Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

“(...) voltai para mim com todo o vosso coração....” (Jl 2,12)

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16 de Outubro de 2018

“(...) voltai para mim com todo o vosso coração....” (Jl 2,12)

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10/02/2016 00:00

“(...) voltai para mim com todo o vosso coração....” (Jl 2,12) 0

10/02/2016 00:00

Com esta Eucaristia, na quarta-feira de cinzas, tem início para nós um novo tempo no ciclo do ano litúrgico: o tempo da Quaresma.

A Quaresma, palavra de origem latina que significa “quarenta”, nos conduz a duas imagens bíblicas muito fortes: a primeira no AT, a caminhada do povo de Deus no deserto durante quarenta anos até atingir a terra prometida por Deus a Abraão; a segunda imagem está no NT e nela nós temos o próprio Cristo que é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo diabo durante quarenta dias.

A Quaresma é um tempo de purificação, de retorno para Deus, a fim de que possamos celebrar na alegria a Páscoa do Senhor. A primeira leitura, do livro do profeta Joel, nos apresenta bem esse chamado de Deus para nós, o chamado a nos voltarmos para Ele. Assim diz o profeta: “Agora, portanto, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”.

Este é o tempo da volta. Durante o ano tantas vezes vamos nos afastando de Deus. Ele nunca se afasta de nós, mas nós nos afastamos d’Ele tantas vezes... Tantas coisas vão se acumulando na nossa vida: apegos, busca desenfreada pelos prazeres deste mundo, ativismo, falta de oração, distrações que nos desviam do Senhor... Nossa vida vai se tornando enlouquecida, ficamos sem rumo. A Quaresma é o tempo de voltarmos à saúde do Espírito, de nos voltarmos para o Senhor, de rasgarmos diante d’Ele o nosso coração e de implorarmos a sua misericórdia. Ele é benigno, Ele é compassivo e cheio de misericórdia como nos diz o profeta, por isso podemos voltar sem medo. O Pai nos espera na Quaresma, para nos conceder o seu perdão, a sua misericórdia, mas nós precisamos querer voltar.

Paulo nos diz na segunda leitura que este é o “momento favorável, é agora o dia da salvação”; por isso, não adiemos a nossa volta para o Senhor. Não deixemos para amanhã. Voltemo-nos hoje para o Senhor nosso Deus. E o caminho da volta está apresentado no evangelho. Jesus é o esse caminho de volta para Deus, mas para seguir por esse caminho precisamos da oração, do jejum e da esmola. Jesus aqui critica duramente os hipócritas, ou seja, aqueles que praticam a oração, o jejum e a esmola só para serem vistos pelos outros; e Ele nos exorta a vivermos estas três práticas, na intimidade do nosso relacionamento com Deus a fim de recebermos d’Ele a recompensa.

Estas são as três práticas fundamentais da Quaresma: a oração, o jejum e a esmola.

A oração nos coloca de novo em comunhão com Deus. O pecado não nos pode afastar da oração, pelo contrário, aí é que precisamos ainda mais orar a fim de não continuarmos a cair em tentação. O Salmo 50 que hoje rezamos é uma pela demonstração de alguém que mesmo em pecado não fugiu da face amorosa do Senhor. Davi, depois de ter pecado contra o Senhor pelo adultério com Betsabéia e pelo assassinato de Urias, esposo de Betsabéia, não se afastou do Senhor, mas na sua presença fez essa oração, reconhecendo que estava sempre diante dos olhos do Senhor, mesmo no pecado: “fiz o que é mau aos vossos olhos...” Devemos intensificar a nossa vida de oração na quaresma. Uma oração bíblica, inspirada pela Palavra de Deus. Este é o tempo de redescobrirmos a Palavra de Deus na nossa oração pessoal. Este é o tempo de redescobrirmos o valor dos sacramentos, participando de maneira consciente do sacramento da penitência e de maneira ativa na celebração da Eucaristia. Este é o tempo de redescobrirmos o valor da oração em comum, participando daquelas atividades que nos são propostas pela comunidade.

O jejum é a segunda prática que nos é aconselhada pelo Senhor. Deus não precisa do nosso jejum como acham alguns. Deus não precisa do nosso sacrifício para nos conceder os bens que Ele deseja conceder. Ele criou o mundo inteiro sem que existíssemos. Todavia, nós precisamos jejuar. Por que precisamos jejuar? Para sermos senhores do nosso corpo. Muitas vezes é o nosso corpo que nos domina e começa a reinar na nossa vida a gula, a luxúria e a preguiça. Ao abrir mão do prazer dos alimentos, um prazer que não é pecaminoso, aprendemos a regular a nossa sede de prazer e nos tornamos senhores do nosso corpo. Tornando-nos senhores do nosso corpo nos fortalecemos na luta contra o pecado, porque aprendemos a não dar ao nosso corpo tudo o que Ele quer na hora em que Ele quer, ou seja, nos tornamos capazes de trabalhar quando não queremos, de controlar o que a gente vê na televisão e na internet para não cair em pecado, de controlar o nosso impulso sexual, em resumo, o jejum é um grande benefício para nossa saúde espiritual, porque ele fortalece a nossa vontade. Precisamos jejuar também de algumas coisas que nos trazem prazer além do alimento. Este é um excelente exercício para o tempo da quaresma, desde que ele seja realmente exercício e nos eduque a fim de possamos colher os frutos de tudo isso na Páscoa.

A esmola é o terceiro conselho que nos é dado pelo Senhor. Partilharmos aquilo o que possuímos, confiando em Deus que é o doador de todos os bens. As vezes nos tornamos escravos dos nossos bens, por menores que eles sejam; a esmola nos ensina a abrirmos mão de algo que nos pertence em favor do próximo e em última análise ela nos revela que nada do que temos aqui é realmente nosso, porque quando partirmos para o Pai não vamos levar nada do que acumulamos aqui. A esmola também deve ser vivida como um fruto do nosso jejum: o que deixamos de consumir, dividimos com o irmão necessitado.

Peçamos que na celebração da Eucaristia o Pai derrame sobre nós o Espírito Santo. Somente na força do Espírito podemos trilhar esse caminho. Estamos às vezes desanimados, porque percebemos que tantos bons propósitos da quaresma anterior não foram vividos corretamente. Mas, não deixemos de nos empenhar e de nos comprometer. Não deixemos o desânimo tomar conta de nós. Deixemos que o Espírito Santo tome conta de nós. Ele nos ajudará a trilhar esse deserto. Confiemos no Senhor, e deixemos que Ele crie em nós um coração puro e renovado como diz o salmista.

 

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“(...) voltai para mim com todo o vosso coração....” (Jl 2,12)

10/02/2016 00:00

Com esta Eucaristia, na quarta-feira de cinzas, tem início para nós um novo tempo no ciclo do ano litúrgico: o tempo da Quaresma.

A Quaresma, palavra de origem latina que significa “quarenta”, nos conduz a duas imagens bíblicas muito fortes: a primeira no AT, a caminhada do povo de Deus no deserto durante quarenta anos até atingir a terra prometida por Deus a Abraão; a segunda imagem está no NT e nela nós temos o próprio Cristo que é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo diabo durante quarenta dias.

A Quaresma é um tempo de purificação, de retorno para Deus, a fim de que possamos celebrar na alegria a Páscoa do Senhor. A primeira leitura, do livro do profeta Joel, nos apresenta bem esse chamado de Deus para nós, o chamado a nos voltarmos para Ele. Assim diz o profeta: “Agora, portanto, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”.

Este é o tempo da volta. Durante o ano tantas vezes vamos nos afastando de Deus. Ele nunca se afasta de nós, mas nós nos afastamos d’Ele tantas vezes... Tantas coisas vão se acumulando na nossa vida: apegos, busca desenfreada pelos prazeres deste mundo, ativismo, falta de oração, distrações que nos desviam do Senhor... Nossa vida vai se tornando enlouquecida, ficamos sem rumo. A Quaresma é o tempo de voltarmos à saúde do Espírito, de nos voltarmos para o Senhor, de rasgarmos diante d’Ele o nosso coração e de implorarmos a sua misericórdia. Ele é benigno, Ele é compassivo e cheio de misericórdia como nos diz o profeta, por isso podemos voltar sem medo. O Pai nos espera na Quaresma, para nos conceder o seu perdão, a sua misericórdia, mas nós precisamos querer voltar.

Paulo nos diz na segunda leitura que este é o “momento favorável, é agora o dia da salvação”; por isso, não adiemos a nossa volta para o Senhor. Não deixemos para amanhã. Voltemo-nos hoje para o Senhor nosso Deus. E o caminho da volta está apresentado no evangelho. Jesus é o esse caminho de volta para Deus, mas para seguir por esse caminho precisamos da oração, do jejum e da esmola. Jesus aqui critica duramente os hipócritas, ou seja, aqueles que praticam a oração, o jejum e a esmola só para serem vistos pelos outros; e Ele nos exorta a vivermos estas três práticas, na intimidade do nosso relacionamento com Deus a fim de recebermos d’Ele a recompensa.

Estas são as três práticas fundamentais da Quaresma: a oração, o jejum e a esmola.

A oração nos coloca de novo em comunhão com Deus. O pecado não nos pode afastar da oração, pelo contrário, aí é que precisamos ainda mais orar a fim de não continuarmos a cair em tentação. O Salmo 50 que hoje rezamos é uma pela demonstração de alguém que mesmo em pecado não fugiu da face amorosa do Senhor. Davi, depois de ter pecado contra o Senhor pelo adultério com Betsabéia e pelo assassinato de Urias, esposo de Betsabéia, não se afastou do Senhor, mas na sua presença fez essa oração, reconhecendo que estava sempre diante dos olhos do Senhor, mesmo no pecado: “fiz o que é mau aos vossos olhos...” Devemos intensificar a nossa vida de oração na quaresma. Uma oração bíblica, inspirada pela Palavra de Deus. Este é o tempo de redescobrirmos a Palavra de Deus na nossa oração pessoal. Este é o tempo de redescobrirmos o valor dos sacramentos, participando de maneira consciente do sacramento da penitência e de maneira ativa na celebração da Eucaristia. Este é o tempo de redescobrirmos o valor da oração em comum, participando daquelas atividades que nos são propostas pela comunidade.

O jejum é a segunda prática que nos é aconselhada pelo Senhor. Deus não precisa do nosso jejum como acham alguns. Deus não precisa do nosso sacrifício para nos conceder os bens que Ele deseja conceder. Ele criou o mundo inteiro sem que existíssemos. Todavia, nós precisamos jejuar. Por que precisamos jejuar? Para sermos senhores do nosso corpo. Muitas vezes é o nosso corpo que nos domina e começa a reinar na nossa vida a gula, a luxúria e a preguiça. Ao abrir mão do prazer dos alimentos, um prazer que não é pecaminoso, aprendemos a regular a nossa sede de prazer e nos tornamos senhores do nosso corpo. Tornando-nos senhores do nosso corpo nos fortalecemos na luta contra o pecado, porque aprendemos a não dar ao nosso corpo tudo o que Ele quer na hora em que Ele quer, ou seja, nos tornamos capazes de trabalhar quando não queremos, de controlar o que a gente vê na televisão e na internet para não cair em pecado, de controlar o nosso impulso sexual, em resumo, o jejum é um grande benefício para nossa saúde espiritual, porque ele fortalece a nossa vontade. Precisamos jejuar também de algumas coisas que nos trazem prazer além do alimento. Este é um excelente exercício para o tempo da quaresma, desde que ele seja realmente exercício e nos eduque a fim de possamos colher os frutos de tudo isso na Páscoa.

A esmola é o terceiro conselho que nos é dado pelo Senhor. Partilharmos aquilo o que possuímos, confiando em Deus que é o doador de todos os bens. As vezes nos tornamos escravos dos nossos bens, por menores que eles sejam; a esmola nos ensina a abrirmos mão de algo que nos pertence em favor do próximo e em última análise ela nos revela que nada do que temos aqui é realmente nosso, porque quando partirmos para o Pai não vamos levar nada do que acumulamos aqui. A esmola também deve ser vivida como um fruto do nosso jejum: o que deixamos de consumir, dividimos com o irmão necessitado.

Peçamos que na celebração da Eucaristia o Pai derrame sobre nós o Espírito Santo. Somente na força do Espírito podemos trilhar esse caminho. Estamos às vezes desanimados, porque percebemos que tantos bons propósitos da quaresma anterior não foram vividos corretamente. Mas, não deixemos de nos empenhar e de nos comprometer. Não deixemos o desânimo tomar conta de nós. Deixemos que o Espírito Santo tome conta de nós. Ele nos ajudará a trilhar esse deserto. Confiemos no Senhor, e deixemos que Ele crie em nós um coração puro e renovado como diz o salmista.

 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida