Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/06/2017

25 de Junho de 2017

Artigo 04: “... formou o homem do barro da terra...”

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25 de Junho de 2017

Artigo 04: “... formou o homem do barro da terra...”

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25/02/2016 17:51 - Atualizado em 24/05/2016 17:24

Artigo 04: “... formou o homem do barro da terra...” 0

25/02/2016 17:51 - Atualizado em 24/05/2016 17:24

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. O que isso significa na prática? O próprio João Paulo II explica: “O ser humano, a quem Deus criou ‘homem e mulher’, carrega a imagem divina impressa no seu corpo “desde o princípio”; homem e mulher constituem dois modos diversos do humano ‘ser corpo’ na unidade daquela imagem.” (Catequese XIII, 02 de janeiro de 1980).

Nesse sentido o nosso corpo é um verdadeiro sacramento, um sinal visível e, ao mesmo tempo, também um canal da Graça Divina. Somos imagem e semelhança de Deus não só enquanto indivíduos, mas enquanto homens e mulheres. Assim como Deus é a comunhão perfeita de três Pessoas distintas, também o ser humano é chamado a buscar a comunhão. Não só a alma, mas também o nosso corpo foi cuidadosamente moldado por Deus para apontar para essa verdade: nossa vocação é buscar o outro, o outro que é distinto de mim.

Como aprendemos na Palavra de Deus (I Jo 4, 10): “Deus é amor”. Se somos sua imagem e semelhança, isso significa que nascemos para ser no mundo reflexos deste amor. Amor que acontece não apenas de uma forma “espiritualizada”, porque não somos só espírito como os anjos. Também (e, poderíamos dizer, principalmente) com o nosso corpo, somos vocacionados a amar:

“O corpo humano (…) encerra ‘desde o princípio’ (…) a capacidade de exprimir o amor: aquele amor em que o homem-pessoa se torna dom e, mediante esse dom, realiza o próprio sentido do seu ser e existir” (Catequese XV, 16 de janeiro de 1980). (...) “O corpo, e só ele, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido desde a eternidade em Deus [o amor de Deus pelo homem] e, assim, ser seu sinal” (Catequese XIX, 20 de fevereiro de 1980).

Da fragilidade do barro da terra, do “húmus” – daí vem a palavra “humano” – Deus sopra seu próprio Espírito que nos vivifica. Corpo e espírito: obra prima de Deus! Daí vem um princípio básico que mudou as nossas vidas e pode mudar a sua também: nós não “temos” um corpo, mas SOMOS um corpo. Nosso corpo é nossa identidade! Se você tem, possui alguma coisa você pode fazer dela o que bem quiser, porque é posse sua. Se eu penso e vivo como quem “tem” um corpo, e me relaciono com outras pessoas que também “tem” um corpo (assim como se tem um objeto, tipo celular, tênis, carro...) eu posso dispor deste “objeto” como bem entender: tenho o “direito” de usá-lo e até de maltratá-lo. A Teologia do Corpo, porém, vem trazer uma profunda mudança de mentalidade. Se o corpo é a pessoa, e toda pessoa tem uma dignidade humana inviolável, então, o corpo – tanto o meu, quanto o dos outros – precisa ser preservado, defendido, salvaguardado. Essa premissa é a base para uma revolução na nossa visão de mundo e nas nossas atitudes. Entende o mal terrível do aborto? Da superexposição do corpo, principalmente o feminino? Do sexo descompromissado e inconsequente?

Qualquer pessoa de bem, mesmo que não seja católica, mas que respeite o valor que a fé tem para muita gente, acharia um absurdo um ato como a profanação da Eucaristia, por exemplo. Quanto mais para nós que temos a certeza de que se trata do próprio Corpo de Cristo. Ora, como eu tenho tratado o meu corpo que também é um sacramento do Amor de Deus? Como tenho tratado o corpo dos outros? Cabem muito bem aqui as palavras de São Paulo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isto mesmo, já não vos pertenceis?” (I Cor 6, 19). Somos frágeis vasos de barro, mas não podemos nos esquecer que esse frágil vaso foi projetado por Deus para carregar um verdadeiro tesouro: o seu próprio Amor, infundido em cada um de nós (cf. II Cor 4, 7)!

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Artigo 04: “... formou o homem do barro da terra...”

25/02/2016 17:51 - Atualizado em 24/05/2016 17:24

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. O que isso significa na prática? O próprio João Paulo II explica: “O ser humano, a quem Deus criou ‘homem e mulher’, carrega a imagem divina impressa no seu corpo “desde o princípio”; homem e mulher constituem dois modos diversos do humano ‘ser corpo’ na unidade daquela imagem.” (Catequese XIII, 02 de janeiro de 1980).

Nesse sentido o nosso corpo é um verdadeiro sacramento, um sinal visível e, ao mesmo tempo, também um canal da Graça Divina. Somos imagem e semelhança de Deus não só enquanto indivíduos, mas enquanto homens e mulheres. Assim como Deus é a comunhão perfeita de três Pessoas distintas, também o ser humano é chamado a buscar a comunhão. Não só a alma, mas também o nosso corpo foi cuidadosamente moldado por Deus para apontar para essa verdade: nossa vocação é buscar o outro, o outro que é distinto de mim.

Como aprendemos na Palavra de Deus (I Jo 4, 10): “Deus é amor”. Se somos sua imagem e semelhança, isso significa que nascemos para ser no mundo reflexos deste amor. Amor que acontece não apenas de uma forma “espiritualizada”, porque não somos só espírito como os anjos. Também (e, poderíamos dizer, principalmente) com o nosso corpo, somos vocacionados a amar:

“O corpo humano (…) encerra ‘desde o princípio’ (…) a capacidade de exprimir o amor: aquele amor em que o homem-pessoa se torna dom e, mediante esse dom, realiza o próprio sentido do seu ser e existir” (Catequese XV, 16 de janeiro de 1980). (...) “O corpo, e só ele, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido desde a eternidade em Deus [o amor de Deus pelo homem] e, assim, ser seu sinal” (Catequese XIX, 20 de fevereiro de 1980).

Da fragilidade do barro da terra, do “húmus” – daí vem a palavra “humano” – Deus sopra seu próprio Espírito que nos vivifica. Corpo e espírito: obra prima de Deus! Daí vem um princípio básico que mudou as nossas vidas e pode mudar a sua também: nós não “temos” um corpo, mas SOMOS um corpo. Nosso corpo é nossa identidade! Se você tem, possui alguma coisa você pode fazer dela o que bem quiser, porque é posse sua. Se eu penso e vivo como quem “tem” um corpo, e me relaciono com outras pessoas que também “tem” um corpo (assim como se tem um objeto, tipo celular, tênis, carro...) eu posso dispor deste “objeto” como bem entender: tenho o “direito” de usá-lo e até de maltratá-lo. A Teologia do Corpo, porém, vem trazer uma profunda mudança de mentalidade. Se o corpo é a pessoa, e toda pessoa tem uma dignidade humana inviolável, então, o corpo – tanto o meu, quanto o dos outros – precisa ser preservado, defendido, salvaguardado. Essa premissa é a base para uma revolução na nossa visão de mundo e nas nossas atitudes. Entende o mal terrível do aborto? Da superexposição do corpo, principalmente o feminino? Do sexo descompromissado e inconsequente?

Qualquer pessoa de bem, mesmo que não seja católica, mas que respeite o valor que a fé tem para muita gente, acharia um absurdo um ato como a profanação da Eucaristia, por exemplo. Quanto mais para nós que temos a certeza de que se trata do próprio Corpo de Cristo. Ora, como eu tenho tratado o meu corpo que também é um sacramento do Amor de Deus? Como tenho tratado o corpo dos outros? Cabem muito bem aqui as palavras de São Paulo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isto mesmo, já não vos pertenceis?” (I Cor 6, 19). Somos frágeis vasos de barro, mas não podemos nos esquecer que esse frágil vaso foi projetado por Deus para carregar um verdadeiro tesouro: o seu próprio Amor, infundido em cada um de nós (cf. II Cor 4, 7)!

Tatiana e Ronaldo de Melo
Autor

Tatiana e Ronaldo de Melo

Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro