Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2019

19 de Novembro de 2019

Missa pelos enfermos

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Missa pelos enfermos

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11/03/2016 15:10 - Atualizado em 11/03/2016 15:13

Missa pelos enfermos 0

11/03/2016 15:10 - Atualizado em 11/03/2016 15:13

No missal romano existem muitos formulários de missas para diversas circunstâncias. Uma delas é a missa pelos enfermos. Além da celebração do Dia Mundial dos doentes que ocorre no dia de nossa Senhora de Lourdes, em todas as missas normalmente, muitas intenções são pelos doentes. Nesse sentido celebramos a missa pela saúde. Aliás, o sacramento da Unção dos Enfermos, um dos objetivos é rezar pela saúde de quem se encontra doente.

Normalmente os enfermos estão hospitalizados ou em suas residências sem poder fazer grandes caminhadas. Nesse sentido, os meios de comunicação tornam possível uma presença da Igreja que reza com eles e por eles. Além, é claro, da presença do agente da Pastoral da Saúde e do Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística ou mesmo do Diácono ou do Padre junto ao enfermo, temos essa possibilidade.

É nesse sentido que iniciamos uma celebração especial pelos enfermos pedindo pela saúde em transmissão pelos meios de comunicação. Ela ocorrerá todos os sábados às 7 horas da manhã na Igreja Matriz de São José da Lagoa, aqui no Rio de Janeiro.

O sofrimento humano, incluindo, é óbvio, a doença não faz parte de um plano castigador de Deus a quem comete o mal ou o pecado, pois os justos também sofrem e disso a Sagrada Escritura e a vida dos santos, ao longo dos tempos, dão substanciosas provas. Daí se conclui o seguinte: a dor é algo decorrente da finitude do ser humano que em sua pequenez reconhece a grandeza do Criador a fazê-lo apto a superar suas misérias por meio da busca inteligente de recursos e profissionais capazes de sanar as enfermidades e debilidades, agindo com amor ao semelhante e não visando só ao lucro ante a desgraça alheia.

No plano comum ou ordinário, Deus mesmo deixou a natureza com seus muitos recursos para ajudar o ser humano a curar ou remediar seus males, como bem nos lembra a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano que nos leva refletir sobre a nossa Casa Comum, o planeta no qual habitamos e deve ser cuidado, não devastado pelos próprios seres humanos que nele vivemos ou dele nos servimos dentro daquilo que a natureza proporciona. Explorada adequadamente e com vivo amor ao semelhante, essa mesma natureza nos oferece muitos remédios ou princípios deles capazes de nos ajudar depois de passarem pelos trabalhos laboratoriais específicos.

Isso tudo é obra do Criador que deu ao ser humano talento para descobrir e transformar os bens da natureza em material útil a todos. São as razões seminais que Santo Agostinho de Hipona († 430) ensina existir. Segundo essa doutrina, Deus já criou tudo o que precisamos para viver, resta-nos a descoberta delas. Com efeito, diz o grande gênio da Filosofia e da Teologia patrística o seguinte: ... “todas as coisas que nós vemos já forma criadas originárias e fundamentalmente em uma espécie de trama dos elementos, mas é preciso a ocasião favorável para que venham à luz”. Ele defende uma evolução que é a concretização daquilo que desde sempre fora criado e bem fixado em uma espécie, de modo que ao homem cabe descobri-las e explorá-las em favor de si e do seu próximo (G. Reale; D. Antisseri. História da Filosofia. Vol 1. 7ª ed. São Paulo: Paulus, 2002, p. 452-453).

Fazemos votos de que os cientistas, sem se esquecerem da Lei Natural física e moral se dediquem com esmero ao estudo profundo, à pesquisa necessária e à descoberta eficaz de remédios para os grandes males de nosso tempo. Tudo isso, porém, não dispensa ninguém – nem os gestores públicos – de fazer a sua parte no cuidado com a higiene pessoal e do espaço onde vive, pois não são poucas nem pequenas as doenças advindas da má conservação do meio em que vivemos. A responsabilidade é de todos!

Deus deixou com louvores em sua Palavra (cf. Eclo 38,1-6) também para nos ajudar, os médicos, homens e mulheres que, após anos e anos de estudos com grandes gastos, juram na formatura defender sempre a vida acudindo-a independentemente de quem quer que seja o paciente à sua frente. É um ser humano a necessitar de atendimento e dessa consulta e triagem pode depender a vida daquele homem ou daquela mulher a buscar esse tão valorizado profissional em seu consultório particular, nos prontos-socorros (deem-se a eles o nome que se queira) ou nas imensas filas da rede pública, sobretudo quando se precisa de um especialista para solicitar ou ver um exame mais sofisticado em casos complexos.

Esses recursos humanos muito louváveis não dispensam, porém, a busca de Deus pela oração – elevação da alma a Deus, conforme a precisa definição de São João Damasceno, Padre da Igreja citado no Catecismo da Igreja Católica n. 2559 – sobretudo pela oração eclesiástica pública por excelência que é a Santa Missa. Ela (não representa) é a própria imolação de Cristo oferecida de modo cruento na Cruz que Deus torna presente, de modo incruento, sobre nossos altares. Em outras palavras, por “mistério da fé”, a oblação de Nosso Senhor no passado se faz presente a nós a cada vez que celebramos a Eucaristia.

Desse modo, logo se percebe que cada Missa tem valor infinito, uma vez que é o Sacrifício de Cristo celebrado em pleno século XXI. Daí uma só Missa seria suficiente para dar as glórias que Deus merece e conseguir aos seres humanos as graças espirituais e temporais de que mais precisam para sua vida neste mundo e a salvação eterna. Ocorre, porém, que precisamos ver as duas faces da questão: enquanto oferecida por Cristo, toda Eucaristia é eficaz para louvar a Deus e obter graças a toda a humanidade, independentemente do ministro que a preside e dos demais fiéis a dela tomarem parte, mas, enquanto seres humanos limitados e pecadores que somos, ao nos unirmos a Cristo oferente ao Pai, tornamos restritos os frutos da Missa em nós e naqueles pelos quais oferecemos a mesma Missa.

Isso, em termos positivos, é o que lembra a Oração Eucarística I, no chamado “momento dos vivos”, ao dizer: “Lembrai-vos, ó Pai, dos vossos filhos e filhas NN. E de todos os que circundam este altar, dos quais conheceis a fidelidade e a dedicação em vos servir. Eles vos oferecem conosco este sacrifício de louvor por si e por todos os seus e elevam a Vós as suas preces para alcançar o perdão de suas faltas, a segurança em suas vidas e a salvação que esperam”.

Vê-se que o texto lembra que só Deus conhece o coração de cada um naquele momento. No entanto, mesmo sabendo-se limitado e pecador, o ser humano há de ir para a Missa buscando ter em si os mesmos sentimentos e atitudes puras de Cristo, conforme já ensinara o Papa Pio XII, na Encíclica Mediator Dei, ao escrever: “Recordem-se todos os fiéis de que participar do Sacrifício Eucarístico é, para eles, o dever de máxima dignidade. Façam-no, pois, não de ânimo superficial ou distraído, mas tão viva e intensamente que se possam unir ao Sumo Sacerdote, segundo a palavra do Apóstolo: ‘Senti em vós o que Jesus sentia...’ (Fl 2,5). Assim com Cristo e por Cristo ofereçam, e com Cristo se ofereçam”.

“Na verdade, Cristo é Sacerdote, não, porém para Si, mas em nosso favor, pois Ele oferece ao Pai Eterno os anseios e o culto de todo o gênero humano. Cristo também é Hóstia em nosso favor, pois Ele se entrega em nome dos homens pecadores. Por conseguinte, as palavras do Apóstolo ‘Senti em vós o que o Cristo Jesus sentia’ exigem de todos os cristãos que, na medida do seu possível, tenham em seu íntimo os afetos do Divino Redentor quando Este se imolava em sacrifício: sejam, pois, humildes e modestos em seu modo de julgar, e saibam tributar à Majestade de Deus adoração, honra, louvor e ações de graças. Além disto, os dizeres do Apóstolo pedem que cada um assuma a condição de hóstia viva, renunciando a si mesmo para se ater ao Evangelho, pratiquem de bom ânimo obras de penitência e, em atitude de contrição, prestem expiação por seus pecados. Mais: a exortação do Apóstolo nos leva a abraçarmos todos a morte mística em Cristo na Cruz, de tal modo que possamos repetir as palavras de São Paulo: ‘Com Cristo estou pregado à Cruz’ (Gl 2,19).”

Disso decorre que da celebração da Missa são colhidos três tipos de frutos: os gerais: são graças e benefícios a toda a Igreja e a cada um de seus membros de modo direto; de modo indireto, beneficia também aqueles que não pertencem visivelmente à Igreja, visto que Cristo é o salvador de todos; os frutos especiais: tocam ao celebrante, aos seus ministros e a todos os que participam fisicamente da Missa; frutos especialíssimos: graças disposta pela Divina Misericórdia para ser pedida pelos fiéis e aplicadas na intenção que desejarem. Daí o sadio costume do Povo de Deus pedir Missa por um parente ou amigo falecido, pelos aniversariantes, em ação de graças por um favor recebido de Deus, assim é a nossa Missa da Saúde.

Os frutos especialíssimos atingem os fiéis na seguinte ordem: primeiro, o ministro (bispo ou padre) que preside a Missa. Ele é o representante imediato da Igreja na Liturgia; segundo, aqueles que pediram a Celebração ou nela formularam intenções. Depois do presidente são os oferentes mais próximos da Igreja; terceiro, os fiéis que estão presentes na Missa e quarto, todos os fiéis mesmo ausentes ou distantes, pois fazem parte da Igreja.

Isso entendido, se vê a necessidade de se rezar pelos doentes, junto aos doentes e por todos os que deles cuidam a fim de que lhes seja restituída a saúde, se for da vontade de Deus, que os cuidadores ou profissionais tenham paciência e sejam zelosos para com os enfermos e necessitados, especialmente quando o problema se prolonga por muito tempo e requer cuidados específicos diários. Pela força da oração é possível conseguir o que as nossas próprias energias não conseguem.

Lembramo-nos também de que importa aos que cuidam dos doentes invocar sempre a Mãe de Deus, Maria Santíssima, sob o título de Nossa Senhora da Saúde. Esta devoção – segundo o Pe. Eugênio Bisinoto, em sua obra Conheça os títulos de Nossa Senhora, p. 105 (Ed. Santuário) – apareceu no México já nos primeiros tempos da conquista espanhola, quando os indígenas, sob a orientação de Dom Vasco de Guiroga, primeiro bispo de Michocán, esculpiram uma imagem da Virgem Maria, em 1538, e lhe foi dado o título de Nossa Senhora da Saúde.

A imagem foi colocada no altar do hospital que o Bispo edificou em Patzcuaro. Em 8 de dezembro de 1717 foi consagrado o seu santuário e, em 1899 a mesma imagem foi coroada solenemente. Tal devoção também estava presente – não se sabe se por influência da América ou não – também no século XVI quando a grande peste começou a assolar aquele país, chegando, no ano de 1569 a assolar mais de 600 pessoas por dia, o que era muito para a época. Tendo diminuído o problema, em 20 de abril de 1570, fizeram procissões, montaram irmandades, construíram igrejas e deram à Mãe de Deus o honroso título de Nossa Senhora da Saúde. Essa devoção se espalhou e chega até nós.

Desejamos que essa Missa da Saúde desperte e todos e, em especial aos telespectadores para o valor transcendental da vida humana, inspire o cuidado com os enfermos, no plano material e também espiritual (chamando para visitá-los o sacerdote que lhes dê a Unção dos Enfermos, ouça-os em Confissão, reze com eles) a fim de que se valham dos meios de comunicação não só para rezarem, mas também, neste Ano Extraordinário da Misericórdia, alcançarem, de casa, a indulgência plenária, ou seja, a remissão da pena temporal devida aos pecados já perdoados por Deus.

A missa poderá ser assistida pela Rede TV em nível nacional, analógico, digital, a cabo e satélite, assim como pela WebTv Redentor e pela TV Ultrafarma pela internet e via satélite. Algumas vezes poderei presidir outras poderá ser o pároco Pe. Omar Raposo ou seu vigário paroquial Pe. Alexandre Paccioli. Mas será sempre essa intenção especial.

Que a saúde se difunda sobre a terra e que Nossa Senhora da Saúde rogue a Deus por todos os doentes a fim de que lhes seja feita a vontade do Pai e aos sadios seja dada a força necessária sempre gozarem de boa saúde e cuidarem daqueles que mais necessitam. Missa lembra missão!

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11/03/2016 15:10 - Atualizado em 11/03/2016 15:13

No missal romano existem muitos formulários de missas para diversas circunstâncias. Uma delas é a missa pelos enfermos. Além da celebração do Dia Mundial dos doentes que ocorre no dia de nossa Senhora de Lourdes, em todas as missas normalmente, muitas intenções são pelos doentes. Nesse sentido celebramos a missa pela saúde. Aliás, o sacramento da Unção dos Enfermos, um dos objetivos é rezar pela saúde de quem se encontra doente.

Normalmente os enfermos estão hospitalizados ou em suas residências sem poder fazer grandes caminhadas. Nesse sentido, os meios de comunicação tornam possível uma presença da Igreja que reza com eles e por eles. Além, é claro, da presença do agente da Pastoral da Saúde e do Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística ou mesmo do Diácono ou do Padre junto ao enfermo, temos essa possibilidade.

É nesse sentido que iniciamos uma celebração especial pelos enfermos pedindo pela saúde em transmissão pelos meios de comunicação. Ela ocorrerá todos os sábados às 7 horas da manhã na Igreja Matriz de São José da Lagoa, aqui no Rio de Janeiro.

O sofrimento humano, incluindo, é óbvio, a doença não faz parte de um plano castigador de Deus a quem comete o mal ou o pecado, pois os justos também sofrem e disso a Sagrada Escritura e a vida dos santos, ao longo dos tempos, dão substanciosas provas. Daí se conclui o seguinte: a dor é algo decorrente da finitude do ser humano que em sua pequenez reconhece a grandeza do Criador a fazê-lo apto a superar suas misérias por meio da busca inteligente de recursos e profissionais capazes de sanar as enfermidades e debilidades, agindo com amor ao semelhante e não visando só ao lucro ante a desgraça alheia.

No plano comum ou ordinário, Deus mesmo deixou a natureza com seus muitos recursos para ajudar o ser humano a curar ou remediar seus males, como bem nos lembra a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano que nos leva refletir sobre a nossa Casa Comum, o planeta no qual habitamos e deve ser cuidado, não devastado pelos próprios seres humanos que nele vivemos ou dele nos servimos dentro daquilo que a natureza proporciona. Explorada adequadamente e com vivo amor ao semelhante, essa mesma natureza nos oferece muitos remédios ou princípios deles capazes de nos ajudar depois de passarem pelos trabalhos laboratoriais específicos.

Isso tudo é obra do Criador que deu ao ser humano talento para descobrir e transformar os bens da natureza em material útil a todos. São as razões seminais que Santo Agostinho de Hipona († 430) ensina existir. Segundo essa doutrina, Deus já criou tudo o que precisamos para viver, resta-nos a descoberta delas. Com efeito, diz o grande gênio da Filosofia e da Teologia patrística o seguinte: ... “todas as coisas que nós vemos já forma criadas originárias e fundamentalmente em uma espécie de trama dos elementos, mas é preciso a ocasião favorável para que venham à luz”. Ele defende uma evolução que é a concretização daquilo que desde sempre fora criado e bem fixado em uma espécie, de modo que ao homem cabe descobri-las e explorá-las em favor de si e do seu próximo (G. Reale; D. Antisseri. História da Filosofia. Vol 1. 7ª ed. São Paulo: Paulus, 2002, p. 452-453).

Fazemos votos de que os cientistas, sem se esquecerem da Lei Natural física e moral se dediquem com esmero ao estudo profundo, à pesquisa necessária e à descoberta eficaz de remédios para os grandes males de nosso tempo. Tudo isso, porém, não dispensa ninguém – nem os gestores públicos – de fazer a sua parte no cuidado com a higiene pessoal e do espaço onde vive, pois não são poucas nem pequenas as doenças advindas da má conservação do meio em que vivemos. A responsabilidade é de todos!

Deus deixou com louvores em sua Palavra (cf. Eclo 38,1-6) também para nos ajudar, os médicos, homens e mulheres que, após anos e anos de estudos com grandes gastos, juram na formatura defender sempre a vida acudindo-a independentemente de quem quer que seja o paciente à sua frente. É um ser humano a necessitar de atendimento e dessa consulta e triagem pode depender a vida daquele homem ou daquela mulher a buscar esse tão valorizado profissional em seu consultório particular, nos prontos-socorros (deem-se a eles o nome que se queira) ou nas imensas filas da rede pública, sobretudo quando se precisa de um especialista para solicitar ou ver um exame mais sofisticado em casos complexos.

Esses recursos humanos muito louváveis não dispensam, porém, a busca de Deus pela oração – elevação da alma a Deus, conforme a precisa definição de São João Damasceno, Padre da Igreja citado no Catecismo da Igreja Católica n. 2559 – sobretudo pela oração eclesiástica pública por excelência que é a Santa Missa. Ela (não representa) é a própria imolação de Cristo oferecida de modo cruento na Cruz que Deus torna presente, de modo incruento, sobre nossos altares. Em outras palavras, por “mistério da fé”, a oblação de Nosso Senhor no passado se faz presente a nós a cada vez que celebramos a Eucaristia.

Desse modo, logo se percebe que cada Missa tem valor infinito, uma vez que é o Sacrifício de Cristo celebrado em pleno século XXI. Daí uma só Missa seria suficiente para dar as glórias que Deus merece e conseguir aos seres humanos as graças espirituais e temporais de que mais precisam para sua vida neste mundo e a salvação eterna. Ocorre, porém, que precisamos ver as duas faces da questão: enquanto oferecida por Cristo, toda Eucaristia é eficaz para louvar a Deus e obter graças a toda a humanidade, independentemente do ministro que a preside e dos demais fiéis a dela tomarem parte, mas, enquanto seres humanos limitados e pecadores que somos, ao nos unirmos a Cristo oferente ao Pai, tornamos restritos os frutos da Missa em nós e naqueles pelos quais oferecemos a mesma Missa.

Isso, em termos positivos, é o que lembra a Oração Eucarística I, no chamado “momento dos vivos”, ao dizer: “Lembrai-vos, ó Pai, dos vossos filhos e filhas NN. E de todos os que circundam este altar, dos quais conheceis a fidelidade e a dedicação em vos servir. Eles vos oferecem conosco este sacrifício de louvor por si e por todos os seus e elevam a Vós as suas preces para alcançar o perdão de suas faltas, a segurança em suas vidas e a salvação que esperam”.

Vê-se que o texto lembra que só Deus conhece o coração de cada um naquele momento. No entanto, mesmo sabendo-se limitado e pecador, o ser humano há de ir para a Missa buscando ter em si os mesmos sentimentos e atitudes puras de Cristo, conforme já ensinara o Papa Pio XII, na Encíclica Mediator Dei, ao escrever: “Recordem-se todos os fiéis de que participar do Sacrifício Eucarístico é, para eles, o dever de máxima dignidade. Façam-no, pois, não de ânimo superficial ou distraído, mas tão viva e intensamente que se possam unir ao Sumo Sacerdote, segundo a palavra do Apóstolo: ‘Senti em vós o que Jesus sentia...’ (Fl 2,5). Assim com Cristo e por Cristo ofereçam, e com Cristo se ofereçam”.

“Na verdade, Cristo é Sacerdote, não, porém para Si, mas em nosso favor, pois Ele oferece ao Pai Eterno os anseios e o culto de todo o gênero humano. Cristo também é Hóstia em nosso favor, pois Ele se entrega em nome dos homens pecadores. Por conseguinte, as palavras do Apóstolo ‘Senti em vós o que o Cristo Jesus sentia’ exigem de todos os cristãos que, na medida do seu possível, tenham em seu íntimo os afetos do Divino Redentor quando Este se imolava em sacrifício: sejam, pois, humildes e modestos em seu modo de julgar, e saibam tributar à Majestade de Deus adoração, honra, louvor e ações de graças. Além disto, os dizeres do Apóstolo pedem que cada um assuma a condição de hóstia viva, renunciando a si mesmo para se ater ao Evangelho, pratiquem de bom ânimo obras de penitência e, em atitude de contrição, prestem expiação por seus pecados. Mais: a exortação do Apóstolo nos leva a abraçarmos todos a morte mística em Cristo na Cruz, de tal modo que possamos repetir as palavras de São Paulo: ‘Com Cristo estou pregado à Cruz’ (Gl 2,19).”

Disso decorre que da celebração da Missa são colhidos três tipos de frutos: os gerais: são graças e benefícios a toda a Igreja e a cada um de seus membros de modo direto; de modo indireto, beneficia também aqueles que não pertencem visivelmente à Igreja, visto que Cristo é o salvador de todos; os frutos especiais: tocam ao celebrante, aos seus ministros e a todos os que participam fisicamente da Missa; frutos especialíssimos: graças disposta pela Divina Misericórdia para ser pedida pelos fiéis e aplicadas na intenção que desejarem. Daí o sadio costume do Povo de Deus pedir Missa por um parente ou amigo falecido, pelos aniversariantes, em ação de graças por um favor recebido de Deus, assim é a nossa Missa da Saúde.

Os frutos especialíssimos atingem os fiéis na seguinte ordem: primeiro, o ministro (bispo ou padre) que preside a Missa. Ele é o representante imediato da Igreja na Liturgia; segundo, aqueles que pediram a Celebração ou nela formularam intenções. Depois do presidente são os oferentes mais próximos da Igreja; terceiro, os fiéis que estão presentes na Missa e quarto, todos os fiéis mesmo ausentes ou distantes, pois fazem parte da Igreja.

Isso entendido, se vê a necessidade de se rezar pelos doentes, junto aos doentes e por todos os que deles cuidam a fim de que lhes seja restituída a saúde, se for da vontade de Deus, que os cuidadores ou profissionais tenham paciência e sejam zelosos para com os enfermos e necessitados, especialmente quando o problema se prolonga por muito tempo e requer cuidados específicos diários. Pela força da oração é possível conseguir o que as nossas próprias energias não conseguem.

Lembramo-nos também de que importa aos que cuidam dos doentes invocar sempre a Mãe de Deus, Maria Santíssima, sob o título de Nossa Senhora da Saúde. Esta devoção – segundo o Pe. Eugênio Bisinoto, em sua obra Conheça os títulos de Nossa Senhora, p. 105 (Ed. Santuário) – apareceu no México já nos primeiros tempos da conquista espanhola, quando os indígenas, sob a orientação de Dom Vasco de Guiroga, primeiro bispo de Michocán, esculpiram uma imagem da Virgem Maria, em 1538, e lhe foi dado o título de Nossa Senhora da Saúde.

A imagem foi colocada no altar do hospital que o Bispo edificou em Patzcuaro. Em 8 de dezembro de 1717 foi consagrado o seu santuário e, em 1899 a mesma imagem foi coroada solenemente. Tal devoção também estava presente – não se sabe se por influência da América ou não – também no século XVI quando a grande peste começou a assolar aquele país, chegando, no ano de 1569 a assolar mais de 600 pessoas por dia, o que era muito para a época. Tendo diminuído o problema, em 20 de abril de 1570, fizeram procissões, montaram irmandades, construíram igrejas e deram à Mãe de Deus o honroso título de Nossa Senhora da Saúde. Essa devoção se espalhou e chega até nós.

Desejamos que essa Missa da Saúde desperte e todos e, em especial aos telespectadores para o valor transcendental da vida humana, inspire o cuidado com os enfermos, no plano material e também espiritual (chamando para visitá-los o sacerdote que lhes dê a Unção dos Enfermos, ouça-os em Confissão, reze com eles) a fim de que se valham dos meios de comunicação não só para rezarem, mas também, neste Ano Extraordinário da Misericórdia, alcançarem, de casa, a indulgência plenária, ou seja, a remissão da pena temporal devida aos pecados já perdoados por Deus.

A missa poderá ser assistida pela Rede TV em nível nacional, analógico, digital, a cabo e satélite, assim como pela WebTv Redentor e pela TV Ultrafarma pela internet e via satélite. Algumas vezes poderei presidir outras poderá ser o pároco Pe. Omar Raposo ou seu vigário paroquial Pe. Alexandre Paccioli. Mas será sempre essa intenção especial.

Que a saúde se difunda sobre a terra e que Nossa Senhora da Saúde rogue a Deus por todos os doentes a fim de que lhes seja feita a vontade do Pai e aos sadios seja dada a força necessária sempre gozarem de boa saúde e cuidarem daqueles que mais necessitam. Missa lembra missão!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro