Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/02/2017

26 de Fevereiro de 2017

Artigo 06: Unidade Original: “... serão uma só carne...”

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26 de Fevereiro de 2017

Artigo 06: Unidade Original: “... serão uma só carne...”

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11/03/2016 14:49 - Atualizado em 24/05/2016 17:28

Artigo 06: Unidade Original: “... serão uma só carne...” 0

11/03/2016 14:49 - Atualizado em 24/05/2016 17:28

O homem foi criado só. Experimenta a solidão. Não se identifica com os outros seres da criação. Vivia por si mesmo, mas sentia que poderia ser mais. Sentia quase que uma “saudade” do que ainda nem conhecia a mulher.

“Então o Senhor Deus fez vir sobre o homem um profundo sono, e ele adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada do homem, o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem.” (Gen 2, 21-22)

Como é lindo ver a beleza da narrativa bíblica neste trecho do Gênesis. O homem cai num “torpor”, afirma o Papa, voltando a um estado de “não-ser”, porque Deus ainda precisa finalizar a obra da criação de modo extraordinário. O homem dorme solitário e despertam, homem e mulher, em uma “dupla unidade”, o que, como afirma João Paulo II, “são dois modos de ser corpo do mesmo ser humano.” (Teologia do Corpo, Catequese VIII, de 07 de novembro de 1979)

O “sair da costela” revela a homogeneidade não apenas somática (isto é, do corpo), mas também da profunda identificação daquelas duas almas, distintas entre si, mas com a mesma base humana: “Esta realmente é osso dos meus ossos e carne da minha carne.” (Gen 2, 23). Ao mesmo tempo vemos, então, essa dualidade da natureza humana, masculina e feminina, mas também a sua unidade, a sua base humana comum.

Aqui vem o segundo ponto-chave dessas catequeses do “Princípio”: a UNIDADE ORIGINAL. Justamente por sermos imagem e semelhança de Deus não faria sentido sermos sós. Deus, em sua natureza mais profunda, não é solidão: é comunhão. Três pessoas que formam um só Deus: daí vem a origem da nossa busca por essa unidade profunda entre nós. O relacionamento de amor entre essas três Pessoas distintas é a fonte dessa busca do ser humano pelo outro, que também é distinto de mim, mas que, ao mesmo tempo me complementa, me potencializa em tudo o que eu posso desenvolver, e realça o que há de melhor em mim. A mulher é para o homem e o homem é para a mulher: um é DOM para o outro, e ainda recebem pela distinção sexual a bênção da fecundidade.

“... podemos, então, deduzir que o homem se tornou imagem e semelhança de Deus não só mediante a própria humanidade, mas ainda a mediante a COMUNHÃO DE PESSOAS que o homem e a mulher formam desde o começo.” (Teologia do Corpo, Catequese IX, de 14 de novembro de 1979, grifo nosso)

E vejam só que interessante: toda vez que o homem e a mulher se unem no ato conjugal e se tornam UM, eles como que experimentam novamente a “solidão original”, pois voltam a ser “um”. Assim, o amor é retroalimentado cada vez mais. Dessa unidade e dessa comunhão é nos reforça para entendermos a sacralidade do ato sexual. Ele existe não para a nossa diversão, mas para a comunhão. É do chamado à unidade que vem a base da indissolubilidade matrimonial.

“Quando ambos se unem entre si tão intimamente que se tornam “uma só carne”, essa união conjugal pressupõe uma madura consciência do corpo. Antes, esta carrega em si, uma particular consciência do significado daquele corpo na entrega recíproca das pessoas.” (Teologia do Corpo, Catequese X, de 21 de novembro de 1979)

A beleza e a originalidade da distinção sexual, masculino e feminino, que na sua essência são um convite visível à união e a comunhão, vêm sendo duramente ameaçada por ideologias modernas que, simplesmente desconsideram esse elemento que é o mais fundante do ser humano: sua identidade sexual. Ao distorcer essa realidade muitas consequências trágicas podem surgir, como já estamos vendo. Tantas pessoas confusas que, ao se tornarem “”tudo”, ou “nada”, ou “qualquer coisa” ficam cada vez mais desorientadas. O caminho para a realização plena não passa pela corrupção do nosso ser para nos adaptarmos a tendências e modismos ditos tão “modernos”... Só acharemos a felicidade quando nos tornarmos aquilo que nascemos para ser: imagem e semelhança de Deus que é unidade e comunhão.

 

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Artigo 06: Unidade Original: “... serão uma só carne...”

11/03/2016 14:49 - Atualizado em 24/05/2016 17:28

O homem foi criado só. Experimenta a solidão. Não se identifica com os outros seres da criação. Vivia por si mesmo, mas sentia que poderia ser mais. Sentia quase que uma “saudade” do que ainda nem conhecia a mulher.

“Então o Senhor Deus fez vir sobre o homem um profundo sono, e ele adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada do homem, o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem.” (Gen 2, 21-22)

Como é lindo ver a beleza da narrativa bíblica neste trecho do Gênesis. O homem cai num “torpor”, afirma o Papa, voltando a um estado de “não-ser”, porque Deus ainda precisa finalizar a obra da criação de modo extraordinário. O homem dorme solitário e despertam, homem e mulher, em uma “dupla unidade”, o que, como afirma João Paulo II, “são dois modos de ser corpo do mesmo ser humano.” (Teologia do Corpo, Catequese VIII, de 07 de novembro de 1979)

O “sair da costela” revela a homogeneidade não apenas somática (isto é, do corpo), mas também da profunda identificação daquelas duas almas, distintas entre si, mas com a mesma base humana: “Esta realmente é osso dos meus ossos e carne da minha carne.” (Gen 2, 23). Ao mesmo tempo vemos, então, essa dualidade da natureza humana, masculina e feminina, mas também a sua unidade, a sua base humana comum.

Aqui vem o segundo ponto-chave dessas catequeses do “Princípio”: a UNIDADE ORIGINAL. Justamente por sermos imagem e semelhança de Deus não faria sentido sermos sós. Deus, em sua natureza mais profunda, não é solidão: é comunhão. Três pessoas que formam um só Deus: daí vem a origem da nossa busca por essa unidade profunda entre nós. O relacionamento de amor entre essas três Pessoas distintas é a fonte dessa busca do ser humano pelo outro, que também é distinto de mim, mas que, ao mesmo tempo me complementa, me potencializa em tudo o que eu posso desenvolver, e realça o que há de melhor em mim. A mulher é para o homem e o homem é para a mulher: um é DOM para o outro, e ainda recebem pela distinção sexual a bênção da fecundidade.

“... podemos, então, deduzir que o homem se tornou imagem e semelhança de Deus não só mediante a própria humanidade, mas ainda a mediante a COMUNHÃO DE PESSOAS que o homem e a mulher formam desde o começo.” (Teologia do Corpo, Catequese IX, de 14 de novembro de 1979, grifo nosso)

E vejam só que interessante: toda vez que o homem e a mulher se unem no ato conjugal e se tornam UM, eles como que experimentam novamente a “solidão original”, pois voltam a ser “um”. Assim, o amor é retroalimentado cada vez mais. Dessa unidade e dessa comunhão é nos reforça para entendermos a sacralidade do ato sexual. Ele existe não para a nossa diversão, mas para a comunhão. É do chamado à unidade que vem a base da indissolubilidade matrimonial.

“Quando ambos se unem entre si tão intimamente que se tornam “uma só carne”, essa união conjugal pressupõe uma madura consciência do corpo. Antes, esta carrega em si, uma particular consciência do significado daquele corpo na entrega recíproca das pessoas.” (Teologia do Corpo, Catequese X, de 21 de novembro de 1979)

A beleza e a originalidade da distinção sexual, masculino e feminino, que na sua essência são um convite visível à união e a comunhão, vêm sendo duramente ameaçada por ideologias modernas que, simplesmente desconsideram esse elemento que é o mais fundante do ser humano: sua identidade sexual. Ao distorcer essa realidade muitas consequências trágicas podem surgir, como já estamos vendo. Tantas pessoas confusas que, ao se tornarem “”tudo”, ou “nada”, ou “qualquer coisa” ficam cada vez mais desorientadas. O caminho para a realização plena não passa pela corrupção do nosso ser para nos adaptarmos a tendências e modismos ditos tão “modernos”... Só acharemos a felicidade quando nos tornarmos aquilo que nascemos para ser: imagem e semelhança de Deus que é unidade e comunhão.

 

Tatiana e Ronaldo de Melo
Autor

Tatiana e Ronaldo de Melo

Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro