Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/05/2019

22 de Maio de 2019

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04/03/2016 00:00 - Atualizado em 05/03/2016 19:20

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04/03/2016 00:00 - Atualizado em 05/03/2016 19:20

O IV Domingo da Quaresma é chamado de Domingo “Laetare- alegra-te! Na Antífona de Entrada do missal romano, está escrito, para esta Missa: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. São palavras do Profeta Isaías, no capítulo 66, 10s.

Este convite à alegria a essa altura da Quaresma, e logo após as “24 horas para o Senhor” é muito oportuno! Pensando nos nossos pecados, em tantas de nossas infidelidades e escândalos que nos cortam o coração, poderíamos ser tentados a desanimar, em pensar que não temos solução e na dificuldade em debelar o mal que se incrusta no nosso coração.

O Senhor nos convida à alegria; convida a Igreja, nova e eterna Jerusalém, à alegria, convida-nos a nós, que amamos a Mãe católica – tão sofrida pelas fraquezas de seus filhos –, convida-nos a nós à alegria: “Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. Quais seriam as consolações da Igreja entre tanta desolação? Sem dúvida, aquelas que vêm do Senhor que é fiel, que Se entregou por nós, que amou a Sua Igreja e nela permanece sempre com invencível fidelidade! E todo aquele que se une ao Senhor e nele permanece pode experimentar tal consolação.

A Primeira Leitura deste domingo recorda a chegada dos israelitas à Terra Prometida. Eles celebraram a Páscoa ao partirem do Egito e, agora, chegando à Terra Santa, celebram-na novamente. Aí, então, o maná deixou de cair do céu. Coragem, também nós: estamos a caminho: nossa Terra Prometida é Cristo, nossa Páscoa é Cristo, nosso maná é Cristo! Ele, para nós, é, simplesmente, tudo! Estão chegando os dias solenes de celebração de sua Páscoa.

A Segunda Leitura, tirada da Carta de São Paulo aos Coríntios, nos ensina que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo com Ele e fez de nós criaturas novas. O mundo velho, marcado pelo pecado, desapareceu. Em nome de Cristo, Paulo anunciou: “Deixai-vos reconciliar com Deus! Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que Nele nos tornemos justiça de Deus”!

Quanto ao Evangelho, chama-nos atenção hoje a parábola do filho pródigo. Por que está ela aí, na Quaresma? Recordemos como Lucas começa: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para escutá-Lo. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”. Então: de um lado, os pecadores, miseráveis sem esperança ante Deus e ante os homens, que, agora, cheios de esperança nova e alegria, aproximam-se de Jesus, que se mostra tão misericordioso e compassivo. Do outro lado, os homens de religião, os praticantes, que sentem como que ciúme e recriminam duramente Jesus! É para estes que Jesus conta a parábola, para explicar-lhes que o Seu modo de agir, ao receber os pecadores, é o modo de agir de Deus.

O capítulo quinze do Evangelho segundo São Lucas contem três parábolas chamadas “da misericórdia”: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido. Tudo perdido! Mas, se invertermos o quadro temos o bom pastor que busca a ovelha, a boa mulher que busca a sua moeda e o bom pai misericordioso que espera e ama o seu filho pródigo.

Tanto o pastor quanto a mulher têm atitudes que não são nada comuns; o mesmo diga-se do pai do filho pródigo. Nem naqueles tempos nem hoje em dia se atuaria dessa maneira! Pense comigo: se você fosse um pastor e tivesse cem ovelhas, delas perdesse somente uma, será que deixaria as noventa e nove sozinhas, com perigo de se perderem, para procurar somente aquela desgarrada? Será que é lógico deixar noventa e nove ovelhas sozinhas e procurar somente uma? Eu, pelo menos, deixaria a pobre ovelha pra lá, não correria o risco de perder noventa e nove ovelhinhas por causa de uma. E se você tivesse dez moedas e perdesse uma, faria como aquela mulher da parábola: acenderia a luz, varreria a casa, colocando-a quase de cabeça para baixo, para encontrar a única moedinha perdida? Como se não bastasse: convidaria os amigos para dar uma notícia tão efêmera como essa do encontro de uma mísera moeda?

A lógica do Evangelho é outra! Sem contrapor a justiça à misericórdia, a parábola nos apresenta um pai que não é o comum dos pais dessa Terra, mas o pai que só pode ser Deus. O Papa Francisco está sempre lembrando que Deus não se cansa de perdoar, e somos nós que nos cansamos de pedir perdão. Este é o motivo de grande alegria! Ele é o nosso Pai, cheio de amor para conosco. Nós, culpados e pecadores, cheios de boas intenções e, também, cheios de intenções torcidas e más ações, somos os queridos de Deus. Já está justificada a nossa alegria para todo o dia de hoje: Deus é Pai! Eu sou seu filho! Deus é muito bom, e os sacerdotes, no Sacramento da Penitência, têm o Coração de Deus e, por isso, compreendem sempre. Essa é a recomendação do Papa Francisco aos padres: acolham com carinho o que se aproxima do Sacramento da Penitência. É o rosto misericordioso de Deus que, em Cristo, se manifesta como perdão através da Igreja. Por isso, não tenha medo, e caso ainda não se confessou, esta é a oportunidade.

Como embaixadores de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus! É este o tempo, é este o momento da graça. Quem está em Cristo é uma nova criatura e pode ser fermento na massa de um mundo novo. O mundo velho desapareceu e tudo se faz novo... Alegra-te, povo de Deus, exultai de alegria!

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04/03/2016 00:00 - Atualizado em 05/03/2016 19:20

O IV Domingo da Quaresma é chamado de Domingo “Laetare- alegra-te! Na Antífona de Entrada do missal romano, está escrito, para esta Missa: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. São palavras do Profeta Isaías, no capítulo 66, 10s.

Este convite à alegria a essa altura da Quaresma, e logo após as “24 horas para o Senhor” é muito oportuno! Pensando nos nossos pecados, em tantas de nossas infidelidades e escândalos que nos cortam o coração, poderíamos ser tentados a desanimar, em pensar que não temos solução e na dificuldade em debelar o mal que se incrusta no nosso coração.

O Senhor nos convida à alegria; convida a Igreja, nova e eterna Jerusalém, à alegria, convida-nos a nós, que amamos a Mãe católica – tão sofrida pelas fraquezas de seus filhos –, convida-nos a nós à alegria: “Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. Quais seriam as consolações da Igreja entre tanta desolação? Sem dúvida, aquelas que vêm do Senhor que é fiel, que Se entregou por nós, que amou a Sua Igreja e nela permanece sempre com invencível fidelidade! E todo aquele que se une ao Senhor e nele permanece pode experimentar tal consolação.

A Primeira Leitura deste domingo recorda a chegada dos israelitas à Terra Prometida. Eles celebraram a Páscoa ao partirem do Egito e, agora, chegando à Terra Santa, celebram-na novamente. Aí, então, o maná deixou de cair do céu. Coragem, também nós: estamos a caminho: nossa Terra Prometida é Cristo, nossa Páscoa é Cristo, nosso maná é Cristo! Ele, para nós, é, simplesmente, tudo! Estão chegando os dias solenes de celebração de sua Páscoa.

A Segunda Leitura, tirada da Carta de São Paulo aos Coríntios, nos ensina que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo com Ele e fez de nós criaturas novas. O mundo velho, marcado pelo pecado, desapareceu. Em nome de Cristo, Paulo anunciou: “Deixai-vos reconciliar com Deus! Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que Nele nos tornemos justiça de Deus”!

Quanto ao Evangelho, chama-nos atenção hoje a parábola do filho pródigo. Por que está ela aí, na Quaresma? Recordemos como Lucas começa: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para escutá-Lo. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”. Então: de um lado, os pecadores, miseráveis sem esperança ante Deus e ante os homens, que, agora, cheios de esperança nova e alegria, aproximam-se de Jesus, que se mostra tão misericordioso e compassivo. Do outro lado, os homens de religião, os praticantes, que sentem como que ciúme e recriminam duramente Jesus! É para estes que Jesus conta a parábola, para explicar-lhes que o Seu modo de agir, ao receber os pecadores, é o modo de agir de Deus.

O capítulo quinze do Evangelho segundo São Lucas contem três parábolas chamadas “da misericórdia”: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido. Tudo perdido! Mas, se invertermos o quadro temos o bom pastor que busca a ovelha, a boa mulher que busca a sua moeda e o bom pai misericordioso que espera e ama o seu filho pródigo.

Tanto o pastor quanto a mulher têm atitudes que não são nada comuns; o mesmo diga-se do pai do filho pródigo. Nem naqueles tempos nem hoje em dia se atuaria dessa maneira! Pense comigo: se você fosse um pastor e tivesse cem ovelhas, delas perdesse somente uma, será que deixaria as noventa e nove sozinhas, com perigo de se perderem, para procurar somente aquela desgarrada? Será que é lógico deixar noventa e nove ovelhas sozinhas e procurar somente uma? Eu, pelo menos, deixaria a pobre ovelha pra lá, não correria o risco de perder noventa e nove ovelhinhas por causa de uma. E se você tivesse dez moedas e perdesse uma, faria como aquela mulher da parábola: acenderia a luz, varreria a casa, colocando-a quase de cabeça para baixo, para encontrar a única moedinha perdida? Como se não bastasse: convidaria os amigos para dar uma notícia tão efêmera como essa do encontro de uma mísera moeda?

A lógica do Evangelho é outra! Sem contrapor a justiça à misericórdia, a parábola nos apresenta um pai que não é o comum dos pais dessa Terra, mas o pai que só pode ser Deus. O Papa Francisco está sempre lembrando que Deus não se cansa de perdoar, e somos nós que nos cansamos de pedir perdão. Este é o motivo de grande alegria! Ele é o nosso Pai, cheio de amor para conosco. Nós, culpados e pecadores, cheios de boas intenções e, também, cheios de intenções torcidas e más ações, somos os queridos de Deus. Já está justificada a nossa alegria para todo o dia de hoje: Deus é Pai! Eu sou seu filho! Deus é muito bom, e os sacerdotes, no Sacramento da Penitência, têm o Coração de Deus e, por isso, compreendem sempre. Essa é a recomendação do Papa Francisco aos padres: acolham com carinho o que se aproxima do Sacramento da Penitência. É o rosto misericordioso de Deus que, em Cristo, se manifesta como perdão através da Igreja. Por isso, não tenha medo, e caso ainda não se confessou, esta é a oportunidade.

Como embaixadores de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus! É este o tempo, é este o momento da graça. Quem está em Cristo é uma nova criatura e pode ser fermento na massa de um mundo novo. O mundo velho desapareceu e tudo se faz novo... Alegra-te, povo de Deus, exultai de alegria!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro