se cogita a respeito desse estranho gesto de Cristo. Esse gesto de Jesus me faz pensar no Salmo 103 (102), 13-14: “Como um pai é compassivo para com seus filhos, o Senhor é compassivo com aqueles que o temem; porque ele conhece nossa estrutura, ele se lembra do pó que nós somos.”

Ao olhar o Cristo que escreve no solo com o dedo, eu me recordo desse versículo que nos aponta para o ato criador de Deus. Deus, ao olhar as nossas faltas, não nos trata como deveríamos ser tratados, porque se recorda do pó que somos. Ele se recorda do dia em que nos modelou da argila do solo e soprou em nós um hálito de vida. O Cristo se compadece da mulher e também dos escribas e fariseus. O Cristo se compadece daquela multidão enfurecida e de todos os homens que também saciaram seus desejos com aquela mulher. Embora todos fossem responsáveis pelos seus atos, o Cristo tem sobre todos um olhar de misericórdia. O Cristo se compadece daqueles que não se reconhecem mais como irmãos, que se devoram uns aos outros, que se acusam e não se ajudam mais a crescer em direção a Deus.

Jesus não desdiz a Lei, nem tampouco desdiz a si próprio, mas coloca como critério de juízo a consciência de cada um. Somente quem se sabe sem pecado tem o direito de condenar a mulher. Todos saem, a começar pelos mais velhos. Todos podiam constatar o seu pecado, mas quem poderia condená-la? Quem poderia pronunciar sobre ela um sentença de morte, se todos também estão tocados pelo pecado?

O único que poderia condená-la, lança sobre ela um olhar de misericórdia e a convida à conversão. O Cristo como que devolve a dignidade dessa adúltera que é chamada de “mulher”. O Senhor lhe devolve a dignidade recebida no dia da criação quando o Pai os criou “homem” e “mulher”. A mulher lançada no meio do círculo, exposta ao olhar cheia de ódio dos seus acusadores, de repente se encontra sozinha com Aquele que é o próprio perdão. Imaginemos meus irmãos o olhar do Senhor, cheio de misericórdia para com essa pobre mulher. Ela havia perdido a sua dignidade e encontra a misericórdia. Ela que era olhada pelos homens como um objeto de prazer, se sente agora transpassada por um olhar que sonda o mais íntimo do seu coração e a convida a uma vida nova: Vai, e de agora em diante não peques mais! Ela o reconhece como “Senhor”, como aquele que tem poder de perdoar os seus pecados.

Essa mulher é imagem do povo de Israel. Também Israel é comparado pelos profetas a uma adúltera. Sendo esposa escolhida por Deus, Israel o abandona continuamente para ir atrás dos seus ídolos. Deus, todavia, sempre de novo recebe a esposa que volta e se alegra de novo com ela.

Nós também nos identificamos tantas vezes com essa mulher. O nosso adultério tem vários nomes. A nossa alma, esposa do Verbo, tantas vezes vai atrás de outros amantes que parecem mais sedutores. Mas o esposo da nossa alma não desiste. Ele nos encanta sempre mais. Ele nos encanta, sobretudo, com a sua misericórdia. Ele nos olha com ternura e o seu olhar nos purifica. Ao mesmo tempo em que nos purifica, também nos convida a uma vida nova e nos sacia com os finos manjares dos sacramentos.

Essa é a grande obra nova de Deus anunciada pela boca do profeta Isaías. O profeta pensa, num primeiro momento, na libertação do exílio. Todavia, a obra nova de Deus possui um alcance muito mais amplo. A grande obra nova de Deus é a Páscoa do seu Filho, onde se realiza definitivamente o nosso êxodo espiritual. Pela Páscoa de Cristo podemos sair do cativeiro e caminhar em direção à terra prometida, à Jerusalém celeste. Essa é a grande maravilha que o Senhor fez conosco. Nos reconciliou consigo pela morte do seu Filho e abriu para nós um caminho em direção à Terra Prometida.

Diante da salvação que o Senhor nos oferece conseguimos entender as palavras de Paulo na sua carta aos Filipenses: “Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor”. Paulo quer estar “unido a Cristo”, ser “achado nele”. Paulo quer a “justiça da fé”, que consiste, segundo ele, em “experimentar a força da ressurreição” de Cristo, “ficar em comunhão com os seus sofrimentos”, tornando-se “semelhante a ele na sua morte”, para ver se alcança a “ressurreição dentre os mortos”.

Isto é entrar no mistério da Páscoa: nós nos unimos a Cristo, experimentamos o poder da sua ressurreição e isso nos faz querer ficar em comunhão com seus sofrimentos, nos faz querer ser semelhantes a Ele na sua morte para alcançarmos a ressurreição. Na quaresma nós entramos no mistério da morte. O grão de trigo que cai na terra precisa morrer para germinar. Cristo morre para ressuscitar.

Nós nos perguntamos: que mistério é esse? Porque precisamos morrer? Não queremos morrer. Lutamos contra a morte. Queremos a vida e a ressurreição. De fato, queremos a vida e a ressurreição. Mas, precisamos morrer. Mas a morte que desejamos não é uma morte qualquer. Queremos ser semelhantes a Cristo na sua morte. Queremos morrer como Ele. O que significa isso? A morte de Cristo é a sua doação total. Ele se desprende de tudo, até da sua própria vida, para estar unido ao Pai num abraço de amor.

Na cruz existe um abraço invisível. Cristo não está só, porque o seu espírito está nas mãos do Pai. E o Pai o ressuscita. Para que o Pai nos ressuscite precisamos morrer. Precisamos abrir os nossos braços e nos desprendermos das nossas seguranças. Criamos para nós uma falsa vida. E nos abraçamos a essa falsa vida. Morrer significa abrir os braços como Cristo na cruz e deixar cair e se quebrar essa falsa vida, para que a verdadeira vida nasça em nós. Precisamos morrer e, no fundo do nosso coração sabemos para o quê precisamos morrer, a fim de que a verdadeira vida, o poder da ressurreição, aconteça em nós.

Já fomos sepultados com Cristo e ressuscitados com Ele sacramentalmente no batismo. Seremos um dia, contra ou não à nossa vontade, sepultados na morte e ressucitaremos. Todavia, esse mistério do batismo e esse mistério do nosso último dia, precisa se atualizar na nossa vida cotidiana. Precisamos estar unidos à morte do Senhor, para experimentarmos o poder da sua ressurreição. É muitas vezes difícil entrar na mentalidade do Evangelho e perceber o sentido dessas palavras. Todavia, eu creio, que o Espírito que aqui nos uniu e que está nos falando nessa Palavra de Deus e que dentro de poucos instantes virá como fogo consumir a nossa oferenda e transformá-la no Corpo e no Sangue do Senhor, pode também abrir os nossos corações a fim de que esse mistério se realize na nossa vida.

Louvemos com alegria ao Deus que é cheio de misericórdia para conosco, que “muda a nossa sorte como torrentes no deserto”, que diz “nem eu te condeno”, que nos convida “vai e não peques mais”. Louvemos ao Senhor que realiza maravilhas na nossa vida e peçamos a Ele que o caminho iniciado nessa quaresma produza em nós muitos frutos a serem colhidos na Páscoa que se aproxima.

 

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11/03/2016 18:37 - Atualizado em 11/03/2016 18:38

“Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria.” (Sl 125)

Diante da Palavra de Deus que nós hoje ouvimos podemos jubilosos cantar esse versículo, porque ele é uma realidade na nossa vida. De fato, o Senhor fez conosco maravilhas. Nós cantamos esse hino de exultação ao Senhor, porque nos reconhecemos na figura da adúltera desse evangelho. Adúltera privilegiada, porque experimentou na sua vida a misericórdia do Senhor.

Nós poderíamos hoje nos transportar para essa cena. Jesus está ensinando no Templo. O que será que Jesus ensinava? Falava talvez da misericórdia infinita do Pai. Os fariseus e os escribas trazem até Ele uma mulher surpreendida em flagrante adultério. Não há como negar: de fato, ela é uma adúltera. Os fariseus querem experimentar Jesus. Se ele absolve a mulher, estaria se opondo à Lei. Se, por outro lado, ele a condena, estaria contradizendo a sua própria pregação e sua própria atitude de acolhimento para com os pecadores.

Diante da pergunta dos escribas e dos fariseus Jesus realiza um gesto obscuro: Ele escreve na terra com o dedo. Muito se cogita a respeito desse estranho gesto de Cristo. Esse gesto de Jesus me faz pensar no Salmo 103 (102), 13-14: “Como um pai é compassivo para com seus filhos, o Senhor é compassivo com aqueles que o temem; porque ele conhece nossa estrutura, ele se lembra do pó que nós somos.”

Ao olhar o Cristo que escreve no solo com o dedo, eu me recordo desse versículo que nos aponta para o ato criador de Deus. Deus, ao olhar as nossas faltas, não nos trata como deveríamos ser tratados, porque se recorda do pó que somos. Ele se recorda do dia em que nos modelou da argila do solo e soprou em nós um hálito de vida. O Cristo se compadece da mulher e também dos escribas e fariseus. O Cristo se compadece daquela multidão enfurecida e de todos os homens que também saciaram seus desejos com aquela mulher. Embora todos fossem responsáveis pelos seus atos, o Cristo tem sobre todos um olhar de misericórdia. O Cristo se compadece daqueles que não se reconhecem mais como irmãos, que se devoram uns aos outros, que se acusam e não se ajudam mais a crescer em direção a Deus.

Jesus não desdiz a Lei, nem tampouco desdiz a si próprio, mas coloca como critério de juízo a consciência de cada um. Somente quem se sabe sem pecado tem o direito de condenar a mulher. Todos saem, a começar pelos mais velhos. Todos podiam constatar o seu pecado, mas quem poderia condená-la? Quem poderia pronunciar sobre ela um sentença de morte, se todos também estão tocados pelo pecado?

O único que poderia condená-la, lança sobre ela um olhar de misericórdia e a convida à conversão. O Cristo como que devolve a dignidade dessa adúltera que é chamada de “mulher”. O Senhor lhe devolve a dignidade recebida no dia da criação quando o Pai os criou “homem” e “mulher”. A mulher lançada no meio do círculo, exposta ao olhar cheia de ódio dos seus acusadores, de repente se encontra sozinha com Aquele que é o próprio perdão. Imaginemos meus irmãos o olhar do Senhor, cheio de misericórdia para com essa pobre mulher. Ela havia perdido a sua dignidade e encontra a misericórdia. Ela que era olhada pelos homens como um objeto de prazer, se sente agora transpassada por um olhar que sonda o mais íntimo do seu coração e a convida a uma vida nova: Vai, e de agora em diante não peques mais! Ela o reconhece como “Senhor”, como aquele que tem poder de perdoar os seus pecados.

Essa mulher é imagem do povo de Israel. Também Israel é comparado pelos profetas a uma adúltera. Sendo esposa escolhida por Deus, Israel o abandona continuamente para ir atrás dos seus ídolos. Deus, todavia, sempre de novo recebe a esposa que volta e se alegra de novo com ela.

Nós também nos identificamos tantas vezes com essa mulher. O nosso adultério tem vários nomes. A nossa alma, esposa do Verbo, tantas vezes vai atrás de outros amantes que parecem mais sedutores. Mas o esposo da nossa alma não desiste. Ele nos encanta sempre mais. Ele nos encanta, sobretudo, com a sua misericórdia. Ele nos olha com ternura e o seu olhar nos purifica. Ao mesmo tempo em que nos purifica, também nos convida a uma vida nova e nos sacia com os finos manjares dos sacramentos.

Essa é a grande obra nova de Deus anunciada pela boca do profeta Isaías. O profeta pensa, num primeiro momento, na libertação do exílio. Todavia, a obra nova de Deus possui um alcance muito mais amplo. A grande obra nova de Deus é a Páscoa do seu Filho, onde se realiza definitivamente o nosso êxodo espiritual. Pela Páscoa de Cristo podemos sair do cativeiro e caminhar em direção à terra prometida, à Jerusalém celeste. Essa é a grande maravilha que o Senhor fez conosco. Nos reconciliou consigo pela morte do seu Filho e abriu para nós um caminho em direção à Terra Prometida.

Diante da salvação que o Senhor nos oferece conseguimos entender as palavras de Paulo na sua carta aos Filipenses: “Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor”. Paulo quer estar “unido a Cristo”, ser “achado nele”. Paulo quer a “justiça da fé”, que consiste, segundo ele, em “experimentar a força da ressurreição” de Cristo, “ficar em comunhão com os seus sofrimentos”, tornando-se “semelhante a ele na sua morte”, para ver se alcança a “ressurreição dentre os mortos”.

Isto é entrar no mistério da Páscoa: nós nos unimos a Cristo, experimentamos o poder da sua ressurreição e isso nos faz querer ficar em comunhão com seus sofrimentos, nos faz querer ser semelhantes a Ele na sua morte para alcançarmos a ressurreição. Na quaresma nós entramos no mistério da morte. O grão de trigo que cai na terra precisa morrer para germinar. Cristo morre para ressuscitar.

Nós nos perguntamos: que mistério é esse? Porque precisamos morrer? Não queremos morrer. Lutamos contra a morte. Queremos a vida e a ressurreição. De fato, queremos a vida e a ressurreição. Mas, precisamos morrer. Mas a morte que desejamos não é uma morte qualquer. Queremos ser semelhantes a Cristo na sua morte. Queremos morrer como Ele. O que significa isso? A morte de Cristo é a sua doação total. Ele se desprende de tudo, até da sua própria vida, para estar unido ao Pai num abraço de amor.

Na cruz existe um abraço invisível. Cristo não está só, porque o seu espírito está nas mãos do Pai. E o Pai o ressuscita. Para que o Pai nos ressuscite precisamos morrer. Precisamos abrir os nossos braços e nos desprendermos das nossas seguranças. Criamos para nós uma falsa vida. E nos abraçamos a essa falsa vida. Morrer significa abrir os braços como Cristo na cruz e deixar cair e se quebrar essa falsa vida, para que a verdadeira vida nasça em nós. Precisamos morrer e, no fundo do nosso coração sabemos para o quê precisamos morrer, a fim de que a verdadeira vida, o poder da ressurreição, aconteça em nós.

Já fomos sepultados com Cristo e ressuscitados com Ele sacramentalmente no batismo. Seremos um dia, contra ou não à nossa vontade, sepultados na morte e ressucitaremos. Todavia, esse mistério do batismo e esse mistério do nosso último dia, precisa se atualizar na nossa vida cotidiana. Precisamos estar unidos à morte do Senhor, para experimentarmos o poder da sua ressurreição. É muitas vezes difícil entrar na mentalidade do Evangelho e perceber o sentido dessas palavras. Todavia, eu creio, que o Espírito que aqui nos uniu e que está nos falando nessa Palavra de Deus e que dentro de poucos instantes virá como fogo consumir a nossa oferenda e transformá-la no Corpo e no Sangue do Senhor, pode também abrir os nossos corações a fim de que esse mistério se realize na nossa vida.

Louvemos com alegria ao Deus que é cheio de misericórdia para conosco, que “muda a nossa sorte como torrentes no deserto”, que diz “nem eu te condeno”, que nos convida “vai e não peques mais”. Louvemos ao Senhor que realiza maravilhas na nossa vida e peçamos a Ele que o caminho iniciado nessa quaresma produza em nós muitos frutos a serem colhidos na Páscoa que se aproxima.

 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida