Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/09/2017

22 de Setembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (33): Interpretação e tradução da Bíblia

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22 de Setembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (33): Interpretação e tradução da Bíblia

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12/02/2016 00:00 - Atualizado em 26/02/2016 18:29

A Palavra de Deus na Bíblia (33): Interpretação e tradução da Bíblia 0

12/02/2016 00:00 - Atualizado em 26/02/2016 18:29

O método Retórico, seja na Antiguidade Clássica ou nos dias de hoje, tem um papel na leitura e no desenvolvimento da interpretação bíblica. Há elementos decididamente positivos, entre eles a ideia que verdade bíblica não é uma abstração para inteligência, mas um chamado à ação (ethos) na vida pessoal e comum dos fiéis.

Mas há também problemas, nem tudo parece ser positivo e sadio para a boa leitura e pregação da Palavra de Deus:

As análises retóricas têm, contudo, seus limites. Quando elas se contentam em ser descritivas, seus resultados têm muitas vezes um interesse unicamente estilístico. Fundamentalmente sincrônicas, elas não podem pretender constituir um método independente que seja autosuficiente1.

A Comissão Bíblica recorda que este método é essencialmente ‘estilístico’, por isso, ele se importa com a forma final do texto (sincronia), ele não privilegia a estrutura e o desenvolvimento do texto (diacronia), por isso, aplicá-lo, independentemente do método histórico-crítico, pode constituir-se num empobrecimento para análise de seu conteúdo integral.

Sua aplicação aos textos bíblicos levanta mais de uma questão: os autores destes textos pertenciam aos ambientes mais cultos? Até que ponto eles seguiram as regras de retórica para compor seus escritos? Qual retórica é mais pertinente para a análise de tal escrito determinado: a greco-latina ou a semítica?

Não se arrisca em atribuir a certos textos bíblicos uma estrutura retórica elaborada demais? Estas questões — e outras — não devem dissuadir o emprego deste tipo de análise; elas convidam a não recorrer a ele sem discernimento2.

Passemos a outro método Literário muito utilizado na leitura e na interpretação de textos bíblico, em particular no Novo Testamento:

2. Análise narrativa

A Exegese narrativa propõe um método de compreensão e de comunicação da mensagem bíblica que corresponde à forma de relato e de testemunho, modalidade fundamental da comunicação entre pessoas humanas, característica também da Santa Escritura3.

Eis as duas características deste método literário: forma de relato e de testemunho, que estabelece uma ‘modalidade de comunicação’ essencial nas relações humanas. Insere assim o conteúdo do texto no universo da trama da vida humana.

O Antigo Testamento, efetivamente, apresenta uma história da salvação cujo relato eficaz torna-se substância da profissão de fé, da liturgia e da catequese (cf Sal 78,3-4; Ex 12,24-27; Dt 6,20-25; 26,5-11).

De seu lado, a proclamação do querigma cristão compreende a sequência narrativa da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, acontecimentos dos quais os Evangelhos nos oferecem um relato detalhado. A catequese se apresenta, ela também, sob a forma narrativa (cf 1 Co 11,23-25).

“A respeito da abordagem narrativa, convém distinguir métodos de análise e reflexão teológica.”4 Com esta advertência o Documento alerta para uma atitude básica no uso de métodos de análise e interpretação da Bíblia: distinguir ou melhor discernir!

Numerosos métodos de análise são atualmente propostos. Alguns partem do estudo dos modelos narrativos antigos. Outros se baseiam sobre um ou outro estudo atual da narrativa, que pode ter pontos comuns com a semiótica.

Particularmente atenta aos elementos do texto que dizem respeito ao enredo, às características e ao ponto de vista tomado pelo narrador, a análise narrativa estuda o jeito pelo qual a história é contada de maneira a envolver o leitor no “mundo do relato” e seu sistema de valores.

O texto passa a ser visto como algo que relata, que conta histórias, que envolve os leitores na sua lógica de expor narrações!

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

3 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

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A Palavra de Deus na Bíblia (33): Interpretação e tradução da Bíblia

12/02/2016 00:00 - Atualizado em 26/02/2016 18:29

O método Retórico, seja na Antiguidade Clássica ou nos dias de hoje, tem um papel na leitura e no desenvolvimento da interpretação bíblica. Há elementos decididamente positivos, entre eles a ideia que verdade bíblica não é uma abstração para inteligência, mas um chamado à ação (ethos) na vida pessoal e comum dos fiéis.

Mas há também problemas, nem tudo parece ser positivo e sadio para a boa leitura e pregação da Palavra de Deus:

As análises retóricas têm, contudo, seus limites. Quando elas se contentam em ser descritivas, seus resultados têm muitas vezes um interesse unicamente estilístico. Fundamentalmente sincrônicas, elas não podem pretender constituir um método independente que seja autosuficiente1.

A Comissão Bíblica recorda que este método é essencialmente ‘estilístico’, por isso, ele se importa com a forma final do texto (sincronia), ele não privilegia a estrutura e o desenvolvimento do texto (diacronia), por isso, aplicá-lo, independentemente do método histórico-crítico, pode constituir-se num empobrecimento para análise de seu conteúdo integral.

Sua aplicação aos textos bíblicos levanta mais de uma questão: os autores destes textos pertenciam aos ambientes mais cultos? Até que ponto eles seguiram as regras de retórica para compor seus escritos? Qual retórica é mais pertinente para a análise de tal escrito determinado: a greco-latina ou a semítica?

Não se arrisca em atribuir a certos textos bíblicos uma estrutura retórica elaborada demais? Estas questões — e outras — não devem dissuadir o emprego deste tipo de análise; elas convidam a não recorrer a ele sem discernimento2.

Passemos a outro método Literário muito utilizado na leitura e na interpretação de textos bíblico, em particular no Novo Testamento:

2. Análise narrativa

A Exegese narrativa propõe um método de compreensão e de comunicação da mensagem bíblica que corresponde à forma de relato e de testemunho, modalidade fundamental da comunicação entre pessoas humanas, característica também da Santa Escritura3.

Eis as duas características deste método literário: forma de relato e de testemunho, que estabelece uma ‘modalidade de comunicação’ essencial nas relações humanas. Insere assim o conteúdo do texto no universo da trama da vida humana.

O Antigo Testamento, efetivamente, apresenta uma história da salvação cujo relato eficaz torna-se substância da profissão de fé, da liturgia e da catequese (cf Sal 78,3-4; Ex 12,24-27; Dt 6,20-25; 26,5-11).

De seu lado, a proclamação do querigma cristão compreende a sequência narrativa da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, acontecimentos dos quais os Evangelhos nos oferecem um relato detalhado. A catequese se apresenta, ela também, sob a forma narrativa (cf 1 Co 11,23-25).

“A respeito da abordagem narrativa, convém distinguir métodos de análise e reflexão teológica.”4 Com esta advertência o Documento alerta para uma atitude básica no uso de métodos de análise e interpretação da Bíblia: distinguir ou melhor discernir!

Numerosos métodos de análise são atualmente propostos. Alguns partem do estudo dos modelos narrativos antigos. Outros se baseiam sobre um ou outro estudo atual da narrativa, que pode ter pontos comuns com a semiótica.

Particularmente atenta aos elementos do texto que dizem respeito ao enredo, às características e ao ponto de vista tomado pelo narrador, a análise narrativa estuda o jeito pelo qual a história é contada de maneira a envolver o leitor no “mundo do relato” e seu sistema de valores.

O texto passa a ser visto como algo que relata, que conta histórias, que envolve os leitores na sua lógica de expor narrações!

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

3 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica