Arquidiocese do Rio de Janeiro

23º 16º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/07/2019

18 de Julho de 2019

Jubileu da Misericórdia no Rio

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18 de Julho de 2019

Jubileu da Misericórdia no Rio

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17/12/2015 00:00 - Atualizado em 18/01/2016 14:39

Jubileu da Misericórdia no Rio 0

17/12/2015 00:00 - Atualizado em 18/01/2016 14:39

A Misericórdia é um tema muito presente ao longo de toda a Bíblia, desde o Antigo Testamento (o ḥesed ou o raḥămîm de Deus) até o Novo Testamento (o éleos/eleéōs de Deus), bem como nos Padres da Igreja (aqui podemos ressaltar a carta de São Policarpo aos Filipenses, 1,1: “A vós a misericórdia e a paz do Deus Onipotente e de Jesus Cristo, nosso Salvador”, e nos Documentos antigos e nos atuais da Igreja (Divis in misericórdia, de São João Paulo II, e a própria Misericordiae vultus, do Papa Francisco). A Igreja sempre se preocupou em ser canal da Misericórdia de Deus para os homens e mulheres ao longo da história da salvação, procurando ser Samaritana para seus filhos e filhas.

Tendo isso em vista, o Papa Francisco proclamou o Ano Santo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia no dia 11 de abril de 2015, com a Bula Misericordiae Vultus — “O Rosto da misericórdia do Pai é Jesus Cristo”. O Ano Santo, já iniciado na solenidade da Imaculada Conceição, será concluído na festa de Cristo Rei, aos 20 de novembro de 2016.

O Papa apresenta em poucas palavras o fundamento e razão do Ano Santo: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (MV, 1). A misericórdia é, pois, “o coração pulsante do evangelho” (MV, 1). O lema escolhido para esse jubileu é um chamado à vivência concreta da fé e a misericórdia: “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36).

O Papa estabelece que em todas as Dioceses, Santuários, Paróquias, Comunidades cristãs aconteça a celebração deste Ano Santo como um acontecimento extraordinário de graça e renovação espiritual. Além disso, o Santo Padre recomenda a revitalização das obras de misericórdia corporal e espiritual fixadas pela Igreja para entrarmos no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. As traduções são diferentes, porém podemos assim enumerar as obras de misericórdia corporal: dar comida aos famintos, bebida aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, visitar os doentes, visitar os cativos e enterrar os mortos. E, também, as obras de misericórdia espiritual: “Aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas inconvenientes, rezar pelos vivos e defuntos” (MV, 15).

Em várias arquidioceses e dioceses espalhadas pelo orbe católico celebrou-se a solene abertura do Ano Santo da Misericórdia. Aqui em nossa Arquidiocese sete igrejas tiveram suas Portas Santas abertas, ou seja, locais que representam, simbolicamente, uma porta por onde se passa como marca de transformação. São a marca de uma proposta de abandono dos velhos hábitos e busca pelo alcance da misericórdia de Deus e a mudança de vida.

O marco destas celebrações foi no último dia 13, momento em que foram abertas as Portas Santas nas Igrejas para isso escolhidas no Rio de Janeiro. A primeira celebração foi presidida por mim na Catedral de São Sebastião, às 10h. A missa foi precedida por um momento de oração e procissão com início às 8h30 na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa, situada na Rua da Lapa, no Centro, em direção à Catedral, onde celebrei a Missa após a abertura da Porta Santa e a proclamação do Ano Santo da Misericórdia.

As demais celebrações ocorreram nos outros locais: no Santuário do Cristo Redentor, no Corcovado, às 12h, com Dom Antonio Augusto Dias Duarte; no Santuário de Nossa Senhora da Penha, na Penha, às 16h, com Dom Roque Costa Souza; no Santuário de Nossa Senhora de Schoenstatt, em Vargem Pequena, às 16h, com Dom Karl Josef Romer; na Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, às 18h, também comigo; na Igreja Coração Eucarístico, em Santíssimo, às 18h, com Dom Luís Henrique da Silva Brito; e no Santuário da Divina Misericórdia, em Vila Valqueire, às 19h30, com Dom Paulo Cezar Costa.

No dia 13, ao final da missa, apresentei a toda a Arquidiocese a minha 4ª Carta Pastoral. Esta tem como tema: “Com misericórdia olhou para ele e o escolheu” (expressão que São Beda utiliza ao comentar a escolha de Mateus para o grupo dos Doze Apóstolos (Mt 9,9), ao afirmar que foi com misericórdia que Jesus olhou para Mateus e o escolheu, apesar de seus pecados como cobrador de impostos). Faço o convite aqui para todos lerem e refletirem, individualmente e/ou em grupos, a Carta Pastoral e se colocarem numa condição de acolhedor. Acolher a misericórdia em sua vida e ser este rosto de misericórdia para o próximo.

Além das peregrinações propostas pela nossa Carta Pastoral, coloquei na Carta os gestos concretos, todos muito diretamente ligados à misericórdia tanto acolhida quanto transmitida. Os gestos são os seguintes: 1) Atitude de escuta; 2) Escolas de Perdão e Reconciliação; 3) Mediação de conflitos e 4) Colaboração na reinserção humana e social dos jovens egressos das medidas socioeducativas.

Portanto, aprendamos nesse Ano Santo da Misericórdia a ser misericordiosos uns com os outros para merecermos a misericórdia de Deus. 


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Jubileu da Misericórdia no Rio

17/12/2015 00:00 - Atualizado em 18/01/2016 14:39

A Misericórdia é um tema muito presente ao longo de toda a Bíblia, desde o Antigo Testamento (o ḥesed ou o raḥămîm de Deus) até o Novo Testamento (o éleos/eleéōs de Deus), bem como nos Padres da Igreja (aqui podemos ressaltar a carta de São Policarpo aos Filipenses, 1,1: “A vós a misericórdia e a paz do Deus Onipotente e de Jesus Cristo, nosso Salvador”, e nos Documentos antigos e nos atuais da Igreja (Divis in misericórdia, de São João Paulo II, e a própria Misericordiae vultus, do Papa Francisco). A Igreja sempre se preocupou em ser canal da Misericórdia de Deus para os homens e mulheres ao longo da história da salvação, procurando ser Samaritana para seus filhos e filhas.

Tendo isso em vista, o Papa Francisco proclamou o Ano Santo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia no dia 11 de abril de 2015, com a Bula Misericordiae Vultus — “O Rosto da misericórdia do Pai é Jesus Cristo”. O Ano Santo, já iniciado na solenidade da Imaculada Conceição, será concluído na festa de Cristo Rei, aos 20 de novembro de 2016.

O Papa apresenta em poucas palavras o fundamento e razão do Ano Santo: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (MV, 1). A misericórdia é, pois, “o coração pulsante do evangelho” (MV, 1). O lema escolhido para esse jubileu é um chamado à vivência concreta da fé e a misericórdia: “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36).

O Papa estabelece que em todas as Dioceses, Santuários, Paróquias, Comunidades cristãs aconteça a celebração deste Ano Santo como um acontecimento extraordinário de graça e renovação espiritual. Além disso, o Santo Padre recomenda a revitalização das obras de misericórdia corporal e espiritual fixadas pela Igreja para entrarmos no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. As traduções são diferentes, porém podemos assim enumerar as obras de misericórdia corporal: dar comida aos famintos, bebida aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, visitar os doentes, visitar os cativos e enterrar os mortos. E, também, as obras de misericórdia espiritual: “Aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas inconvenientes, rezar pelos vivos e defuntos” (MV, 15).

Em várias arquidioceses e dioceses espalhadas pelo orbe católico celebrou-se a solene abertura do Ano Santo da Misericórdia. Aqui em nossa Arquidiocese sete igrejas tiveram suas Portas Santas abertas, ou seja, locais que representam, simbolicamente, uma porta por onde se passa como marca de transformação. São a marca de uma proposta de abandono dos velhos hábitos e busca pelo alcance da misericórdia de Deus e a mudança de vida.

O marco destas celebrações foi no último dia 13, momento em que foram abertas as Portas Santas nas Igrejas para isso escolhidas no Rio de Janeiro. A primeira celebração foi presidida por mim na Catedral de São Sebastião, às 10h. A missa foi precedida por um momento de oração e procissão com início às 8h30 na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa, situada na Rua da Lapa, no Centro, em direção à Catedral, onde celebrei a Missa após a abertura da Porta Santa e a proclamação do Ano Santo da Misericórdia.

As demais celebrações ocorreram nos outros locais: no Santuário do Cristo Redentor, no Corcovado, às 12h, com Dom Antonio Augusto Dias Duarte; no Santuário de Nossa Senhora da Penha, na Penha, às 16h, com Dom Roque Costa Souza; no Santuário de Nossa Senhora de Schoenstatt, em Vargem Pequena, às 16h, com Dom Karl Josef Romer; na Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, às 18h, também comigo; na Igreja Coração Eucarístico, em Santíssimo, às 18h, com Dom Luís Henrique da Silva Brito; e no Santuário da Divina Misericórdia, em Vila Valqueire, às 19h30, com Dom Paulo Cezar Costa.

No dia 13, ao final da missa, apresentei a toda a Arquidiocese a minha 4ª Carta Pastoral. Esta tem como tema: “Com misericórdia olhou para ele e o escolheu” (expressão que São Beda utiliza ao comentar a escolha de Mateus para o grupo dos Doze Apóstolos (Mt 9,9), ao afirmar que foi com misericórdia que Jesus olhou para Mateus e o escolheu, apesar de seus pecados como cobrador de impostos). Faço o convite aqui para todos lerem e refletirem, individualmente e/ou em grupos, a Carta Pastoral e se colocarem numa condição de acolhedor. Acolher a misericórdia em sua vida e ser este rosto de misericórdia para o próximo.

Além das peregrinações propostas pela nossa Carta Pastoral, coloquei na Carta os gestos concretos, todos muito diretamente ligados à misericórdia tanto acolhida quanto transmitida. Os gestos são os seguintes: 1) Atitude de escuta; 2) Escolas de Perdão e Reconciliação; 3) Mediação de conflitos e 4) Colaboração na reinserção humana e social dos jovens egressos das medidas socioeducativas.

Portanto, aprendamos nesse Ano Santo da Misericórdia a ser misericordiosos uns com os outros para merecermos a misericórdia de Deus. 


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro