Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2017

17 de Agosto de 2017

Jesus na sinagoga de Nazaré

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Jesus na sinagoga de Nazaré

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22/01/2016 00:00 - Atualizado em 25/01/2016 18:15

Jesus na sinagoga de Nazaré 0

22/01/2016 00:00 - Atualizado em 25/01/2016 18:15

A Igreja, celebrando a Eucaristia no terceiro domingo do tempo comum, apresenta Jesus na sinagoga de Nazaré. A narrativa bíblica nos afirma que, durante o ofício litúrgico do sábado, o Senhor leu e comentou o texto da profecia de Isaias, deixando os seus contemporâneos admirados com as suas palavras. O texto do Evangelho de Lucas legou para as posteriores comunidades cristãs um testemunho da relação entre o Cristo – Palavra encarnada – e a Escritura – Palavra escrita. A Tradição eclesial recebeu e elaborou certos temas teológicos dessa passagem, visto que, nela, Jesus, impulsionado pelo Espírito Santo, se revela como o leitor, o hermeneuta e o cumprimento das Divinas Letras. De fato, os estudiosos afirmam que esse episódio, narrado no terceiro evangelho, é o grande evento da instituição da liturgia cristã da Palavra.

Segundo a narração do Evangelho de Lucas, depois da unção recebida no Batismo e das vitórias sobre as tentações demoníacas no deserto, Jesus inicia o seu ministério de evangelizador, indo tomar parte no culto da sinagoga de Nazaré. Ele, obedecendo ao mandamento de santificar o sábado, compartilha da oração comunitária como todo judeu piedoso. Desta forma, seu primeiro ato público é a celebração da liturgia do seu povo. A reunião no sábado, a leitura/escuta, a meditação e a oração em torno dos textos do Antigo Testamento são marcas próprias da espiritualidade do primeiro povo de Deus. Contudo, a grande novidade surgiu quando, impulsionado pelo Espírito Santo, o Cristo assumiu e transformou as esperanças da Antiga Aliança em realidades da Nova e Eterna: “Hoje, se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lc 4,21).

Os evangelhos não foram escritos dentro de um gênero literário biográfico, mas visavam o anúncio da boa-nova da salvação aos seus ouvintes. O episódio da sinagoga de Nazaré reflete o desejo vivo da comunidade lucana de descobrir o modo cristão de ler e de interpretar as Escrituras Sagradas. Assim, temos de forma narrativa um testemunho das primeiras intuições catequético-mistagógicas sobre a liturgia da Palavra na Igreja apostólica: durante o culto litúrgico, se recebe o texto bíblico; o leitor o proclama para uma assembleia atenta; alguém autorizado o explica, mostrando a sua realização no mistério pascal de Cristo, no “hoje” salvífico.

A Igreja entende que aquilo que “era visível em nosso Salvador passou para seus mistérios” (S. Leão Magno, Serm. 74,2). A comunidade eclesial, por ser o Corpo Místico de Cristo, prolonga no tempo e no espaço o seu múnus de leitor, de interprete e de cumprimento da Palavra divina. Assim, em cada assembleia litúrgica, se atualiza a experiência fundamental da atuação de Jesus na sinagoga de Nazaré. A Constituição Litúrgica do Concílio Vaticano II ensina: “Está presente em sua Palavra, pois é Cristo que fala quando na Igreja se leem as Sagradas Escrituras. Está presente, por fim, quando a Igreja ora e salmodia” (SC 7). Mais recentemente, o Papa Bento XVI, na Exortação Pós-sinodal “Verbum Domini”, acrescentou “Em certo sentido, a hermenêutica da fé relativamente à Sagrada Escritura deve ter sempre como ponto de referência a liturgia, onde a Palavra de Deus é celebrada como palavra atual e viva: ‘A Igreja, na liturgia, segue fielmente o modo de ler e interpretar as Sagradas Escrituras seguido pelo próprio Cristo, quando, a partir do hoje’ do seu evento, exorta a perscrutar todas as Escrituras’ ” (VD 52).

Na liturgia, a proclamação da Escritura Sagrada se reveste de importância máxima. A Igreja possui um cuidado especial para que a voz de Deus seja ouvida, sacramentalmente, através da proclamação, da explicação e da atualização dos textos da Escritura. Na verdade, “a Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, como também o próprio Corpo do Senhor, sobretudo na Sagrada Liturgia, nunca deixou de tomar e de distribuir aos fieis, da mesa tanto da Palavra de Deus como do Corpo de Cristo, o pão da vida” (DV 21). A atuação de Jesus na sinagoga de Nazaré introduziu a leitura/escuta e a interpretação da Escritura em uma nova fase. Aquele “hoje” inaugurou um novo tempo no qual a Palavra Encarnada desvela aos homens o sentido da Palavra escrita.

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Jesus na sinagoga de Nazaré

22/01/2016 00:00 - Atualizado em 25/01/2016 18:15

A Igreja, celebrando a Eucaristia no terceiro domingo do tempo comum, apresenta Jesus na sinagoga de Nazaré. A narrativa bíblica nos afirma que, durante o ofício litúrgico do sábado, o Senhor leu e comentou o texto da profecia de Isaias, deixando os seus contemporâneos admirados com as suas palavras. O texto do Evangelho de Lucas legou para as posteriores comunidades cristãs um testemunho da relação entre o Cristo – Palavra encarnada – e a Escritura – Palavra escrita. A Tradição eclesial recebeu e elaborou certos temas teológicos dessa passagem, visto que, nela, Jesus, impulsionado pelo Espírito Santo, se revela como o leitor, o hermeneuta e o cumprimento das Divinas Letras. De fato, os estudiosos afirmam que esse episódio, narrado no terceiro evangelho, é o grande evento da instituição da liturgia cristã da Palavra.

Segundo a narração do Evangelho de Lucas, depois da unção recebida no Batismo e das vitórias sobre as tentações demoníacas no deserto, Jesus inicia o seu ministério de evangelizador, indo tomar parte no culto da sinagoga de Nazaré. Ele, obedecendo ao mandamento de santificar o sábado, compartilha da oração comunitária como todo judeu piedoso. Desta forma, seu primeiro ato público é a celebração da liturgia do seu povo. A reunião no sábado, a leitura/escuta, a meditação e a oração em torno dos textos do Antigo Testamento são marcas próprias da espiritualidade do primeiro povo de Deus. Contudo, a grande novidade surgiu quando, impulsionado pelo Espírito Santo, o Cristo assumiu e transformou as esperanças da Antiga Aliança em realidades da Nova e Eterna: “Hoje, se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lc 4,21).

Os evangelhos não foram escritos dentro de um gênero literário biográfico, mas visavam o anúncio da boa-nova da salvação aos seus ouvintes. O episódio da sinagoga de Nazaré reflete o desejo vivo da comunidade lucana de descobrir o modo cristão de ler e de interpretar as Escrituras Sagradas. Assim, temos de forma narrativa um testemunho das primeiras intuições catequético-mistagógicas sobre a liturgia da Palavra na Igreja apostólica: durante o culto litúrgico, se recebe o texto bíblico; o leitor o proclama para uma assembleia atenta; alguém autorizado o explica, mostrando a sua realização no mistério pascal de Cristo, no “hoje” salvífico.

A Igreja entende que aquilo que “era visível em nosso Salvador passou para seus mistérios” (S. Leão Magno, Serm. 74,2). A comunidade eclesial, por ser o Corpo Místico de Cristo, prolonga no tempo e no espaço o seu múnus de leitor, de interprete e de cumprimento da Palavra divina. Assim, em cada assembleia litúrgica, se atualiza a experiência fundamental da atuação de Jesus na sinagoga de Nazaré. A Constituição Litúrgica do Concílio Vaticano II ensina: “Está presente em sua Palavra, pois é Cristo que fala quando na Igreja se leem as Sagradas Escrituras. Está presente, por fim, quando a Igreja ora e salmodia” (SC 7). Mais recentemente, o Papa Bento XVI, na Exortação Pós-sinodal “Verbum Domini”, acrescentou “Em certo sentido, a hermenêutica da fé relativamente à Sagrada Escritura deve ter sempre como ponto de referência a liturgia, onde a Palavra de Deus é celebrada como palavra atual e viva: ‘A Igreja, na liturgia, segue fielmente o modo de ler e interpretar as Sagradas Escrituras seguido pelo próprio Cristo, quando, a partir do hoje’ do seu evento, exorta a perscrutar todas as Escrituras’ ” (VD 52).

Na liturgia, a proclamação da Escritura Sagrada se reveste de importância máxima. A Igreja possui um cuidado especial para que a voz de Deus seja ouvida, sacramentalmente, através da proclamação, da explicação e da atualização dos textos da Escritura. Na verdade, “a Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, como também o próprio Corpo do Senhor, sobretudo na Sagrada Liturgia, nunca deixou de tomar e de distribuir aos fieis, da mesa tanto da Palavra de Deus como do Corpo de Cristo, o pão da vida” (DV 21). A atuação de Jesus na sinagoga de Nazaré introduziu a leitura/escuta e a interpretação da Escritura em uma nova fase. Aquele “hoje” inaugurou um novo tempo no qual a Palavra Encarnada desvela aos homens o sentido da Palavra escrita.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida