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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 29/03/2017

29 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (27): Interpretação e tradução da Bíblia

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29 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (27): Interpretação e tradução da Bíblia

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03/01/2016 00:00 - Atualizado em 13/01/2016 17:57

A Palavra de Deus na Bíblia (27): Interpretação e tradução da Bíblia 0

03/01/2016 00:00 - Atualizado em 13/01/2016 17:57

Damos prosseguimento à leitura seletiva do documento “A interpretação da Bíblia na Igreja” (1993) da Pontifícia Comissão Bíblica.

A aceitação do magistério de uma visão científica na interpretação da Bíblia nunca foi, porém, unanimemente aceita, ao menos, como um elemento isento de discussões e dúvidas. O método ‘histórico-crítico’ trazia suspeitas e discussões acirradas dentro da Igreja Católica.

Mas, ao mesmo tempo em que o método científico mais divulgado — o método “histórico-crítico” — é praticado correntemente em exegese, inclusive na exegese católica, ele mesmo encontra-se em discussão: de um lado, no próprio mundo científico, pela aparição de outros métodos e abordagens, e, de outro lado, pelas críticas de numerosos cristãos que o julgam deficiente do ponto de vista da fé. Particularmente atento, como seu nome o indica, à evolução histórica dos textos ou das tradições através do tempo — ou diacronia — o método histórico-crítico encontra-se atualmente em concorrência, em alguns ambientes, com métodos que insistem na compreensão sincrônica dos textos, tratando-se da língua, da composição, da trama narrativa ou do esforço de persuasão deles1.

A questão da sincronia, ler os textos em sua forma atual (canônica) ou da diacronia, isto é, reconstruir os textos, a partir de hipotéticas de sua construção evolutiva ao longo dos tempos, como sugerem em particular os textos do Antigo Testamento?

Além disso, o cuidado que os métodos diacrônicos têm em reconstituir o passado, para muitos é substituído pela tendência de interrogar os textos colocando-os em perspectivas do tempo presente, seja de ordem filosófica, psicanalítica, sociológica, política, etc. Esse pluralismo de métodos e abordagens é apreciado por alguns como um indício de riqueza, mas a outros ele dá a impressão de uma grande confusão.

 Os conflitos se colocam nos termos de uma dúvida, se a visão científica da Bíblia aplicada em sua leitura trazia aos fiéis algum enriquecimento na sua compreensão ou difundiam confusão na compreensão destes livros?

“Real ou aparente, essa confusão traz novos argumentos aos adversários da exegese científica. O conflito das interpretações manifesta, segundo eles, que não se ganha nada submetendo os textos bíblicos às exigências dos métodos científicos, mas, ao contrário, perde-se bastante. Eles sublinham que a exegese científica obtém como resultado o provocar perplexidade e dúvida sobre inumeráveis pontos que, até então, eram admitidos pacificamente; que ele força alguns exegetas a tomar posições contrárias à fé da Igreja sobre questões de grande importância, como a concepção virginal de Jesus e seus milagres, e até mesmo sua ressurreição e sua divindade”2.

Seria o papel da exegese científica causar ‘provocar perplexidade e dúvida’? Temas fundamentais da fé viriam afetados gravemente pela análise histórico-crítica da Bíblia? Os adversários dizem que além destas questões, este método não enriquece a vida espiritual dos fiéis que leem a Bíblia cientificamente.

“Mesmo quando não finaliza em tais negações, a exegese científica se caracteriza, segundo eles, pela sua esterilidade no que concerne o progresso da vida cristã. Ao invés de permitir um acesso mais fácil e mais seguro às fontes vivas da Palavra de Deus, ela faz da Bíblia um livro fechado, cuja interpretação sempre problemática exige técnicas refinadas fazendo dela um domínio reservado a alguns especialistas. A estes, alguns aplicam a frase do Evangelho: “Tomastes a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes e impedistes os que queriam entrar!” (Lc 11,52; cf Mt 23,13).

Em consequência, ao paciente labor do exegeta científico estima-se necessário substituir abordagens mais simples, como uma ou outra prática de leitura sincrônica que se considera como suficiente, ou mesmo, renunciando a todo estudo, preconiza-se uma leitura da Bíblia dita “espiritual”, entendendo-se pela expressão uma leitura unicamente guiada pela inspiração pessoal subjetiva e destinada a alimentar esta inspiração.

Alguns procuram na Bíblia, sobretudo o Cristo da visão pessoal deles e a satisfação da religiosidade espontânea que têm.

Outros pretendem encontrar nela respostas diretas a toda sorte de questões, pessoais ou coletivas. Numerosas são as seitas que propõem como única verdadeira uma interpretação da qual elas afirmam terem tido a revelação.

Problemas que nos levam a continuar a refletir sobre os melhores caminhos para a Leitura e a Interpretação corretas e frutuosas das Sagradas Escrituras!

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

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A Palavra de Deus na Bíblia (27): Interpretação e tradução da Bíblia

03/01/2016 00:00 - Atualizado em 13/01/2016 17:57

Damos prosseguimento à leitura seletiva do documento “A interpretação da Bíblia na Igreja” (1993) da Pontifícia Comissão Bíblica.

A aceitação do magistério de uma visão científica na interpretação da Bíblia nunca foi, porém, unanimemente aceita, ao menos, como um elemento isento de discussões e dúvidas. O método ‘histórico-crítico’ trazia suspeitas e discussões acirradas dentro da Igreja Católica.

Mas, ao mesmo tempo em que o método científico mais divulgado — o método “histórico-crítico” — é praticado correntemente em exegese, inclusive na exegese católica, ele mesmo encontra-se em discussão: de um lado, no próprio mundo científico, pela aparição de outros métodos e abordagens, e, de outro lado, pelas críticas de numerosos cristãos que o julgam deficiente do ponto de vista da fé. Particularmente atento, como seu nome o indica, à evolução histórica dos textos ou das tradições através do tempo — ou diacronia — o método histórico-crítico encontra-se atualmente em concorrência, em alguns ambientes, com métodos que insistem na compreensão sincrônica dos textos, tratando-se da língua, da composição, da trama narrativa ou do esforço de persuasão deles1.

A questão da sincronia, ler os textos em sua forma atual (canônica) ou da diacronia, isto é, reconstruir os textos, a partir de hipotéticas de sua construção evolutiva ao longo dos tempos, como sugerem em particular os textos do Antigo Testamento?

Além disso, o cuidado que os métodos diacrônicos têm em reconstituir o passado, para muitos é substituído pela tendência de interrogar os textos colocando-os em perspectivas do tempo presente, seja de ordem filosófica, psicanalítica, sociológica, política, etc. Esse pluralismo de métodos e abordagens é apreciado por alguns como um indício de riqueza, mas a outros ele dá a impressão de uma grande confusão.

 Os conflitos se colocam nos termos de uma dúvida, se a visão científica da Bíblia aplicada em sua leitura trazia aos fiéis algum enriquecimento na sua compreensão ou difundiam confusão na compreensão destes livros?

“Real ou aparente, essa confusão traz novos argumentos aos adversários da exegese científica. O conflito das interpretações manifesta, segundo eles, que não se ganha nada submetendo os textos bíblicos às exigências dos métodos científicos, mas, ao contrário, perde-se bastante. Eles sublinham que a exegese científica obtém como resultado o provocar perplexidade e dúvida sobre inumeráveis pontos que, até então, eram admitidos pacificamente; que ele força alguns exegetas a tomar posições contrárias à fé da Igreja sobre questões de grande importância, como a concepção virginal de Jesus e seus milagres, e até mesmo sua ressurreição e sua divindade”2.

Seria o papel da exegese científica causar ‘provocar perplexidade e dúvida’? Temas fundamentais da fé viriam afetados gravemente pela análise histórico-crítica da Bíblia? Os adversários dizem que além destas questões, este método não enriquece a vida espiritual dos fiéis que leem a Bíblia cientificamente.

“Mesmo quando não finaliza em tais negações, a exegese científica se caracteriza, segundo eles, pela sua esterilidade no que concerne o progresso da vida cristã. Ao invés de permitir um acesso mais fácil e mais seguro às fontes vivas da Palavra de Deus, ela faz da Bíblia um livro fechado, cuja interpretação sempre problemática exige técnicas refinadas fazendo dela um domínio reservado a alguns especialistas. A estes, alguns aplicam a frase do Evangelho: “Tomastes a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes e impedistes os que queriam entrar!” (Lc 11,52; cf Mt 23,13).

Em consequência, ao paciente labor do exegeta científico estima-se necessário substituir abordagens mais simples, como uma ou outra prática de leitura sincrônica que se considera como suficiente, ou mesmo, renunciando a todo estudo, preconiza-se uma leitura da Bíblia dita “espiritual”, entendendo-se pela expressão uma leitura unicamente guiada pela inspiração pessoal subjetiva e destinada a alimentar esta inspiração.

Alguns procuram na Bíblia, sobretudo o Cristo da visão pessoal deles e a satisfação da religiosidade espontânea que têm.

Outros pretendem encontrar nela respostas diretas a toda sorte de questões, pessoais ou coletivas. Numerosas são as seitas que propõem como única verdadeira uma interpretação da qual elas afirmam terem tido a revelação.

Problemas que nos levam a continuar a refletir sobre os melhores caminhos para a Leitura e a Interpretação corretas e frutuosas das Sagradas Escrituras!

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica