Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 16º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/09/2017

20 de Setembro de 2017

Jesus, o profeta prometido

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Jesus, o profeta prometido

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29/01/2016 14:51 - Atualizado em 29/01/2016 14:51

Jesus, o profeta prometido 0

29/01/2016 14:51 - Atualizado em 29/01/2016 14:51

Neste quarto domingo do Tempo Comum, a liturgia da palavra apresenta como narrativa evangélica o desfecho do episódio na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4,21-30). Jesus, participando do ofício sinagogal e guardando o dia de sábado, lê, explica e cumpre a profecia de Isaias sobre a chegada do tempo salvífico. Embora a reação da assembleia num primeiro momento tenha sido de admiração e espanto, logo se transformou em incredulidade. As palavras “cheias de graça” proferidas pelo Salvador encontraram o obstáculo intransponível da falta de fé no coração dos seus ouvintes.

Na verdade, a questão central da crise instaurada na sinagoga de Nazaré é a fé em Jesus Cristo. Ao dizer “hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir” (Lc 4,21), Ele se apresenta aos seus ouvintes como o profeta prometido por Deus ao povo de Israel. De fato, os seus concidadãos conheciam o oráculo de Is 61,1-2 e esperavam o seu cumprimento. Nele se anuncia a vinda de um profeta ungido, enviado por Deus, para trazer a salvação ao povo. Os participantes da assembleia, diante do anúncio do Senhor, precisavam se posicionar aceitando seu testemunho ou rejeitando-O como um blasfemador. Pelo desenrolar do relato, sabemos que a falta de fé na Palavra de Cristo imperou naquele dia: Ele foi expulso da cidade e levado para ser precipitado de um monte (cf. Lc 4,29).

Todavia, antes de ser expulso e conduzido ao alto do monte, Jesus tenta dialogar com os seus conterrâneos. Primeiramente, Ele percebe a incredulidade da assembleia diante de seu testemunho em função de conhecerem a sua origem: “Não é esse o filho de José?” (Lc 4,22). Depois, identifica o desejo deles de verem os prodígios e os milagres como uma confirmação da sua vocação profética: “Faze aqui também tudo o que ouvimos dizer que fizestes em Cafarnaum” (Lc 4,23). Por fim, busca dois exemplos proféticos do Primeiro Testamento – Elias e Eliseu – para estabelecer uma analogia capaz de trazer à tona a necessidade de crer na sua Palavra e em sua pessoa.

Os dois casos citados por Jesus se referem aos milagres realizados por Elias em favor da viúva de Sarepta – a farinha e o óleo e a ressurreição do seu filho (cf. 1Rs 17,7-24) – e por Eliseu – a cura do sírio leproso Naamã (cf. 2Rs 5,1-19). Neles, Deus intervém com seu poder, através dos profetas, em favor dos necessitados estrangeiros. O busílis é que a viúva e o sírio tiveram que crer na Palavra anunciada pelo profeta antes que o prodígio acontecesse. A esse respeito, diz o texto sobre a viúva, “Ela partiu e fez como Elias dissera; e comeram ela, ele e sua casa durante muito tempo” (1Rs 17,15), e sobre Naamã “desceu, pois e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme a ordem do homem de Deus; sua carne se tornou como de uma criança; ele estava purificado” (2Rs 5,14).

Pelo que lemos no Evangelho deste domingo, Jesus, o profeta prometido e enviado por Deus, pedia aos seus ouvintes a fé na sua pessoa e nas suas palavras. O desfecho do episódio da sinagoga de Nazaré é o drama do acolhimento ou da recusa do ensinamento testemunhado pelo Mestre da Galileia. Ainda, hoje, Cristo fala à sua Igreja quando essa se reúne em assembleia. As palavras cheias de graça ditas pelo Senhor alcançam o coração dos homens para gerar uma resposta efetiva de adesão e de amor. Todavia, a incredulidade ainda é uma reação que vem acompanhando os homens ao longo da história: “Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (Lc 4,24).

Cabe, para concluirmos, a exortação presente numa homilia do Papa Francisco sobre essa passagem de Lc 4,21-30: “O evangelho de São Lucas narra o encontro de Jesus com os seus conterrâneos, os moradores de Nazaré. Os nazarenos admiram Jesus, mas esperam d’Ele algo assombroso: Queriam um milagre, queriam um espetáculo para crer n’Ele. Desta maneira, Jesus diz que eles não têm fé, e eles se enfureceram muito. Vejam como a coisa mudou: começaram com beleza e admiração e terminaram com um crime. Isso não é algo que aconteceu há dois mil anos: isso acontece a cada dia em nosso coração, nas nossas comunidades”.


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Jesus, o profeta prometido

29/01/2016 14:51 - Atualizado em 29/01/2016 14:51

Neste quarto domingo do Tempo Comum, a liturgia da palavra apresenta como narrativa evangélica o desfecho do episódio na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4,21-30). Jesus, participando do ofício sinagogal e guardando o dia de sábado, lê, explica e cumpre a profecia de Isaias sobre a chegada do tempo salvífico. Embora a reação da assembleia num primeiro momento tenha sido de admiração e espanto, logo se transformou em incredulidade. As palavras “cheias de graça” proferidas pelo Salvador encontraram o obstáculo intransponível da falta de fé no coração dos seus ouvintes.

Na verdade, a questão central da crise instaurada na sinagoga de Nazaré é a fé em Jesus Cristo. Ao dizer “hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir” (Lc 4,21), Ele se apresenta aos seus ouvintes como o profeta prometido por Deus ao povo de Israel. De fato, os seus concidadãos conheciam o oráculo de Is 61,1-2 e esperavam o seu cumprimento. Nele se anuncia a vinda de um profeta ungido, enviado por Deus, para trazer a salvação ao povo. Os participantes da assembleia, diante do anúncio do Senhor, precisavam se posicionar aceitando seu testemunho ou rejeitando-O como um blasfemador. Pelo desenrolar do relato, sabemos que a falta de fé na Palavra de Cristo imperou naquele dia: Ele foi expulso da cidade e levado para ser precipitado de um monte (cf. Lc 4,29).

Todavia, antes de ser expulso e conduzido ao alto do monte, Jesus tenta dialogar com os seus conterrâneos. Primeiramente, Ele percebe a incredulidade da assembleia diante de seu testemunho em função de conhecerem a sua origem: “Não é esse o filho de José?” (Lc 4,22). Depois, identifica o desejo deles de verem os prodígios e os milagres como uma confirmação da sua vocação profética: “Faze aqui também tudo o que ouvimos dizer que fizestes em Cafarnaum” (Lc 4,23). Por fim, busca dois exemplos proféticos do Primeiro Testamento – Elias e Eliseu – para estabelecer uma analogia capaz de trazer à tona a necessidade de crer na sua Palavra e em sua pessoa.

Os dois casos citados por Jesus se referem aos milagres realizados por Elias em favor da viúva de Sarepta – a farinha e o óleo e a ressurreição do seu filho (cf. 1Rs 17,7-24) – e por Eliseu – a cura do sírio leproso Naamã (cf. 2Rs 5,1-19). Neles, Deus intervém com seu poder, através dos profetas, em favor dos necessitados estrangeiros. O busílis é que a viúva e o sírio tiveram que crer na Palavra anunciada pelo profeta antes que o prodígio acontecesse. A esse respeito, diz o texto sobre a viúva, “Ela partiu e fez como Elias dissera; e comeram ela, ele e sua casa durante muito tempo” (1Rs 17,15), e sobre Naamã “desceu, pois e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme a ordem do homem de Deus; sua carne se tornou como de uma criança; ele estava purificado” (2Rs 5,14).

Pelo que lemos no Evangelho deste domingo, Jesus, o profeta prometido e enviado por Deus, pedia aos seus ouvintes a fé na sua pessoa e nas suas palavras. O desfecho do episódio da sinagoga de Nazaré é o drama do acolhimento ou da recusa do ensinamento testemunhado pelo Mestre da Galileia. Ainda, hoje, Cristo fala à sua Igreja quando essa se reúne em assembleia. As palavras cheias de graça ditas pelo Senhor alcançam o coração dos homens para gerar uma resposta efetiva de adesão e de amor. Todavia, a incredulidade ainda é uma reação que vem acompanhando os homens ao longo da história: “Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (Lc 4,24).

Cabe, para concluirmos, a exortação presente numa homilia do Papa Francisco sobre essa passagem de Lc 4,21-30: “O evangelho de São Lucas narra o encontro de Jesus com os seus conterrâneos, os moradores de Nazaré. Os nazarenos admiram Jesus, mas esperam d’Ele algo assombroso: Queriam um milagre, queriam um espetáculo para crer n’Ele. Desta maneira, Jesus diz que eles não têm fé, e eles se enfureceram muito. Vejam como a coisa mudou: começaram com beleza e admiração e terminaram com um crime. Isso não é algo que aconteceu há dois mil anos: isso acontece a cada dia em nosso coração, nas nossas comunidades”.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida