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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (37): Interpretação e tradução da Bíblia

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27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (37): Interpretação e tradução da Bíblia

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11/03/2016 18:20 - Atualizado em 11/03/2016 18:21

A Palavra de Deus na Bíblia (37): Interpretação e tradução da Bíblia 0

11/03/2016 18:20 - Atualizado em 11/03/2016 18:21

Depois de analisar, segundo os ensinamentos da Igreja em relação ao documento “A Interpretação da Bíblia na Igreja” (1993), o uso de três métodos literários atuais: narrativa, retórica e semiótica, deixando precisas indicações da utilidade e dos limites deste uso na exegese bíblica, passaremos agora ao estudo daqueles métodos baseados da tradição.

C. Abordagens baseadas na Tradição

Uma questão colocada desde o início pelo documento refere-se à ‘insuficiência’ destes métodos já apresentados para uma autêntica interpretação da Bíblia em seus textos. Não se trata de uma ‘condenação’ ao uso deles, mas da simples afirmação que estes métodos não possuem a amplidão hermenêutica necessária que cubra a totalidade de exigências supostas para uma interpretação suficiente da Bíblia.

Mesmo que eles se diferenciem do método histórico-crítico por uma atenção maior à unidade interna dos textos estudados, os métodos literários que acabamos de apresentar permanecem insuficientes para a interpretação da Bíblia, pois eles consideram cada escrito isoladamente.

É preciso frisar que a Bíblia só pode ser interpretada corretamente se considerada em sua unidade canônica, pois não se trata de um avulso de escritos dentro de uma ‘brochura’, uma capa que os unifica. Os 72 (73) livros possuem uma relação interna e externa entre si, formando um todo coerente:

Ora, a Bíblia não se apresenta como um conjunto de textos desprovidos de relações entre eles, mas como um composto de testemunhos de uma mesma e grande Tradição. Para corresponder plenamente ao objeto de seu estudo, a exegese bíblica deve levar em consideração este fato. Tal é a perspectiva adotada por várias abordagens que se desenvolvem atualmente1.

Esta unidade, dedicada aos métodos vinculados à tradição possui três itens: 1. Abordagem canônica; 2. Abordagem com recurso às tradições judaicas de interpretação; 3. Abordagem através da história dos efeitos do texto.

Estas são as três etapas de exposição dos próximos artigos sobre a Interpretação da Bíblia na Igreja!

1. Abordagem canônica:

Constatando que o método histórico-crítico encontra algumas vezes dificuldades em alcançar o nível teológico em suas conclusões, a abordagem “canônica”, nascida nos Estados Unidos há uns 20 anos, entende por bem conduzir uma tarefa teológica de interpretação partindo do quadro especifico da fé: a Bíblia em seu conjunto.

Esta expressão ‘a Bíblia em seu conjunto’ indica que a interpretação bíblica será fruto de uma perspectiva sincrônica, a Bíblia explica a Bíblia.

Para fazê-lo, ela interpreta cada texto bíblico à luz do Cânon das Escrituras, isto é, da Bíblia enquanto recebida como norma de fé por uma comunidade de fiéis. Ela procura situar cada texto no interior do único desígnio de Deus, com o objetivo de chegar a uma atualização da Escritura para o nosso tempo. Ela não pretende substituir o método histórico-crítico, mas deseja complementá-lo.

E o que é o ‘Cânon’? Palavra grega que significa metro, lista, elenco ou critério. Comumente, por Cânon Bíblico se entende o elenco/lista dos livros sagrados, escolhidos como inspirados pela Igreja.

Dois pontos de vista diferentes foram propostos:

a) Brevard S. Childs centraliza seu interesse sobre a forma canônica final do texto (livro ou coleção), forma aceita pela comunidade como tendo autoridade para expressar sua fé e dirigir sua vida. Trata-se da forma final e estabilizada do texto.

b) James A. Sanders coloca sua atenção sobre o “processo canônico” ou desenvolvimento progressivo das Escrituras às quais a comunidade dos fiéis reconheceu uma autoridade normativa. O estudo crítico deste processo examina como as antigas tradições foram reutilizadas em novos contextos antes de constituir um todo ao mesmo tempo estável e adaptado, coerente e fazendo união de dados divergentes, do qual a comunidade de fé tira sua identidade.

A diferença entre o primeiro (Childs) e o segundo (Sanders) é que no primeiro método se utiliza simplesmente a perspectiva sincrônica, lê-se os textos, como nós os encontramos na Bíblia, aceitos como válidos; no segundo, busca-se ainda a formação destes textos, utiliza-se ainda uma perspectiva diacrônica.

A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que estes métodos reagiram às lacunas criadas pelo uso exclusivo dos métodos histórico-críticos:

A abordagem canônica reage com razão contra a valorização exagerada daquilo que é supostamente original e primitivo, como se somente isso fosse autêntico. A Escritura inspirada é a Escritura tal como a Igreja a reconheceu como regra de sua fé. Pode-se insistir a esse respeito, seja sobre a forma final na qual se encontra atualmente cada um dos livros, seja sobre o conjunto que eles constituem como Cânon. Um livro torna-se bíblico somente à luz do Cânon inteiro2.

Estes métodos deitam suas raízes nas válidas indicações advindas do Vaticano II, em sua Constituição Bíblica:

A comunidade dos fiéis é efetivamente o contexto adequado para a interpretação dos textos canônicos. A fé e o Espírito Santo enriquecem a exegese; a autoridade eclesial, que se exerce a serviço da comunidade, deve velar para que a interpretação permaneça fiel à grande Tradição que produziu os textos (cf. Dei Verbum, 10).

No próximo artigo analisaremos as limitações ou problemas suscitados por este método canônico.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_199) 30415_interpretazione_po.html#I

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#I

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A Palavra de Deus na Bíblia (37): Interpretação e tradução da Bíblia

11/03/2016 18:20 - Atualizado em 11/03/2016 18:21

Depois de analisar, segundo os ensinamentos da Igreja em relação ao documento “A Interpretação da Bíblia na Igreja” (1993), o uso de três métodos literários atuais: narrativa, retórica e semiótica, deixando precisas indicações da utilidade e dos limites deste uso na exegese bíblica, passaremos agora ao estudo daqueles métodos baseados da tradição.

C. Abordagens baseadas na Tradição

Uma questão colocada desde o início pelo documento refere-se à ‘insuficiência’ destes métodos já apresentados para uma autêntica interpretação da Bíblia em seus textos. Não se trata de uma ‘condenação’ ao uso deles, mas da simples afirmação que estes métodos não possuem a amplidão hermenêutica necessária que cubra a totalidade de exigências supostas para uma interpretação suficiente da Bíblia.

Mesmo que eles se diferenciem do método histórico-crítico por uma atenção maior à unidade interna dos textos estudados, os métodos literários que acabamos de apresentar permanecem insuficientes para a interpretação da Bíblia, pois eles consideram cada escrito isoladamente.

É preciso frisar que a Bíblia só pode ser interpretada corretamente se considerada em sua unidade canônica, pois não se trata de um avulso de escritos dentro de uma ‘brochura’, uma capa que os unifica. Os 72 (73) livros possuem uma relação interna e externa entre si, formando um todo coerente:

Ora, a Bíblia não se apresenta como um conjunto de textos desprovidos de relações entre eles, mas como um composto de testemunhos de uma mesma e grande Tradição. Para corresponder plenamente ao objeto de seu estudo, a exegese bíblica deve levar em consideração este fato. Tal é a perspectiva adotada por várias abordagens que se desenvolvem atualmente1.

Esta unidade, dedicada aos métodos vinculados à tradição possui três itens: 1. Abordagem canônica; 2. Abordagem com recurso às tradições judaicas de interpretação; 3. Abordagem através da história dos efeitos do texto.

Estas são as três etapas de exposição dos próximos artigos sobre a Interpretação da Bíblia na Igreja!

1. Abordagem canônica:

Constatando que o método histórico-crítico encontra algumas vezes dificuldades em alcançar o nível teológico em suas conclusões, a abordagem “canônica”, nascida nos Estados Unidos há uns 20 anos, entende por bem conduzir uma tarefa teológica de interpretação partindo do quadro especifico da fé: a Bíblia em seu conjunto.

Esta expressão ‘a Bíblia em seu conjunto’ indica que a interpretação bíblica será fruto de uma perspectiva sincrônica, a Bíblia explica a Bíblia.

Para fazê-lo, ela interpreta cada texto bíblico à luz do Cânon das Escrituras, isto é, da Bíblia enquanto recebida como norma de fé por uma comunidade de fiéis. Ela procura situar cada texto no interior do único desígnio de Deus, com o objetivo de chegar a uma atualização da Escritura para o nosso tempo. Ela não pretende substituir o método histórico-crítico, mas deseja complementá-lo.

E o que é o ‘Cânon’? Palavra grega que significa metro, lista, elenco ou critério. Comumente, por Cânon Bíblico se entende o elenco/lista dos livros sagrados, escolhidos como inspirados pela Igreja.

Dois pontos de vista diferentes foram propostos:

a) Brevard S. Childs centraliza seu interesse sobre a forma canônica final do texto (livro ou coleção), forma aceita pela comunidade como tendo autoridade para expressar sua fé e dirigir sua vida. Trata-se da forma final e estabilizada do texto.

b) James A. Sanders coloca sua atenção sobre o “processo canônico” ou desenvolvimento progressivo das Escrituras às quais a comunidade dos fiéis reconheceu uma autoridade normativa. O estudo crítico deste processo examina como as antigas tradições foram reutilizadas em novos contextos antes de constituir um todo ao mesmo tempo estável e adaptado, coerente e fazendo união de dados divergentes, do qual a comunidade de fé tira sua identidade.

A diferença entre o primeiro (Childs) e o segundo (Sanders) é que no primeiro método se utiliza simplesmente a perspectiva sincrônica, lê-se os textos, como nós os encontramos na Bíblia, aceitos como válidos; no segundo, busca-se ainda a formação destes textos, utiliza-se ainda uma perspectiva diacrônica.

A Pontifícia Comissão Bíblica destaca que estes métodos reagiram às lacunas criadas pelo uso exclusivo dos métodos histórico-críticos:

A abordagem canônica reage com razão contra a valorização exagerada daquilo que é supostamente original e primitivo, como se somente isso fosse autêntico. A Escritura inspirada é a Escritura tal como a Igreja a reconheceu como regra de sua fé. Pode-se insistir a esse respeito, seja sobre a forma final na qual se encontra atualmente cada um dos livros, seja sobre o conjunto que eles constituem como Cânon. Um livro torna-se bíblico somente à luz do Cânon inteiro2.

Estes métodos deitam suas raízes nas válidas indicações advindas do Vaticano II, em sua Constituição Bíblica:

A comunidade dos fiéis é efetivamente o contexto adequado para a interpretação dos textos canônicos. A fé e o Espírito Santo enriquecem a exegese; a autoridade eclesial, que se exerce a serviço da comunidade, deve velar para que a interpretação permaneça fiel à grande Tradição que produziu os textos (cf. Dei Verbum, 10).

No próximo artigo analisaremos as limitações ou problemas suscitados por este método canônico.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_199) 30415_interpretazione_po.html#I

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#I

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica