Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2017

23 de Outubro de 2017

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12/02/2016 13:15 - Atualizado em 12/02/2016 13:15

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12/02/2016 13:15 - Atualizado em 12/02/2016 13:15

O primeiro domingo da Quaresma apresenta o relato evangélico da vitória de Cristo sobre as tentações diabólicas. Este episódio, narrado pelos três evangelistas sinóticos (cf. Mc 1,12-13; Mt 4,1-11; Lc 4,1-13), é uma das fortes inspirações para a Igreja vivenciar a sua preparação para a Páscoa. Ela reza no prefácio da Tentação do Senhor: “Jejuando 40 dias no deserto, Jesus consagrou a observância quaresmal”. O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a Igreja se une a cada ano, mediante os 40 dias da Grande Quaresma, ao mistério de Jesus no deserto” (CIC 540). De fato, a comunidade eclesial, impulsionada pelo Espírito Santo, participa do embate e do triunfo de Cristo sobre as forças do mal.

Seguindo o ritmo trienal do lecionário, nesta Quaresma, o Evangelho de São Lucas é proclamado na assembleia dominical. Uma das características mais marcantes do texto lucano sobre a tentação do Senhor se encontra neste versículo: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão, e, no deserto, Ele era guiado pelo Espírito Santo” (Lc 4,1). Embora São Marcos e São Mateus escrevam que o Espírito impelia/levou o Senhor ao deserto, nenhum dos dois dá uma ênfase tão grande ao papel do Pneuma quanto à narrativa do terceiro evangelho. Por duas vezes, o hagiógrafo destaca a atuação da unção divina na vida do Cristo. Aliás, a expressão “cheio do Espírito Santo”, em aberta alusão ao evento do Batismo no Jordão, revela a especial recepção da força divina pela humanidade de Jesus: “Pois n’Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9).

A Igreja percebeu a relação intrínseca entre a vida de Cristo e a dos cristãos, estabelecida nos Sacramentos de Iniciação – Batismo, Crisma e Eucaristia. O Espírito Santo sobre Jesus é o paradigma da compreensão da unção batismal-crismal sobre os fiéis. Desta maneira, a ida e a permanência do Senhor no deserto, sustentado pela potência do Espírito, se tornaram um sinal da vida pós-batismal de luta contra as forças dissonantes dentro do coração do fiel. Encontramos, assim, o testemunho da Tradição nas palavras de São João Crisóstomo: “Cristo vinha para ensinar-nos, e para isto fazia e padecia tudo. Por isso, quis ser levado ao deserto e entrar nesta batalha contra o demônio, para que cada um dos batizados, se após o batismo padecesse grandes tentações, não se perturbasse como se experimentasse o inesperado, mas permanecesse firme no padecer, pois tudo lhe aconteceria conforme a reta ordem das coisas”.

A grande tentação sofrida e rechaçada pelo Senhor diz respeito a sua identidade filial: “Se és filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão?” (Lc 4,3); “Se és Filho de Deus, atira-te para baixo?” (Lc 4,9) e, no tempo oportuno, diante do sinédrio, “És, portanto, o filho de Deus?” (Lc 22,70). O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a tentação de Jesus manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias – o oposto da que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe” (CIC 540). A filiação divina do Senhor se expressou dentro da categoria de servo obediente diante dos apelos demoníacos e humanos de um Messias glorioso, portentoso e poderoso: “Embora fosse o próprio Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento” (Hb 5,8).

Os fiéis, por ocasião de seu mergulho nas águas batismais, se tornam filhos de Deus. Santo Hilário confirma isso dizendo: “Tudo o que aconteceu com Cristo dá-nos conhecer que, depois da imersão na água, o Espírito Santo voa sobre nós do alto do céu e que, adotados pela voz do Pai, nos tornamos filhos de Deus”. Essa unção batismal nos coloca na esteira do servo obediente, consagrando-nos seus discípulos. Todavia, as forças do mal sempre se interpõem diante dos cristãos, abrindo vias divergentes ao plano divino. Diante disso, a Igreja reza assim numa das orações de coleta do tempo quaresmal: “que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal”. No relato das tentações sofridas por Jesus, o batizado encontra a si mesmo na sua condição de “cheio do Espírito Santo” e de “orante e vigilante” na luta para não cair em tentação e vir a esquecer-se da sua identidade de “filho amado de Deus”.

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12/02/2016 13:15 - Atualizado em 12/02/2016 13:15

O primeiro domingo da Quaresma apresenta o relato evangélico da vitória de Cristo sobre as tentações diabólicas. Este episódio, narrado pelos três evangelistas sinóticos (cf. Mc 1,12-13; Mt 4,1-11; Lc 4,1-13), é uma das fortes inspirações para a Igreja vivenciar a sua preparação para a Páscoa. Ela reza no prefácio da Tentação do Senhor: “Jejuando 40 dias no deserto, Jesus consagrou a observância quaresmal”. O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a Igreja se une a cada ano, mediante os 40 dias da Grande Quaresma, ao mistério de Jesus no deserto” (CIC 540). De fato, a comunidade eclesial, impulsionada pelo Espírito Santo, participa do embate e do triunfo de Cristo sobre as forças do mal.

Seguindo o ritmo trienal do lecionário, nesta Quaresma, o Evangelho de São Lucas é proclamado na assembleia dominical. Uma das características mais marcantes do texto lucano sobre a tentação do Senhor se encontra neste versículo: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão, e, no deserto, Ele era guiado pelo Espírito Santo” (Lc 4,1). Embora São Marcos e São Mateus escrevam que o Espírito impelia/levou o Senhor ao deserto, nenhum dos dois dá uma ênfase tão grande ao papel do Pneuma quanto à narrativa do terceiro evangelho. Por duas vezes, o hagiógrafo destaca a atuação da unção divina na vida do Cristo. Aliás, a expressão “cheio do Espírito Santo”, em aberta alusão ao evento do Batismo no Jordão, revela a especial recepção da força divina pela humanidade de Jesus: “Pois n’Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9).

A Igreja percebeu a relação intrínseca entre a vida de Cristo e a dos cristãos, estabelecida nos Sacramentos de Iniciação – Batismo, Crisma e Eucaristia. O Espírito Santo sobre Jesus é o paradigma da compreensão da unção batismal-crismal sobre os fiéis. Desta maneira, a ida e a permanência do Senhor no deserto, sustentado pela potência do Espírito, se tornaram um sinal da vida pós-batismal de luta contra as forças dissonantes dentro do coração do fiel. Encontramos, assim, o testemunho da Tradição nas palavras de São João Crisóstomo: “Cristo vinha para ensinar-nos, e para isto fazia e padecia tudo. Por isso, quis ser levado ao deserto e entrar nesta batalha contra o demônio, para que cada um dos batizados, se após o batismo padecesse grandes tentações, não se perturbasse como se experimentasse o inesperado, mas permanecesse firme no padecer, pois tudo lhe aconteceria conforme a reta ordem das coisas”.

A grande tentação sofrida e rechaçada pelo Senhor diz respeito a sua identidade filial: “Se és filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão?” (Lc 4,3); “Se és Filho de Deus, atira-te para baixo?” (Lc 4,9) e, no tempo oportuno, diante do sinédrio, “És, portanto, o filho de Deus?” (Lc 22,70). O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a tentação de Jesus manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias – o oposto da que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe” (CIC 540). A filiação divina do Senhor se expressou dentro da categoria de servo obediente diante dos apelos demoníacos e humanos de um Messias glorioso, portentoso e poderoso: “Embora fosse o próprio Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento” (Hb 5,8).

Os fiéis, por ocasião de seu mergulho nas águas batismais, se tornam filhos de Deus. Santo Hilário confirma isso dizendo: “Tudo o que aconteceu com Cristo dá-nos conhecer que, depois da imersão na água, o Espírito Santo voa sobre nós do alto do céu e que, adotados pela voz do Pai, nos tornamos filhos de Deus”. Essa unção batismal nos coloca na esteira do servo obediente, consagrando-nos seus discípulos. Todavia, as forças do mal sempre se interpõem diante dos cristãos, abrindo vias divergentes ao plano divino. Diante disso, a Igreja reza assim numa das orações de coleta do tempo quaresmal: “que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal”. No relato das tentações sofridas por Jesus, o batizado encontra a si mesmo na sua condição de “cheio do Espírito Santo” e de “orante e vigilante” na luta para não cair em tentação e vir a esquecer-se da sua identidade de “filho amado de Deus”.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida