Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/05/2019

24 de Maio de 2019

Tu és o Cristo!

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22/06/2013 00:00 - Atualizado em 24/06/2013 16:10

Tu és o Cristo! 0

22/06/2013 00:00 - Atualizado em 24/06/2013 16:10

Tu és o Cristo! / Arqrio

 Estamos exatamente a um mês do início da JMJ aqui no Rio de Janeiro. O nosso país vê a juventude tomar as ruas e procurar ser protagonistas de um mundo novo, como rezamos na Oração Oficial da JMJ. É um momento histórico, em que somos chamados a participar com nossa vida e nossas convicções para que a construção de uma nova sociedade conte com a participação de todos.

  Neste XII Domingo do Tempo Comum, o Evangelho nos mostra as razões que alimentam nossa vida e nossa esperança, e nos dão conteúdo para nossa missão e serviço. Apresenta-nos um momento significativo do caminho de Jesus, quando Ele pergunta aos discípulos o que as pessoas pensam dele e como eles mesmos O julgam. São Pedro responde em nome dos Doze, com uma profissão de fé que se diferencia de modo substancial da opinião que as pessoas têm sobre Jesus; com efeito, ele afirma: “Tu és o Messias de Deus”! (cf. Lc 9, 20).

Muitos de nós, nesse mundo secularizado em que vivemos, poderia perguntar: De onde nasce este ato de fé? Se formos ao início deste trecho evangélico, constataremos que a confissão de Pedro está ligada a um momento de oração:  "Jesus rezava num lugar afastado. Os discípulos encontravam-se com Ele", diz São Lucas (cf. 9, 18). Ou seja, os discípulos são envolvidos no ser e no falar absolutamente únicos de Jesus com o Pai. E deste modo eles são convidados a ver o Mestre no íntimo da sua condição de Filho, é-lhes concedido ver aquilo que os outros não conseguem ver. Mas sabemos também que é ação do Espírito Santo na vida de Pedro que o faz professar que Cristo é o Salvador do mundo.

Os discípulos, de fato, "estão com Ele".  "Permanecer com Ele" em oração deriva em um conhecimento que vai além das opiniões das pessoas para chegar à profunda identidade de Jesus – à verdade. A primeira pergunta denota as diversas interpretações de ontem e de hoje sobre Jesus. Que diz o povo que eu sou?

 A liturgia desta semana nos oferece uma indicação bem específica para a vida e a missão de todo fiel batizado:  na oração, ele é chamado a redescobrir o rosto sempre novo do seu Senhor e o conteúdo mais autêntico da sua missão. Só quem mantém uma relação íntima com o Senhor é conquistado por Ele, que se deixa conduzir pelo Espírito Santo, pode levá-Lo aos outros, pode ser enviado. Trata-se de um "permanecer com Ele", que deve acompanhar sempre o nosso itinerário de fé.

Depois da confissão de Pedro, Jesus anuncia a sua paixão e ressurreição, fazendo seguir-se a esse anúncio um ensinamento relativo ao caminho dos discípulos, que consiste em segui-Lo, em seguir o Crucificado, em segui-Lo ao longo do caminho da cruz. E depois acrescenta – com uma expressão paradoxal – que o ser discípulos significa "perder-se a si mesmo", mas para voltar a encontrar-se plenamente a si mesmo" (cf. Lc 9, 22-24). Que significa para o cristão perder-se a si mesmo? O sinal distintivo do poder de nosso Senhor Jesus Cristo é a cruz que Ele carregou nas costas. Com efeito, a todos Jesus dizia: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me" (Lc 9, 23). Tomar a cruz significa comprometer-ser para derrotar o pecado que impede o caminho rumo a Deus, aceitar diariamente a vontade do Senhor, aumentar a fé, sobretudo diante dos problemas, das dificuldades e dos sofrimentos. Na época hodierna, muitos são os cristãos no mundo que, animados pelo amor a Deus, tomam todos os dias a cruz, tanto a das provações quotidianas como a provocada pela barbárie humana, que às vezes exige a coragem do sacrifício extremo. No kit da JMJ, os jovens terão uma cruz para que coloquem em seu peito. Nestes dias, um dos símbolos da JMJ, a cruz, percorre o nosso Estado e no início do próximo mês estará aqui na capital. O Senhor conceda que cada um de nós deposite sempre a nossa esperança sólida em Cristo, persuadidos de que, seguindo-O e carregando a nossa cruz, chegaremos juntamente com Ele à luz da Ressurreição.

   A cruz e a morte estão intimamente ligadas ao messianismo de Jesus. A concepção triunfalista cai por terra. O cristão deve saber que o seguimento de Jesus sempre terá cruzes, porém, cruz gloriosa, pois nela Cristo venceu a morte. A escolha de Jesus é o caminho do “servo sofredor”, inspirado no livro Segundo Isaías (Is 40-55). Decorre daí que o seguimento de Jesus se concretiza por meio de rupturas e opções. Rupturas com toda forma de egoísmo e poder; com toda preocupação de buscar o brilho próprio dos que dominam, dos que são obcecados em pregar a si mesmo e não a Cristo, daqueles que fazem de tudo para destruir o outro e não entendem que Deus acolhe os mais humildes e os sofredores. Opções pelo serviço humilde e abnegado em vista de uma sociedade de amor, de justiça e de paz. De fato, Jesus não anuncia a sua morte como fato definitivo. A ressurreição é o destino dos que dão a vida pelo Reino. O êxodo pelo qual Jesus tem de passar, incluindo a própria morte, vai possibilitar a entrada na terra da liberdade e da vida plena, onde já não haverá egoísmo nem dominação de espécie alguma.

 Pela adesão em Jesus Cristo nos tornamos semelhantes a Ele. Pelo batismo nos revestimos de Jesus, mergulhamos na sua própria vida. Agora nos tornamos uma unidade na diversidade. Portanto, “não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e livre, entre homem e mulher”. Ficam assim eliminadas as barreiras que nos separavam, sejam de raça, de gênero ou de classe social. Somos chamados a construir uma civilização nova, do amor, em que Justiça e Paz se abraçarão!A JMJ daqui a um mês será um belo momento de manifestarmos esses ideais ao mundo!

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22/06/2013 00:00 - Atualizado em 24/06/2013 16:10

 Estamos exatamente a um mês do início da JMJ aqui no Rio de Janeiro. O nosso país vê a juventude tomar as ruas e procurar ser protagonistas de um mundo novo, como rezamos na Oração Oficial da JMJ. É um momento histórico, em que somos chamados a participar com nossa vida e nossas convicções para que a construção de uma nova sociedade conte com a participação de todos.

  Neste XII Domingo do Tempo Comum, o Evangelho nos mostra as razões que alimentam nossa vida e nossa esperança, e nos dão conteúdo para nossa missão e serviço. Apresenta-nos um momento significativo do caminho de Jesus, quando Ele pergunta aos discípulos o que as pessoas pensam dele e como eles mesmos O julgam. São Pedro responde em nome dos Doze, com uma profissão de fé que se diferencia de modo substancial da opinião que as pessoas têm sobre Jesus; com efeito, ele afirma: “Tu és o Messias de Deus”! (cf. Lc 9, 20).

Muitos de nós, nesse mundo secularizado em que vivemos, poderia perguntar: De onde nasce este ato de fé? Se formos ao início deste trecho evangélico, constataremos que a confissão de Pedro está ligada a um momento de oração:  "Jesus rezava num lugar afastado. Os discípulos encontravam-se com Ele", diz São Lucas (cf. 9, 18). Ou seja, os discípulos são envolvidos no ser e no falar absolutamente únicos de Jesus com o Pai. E deste modo eles são convidados a ver o Mestre no íntimo da sua condição de Filho, é-lhes concedido ver aquilo que os outros não conseguem ver. Mas sabemos também que é ação do Espírito Santo na vida de Pedro que o faz professar que Cristo é o Salvador do mundo.

Os discípulos, de fato, "estão com Ele".  "Permanecer com Ele" em oração deriva em um conhecimento que vai além das opiniões das pessoas para chegar à profunda identidade de Jesus – à verdade. A primeira pergunta denota as diversas interpretações de ontem e de hoje sobre Jesus. Que diz o povo que eu sou?

 A liturgia desta semana nos oferece uma indicação bem específica para a vida e a missão de todo fiel batizado:  na oração, ele é chamado a redescobrir o rosto sempre novo do seu Senhor e o conteúdo mais autêntico da sua missão. Só quem mantém uma relação íntima com o Senhor é conquistado por Ele, que se deixa conduzir pelo Espírito Santo, pode levá-Lo aos outros, pode ser enviado. Trata-se de um "permanecer com Ele", que deve acompanhar sempre o nosso itinerário de fé.

Depois da confissão de Pedro, Jesus anuncia a sua paixão e ressurreição, fazendo seguir-se a esse anúncio um ensinamento relativo ao caminho dos discípulos, que consiste em segui-Lo, em seguir o Crucificado, em segui-Lo ao longo do caminho da cruz. E depois acrescenta – com uma expressão paradoxal – que o ser discípulos significa "perder-se a si mesmo", mas para voltar a encontrar-se plenamente a si mesmo" (cf. Lc 9, 22-24). Que significa para o cristão perder-se a si mesmo? O sinal distintivo do poder de nosso Senhor Jesus Cristo é a cruz que Ele carregou nas costas. Com efeito, a todos Jesus dizia: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me" (Lc 9, 23). Tomar a cruz significa comprometer-ser para derrotar o pecado que impede o caminho rumo a Deus, aceitar diariamente a vontade do Senhor, aumentar a fé, sobretudo diante dos problemas, das dificuldades e dos sofrimentos. Na época hodierna, muitos são os cristãos no mundo que, animados pelo amor a Deus, tomam todos os dias a cruz, tanto a das provações quotidianas como a provocada pela barbárie humana, que às vezes exige a coragem do sacrifício extremo. No kit da JMJ, os jovens terão uma cruz para que coloquem em seu peito. Nestes dias, um dos símbolos da JMJ, a cruz, percorre o nosso Estado e no início do próximo mês estará aqui na capital. O Senhor conceda que cada um de nós deposite sempre a nossa esperança sólida em Cristo, persuadidos de que, seguindo-O e carregando a nossa cruz, chegaremos juntamente com Ele à luz da Ressurreição.

   A cruz e a morte estão intimamente ligadas ao messianismo de Jesus. A concepção triunfalista cai por terra. O cristão deve saber que o seguimento de Jesus sempre terá cruzes, porém, cruz gloriosa, pois nela Cristo venceu a morte. A escolha de Jesus é o caminho do “servo sofredor”, inspirado no livro Segundo Isaías (Is 40-55). Decorre daí que o seguimento de Jesus se concretiza por meio de rupturas e opções. Rupturas com toda forma de egoísmo e poder; com toda preocupação de buscar o brilho próprio dos que dominam, dos que são obcecados em pregar a si mesmo e não a Cristo, daqueles que fazem de tudo para destruir o outro e não entendem que Deus acolhe os mais humildes e os sofredores. Opções pelo serviço humilde e abnegado em vista de uma sociedade de amor, de justiça e de paz. De fato, Jesus não anuncia a sua morte como fato definitivo. A ressurreição é o destino dos que dão a vida pelo Reino. O êxodo pelo qual Jesus tem de passar, incluindo a própria morte, vai possibilitar a entrada na terra da liberdade e da vida plena, onde já não haverá egoísmo nem dominação de espécie alguma.

 Pela adesão em Jesus Cristo nos tornamos semelhantes a Ele. Pelo batismo nos revestimos de Jesus, mergulhamos na sua própria vida. Agora nos tornamos uma unidade na diversidade. Portanto, “não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e livre, entre homem e mulher”. Ficam assim eliminadas as barreiras que nos separavam, sejam de raça, de gênero ou de classe social. Somos chamados a construir uma civilização nova, do amor, em que Justiça e Paz se abraçarão!A JMJ daqui a um mês será um belo momento de manifestarmos esses ideais ao mundo!