Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/05/2019

22 de Maio de 2019

A Liturgia das Horas

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

22 de Maio de 2019

A Liturgia das Horas

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

10/01/2016 17:16 - Atualizado em 10/01/2016 17:16

A Liturgia das Horas 0

10/01/2016 17:16 - Atualizado em 10/01/2016 17:16

A oração é a expressão mais preciosa do culto prestado a Deus pelo homem. É a nossa comunicação com o divino. Esta comunicação pode dar-se de várias formas: em forma de pergunta, em que o homem interroga sobre Deus, o homem, o bem e o mal, sobre a realidade que existe. A oração pode ser em forma de resposta, em que o homem se reconhece criatura agraciada, admira-se, adora, louva, reconcilia-se consigo mesmo, com Deus, com o próximo e com toda a realidade criada. Ainda perde perdão e intercede. Jesus também rezou e nos ensinou a rezar, seja com os Salmos, seja com a conversa com o Pai.

Os meios, os exercícios pelos quais o homem busca e expressa a sua comunhão com Deus constituem a espiritualidade. Ela será cristã quando se realizam por Cristo e em Cristo. Estas formas de manifestação de comunhão com Deus, que também podemos chamar de oração, têm dupla expressão:

Primeiro, uma forma individual ou particular. Temos, então, a meditação, o exame de consciência, a leitura espiritual, as obras de misericórdia, o trabalho e orações em fórmulas espontâneas. A esta forma individual são chamados todos os homens. A outra é a expressão comunitária ou eclesial. Aí temos os sete Sacramentos, que serão sempre uma forma de comunhão com Deus para toda a Igreja. Todos celebram os Sacramentos. Depois, as festas, a celebração da Palavra de Deus, os jubileus, a profissão religiosa, as bênçãos, as exéquias e, de modo especial, a oração comunitária.

Esta oração comunitária pode expressar-se numa forma institucional, oficial, como a Liturgia das Horas ou Ofício Divino, e pode ter também uma expressão popular, como o Rosário, o Ângelus, a Via-Sacra, a Bênção do Santíssimo, as orações da manhã, da noite, às refeições, ao sair em viagem.

As duas formas se completam na vivência da vida cristã. São dois modos de nos comunicarmos com Deus, de viver o mistério dessa comunhão. A oração comunitária da Igreja, ou Liturgia das Horas, tem sua origem na oração do povo de Deus no Antigo Testamento. O novo da Liturgia das Horas é o conteúdo cristão.

Temos, então, o louvor vespertino e o louvor matinal. Vespertino e matinal por que o povo de Israel compreendia assim o tempo. O dia festivo começava na véspera. Era a experiência da Páscoa, a experiência da noite e do dia, da passagem das trevas para a luz. Assim, a oração da tarde era a ação de graças elevada a Deus pelos benefícios recebidos na história do povo eleito. Comemorava-se, sobretudo, a Páscoa da libertação do Egito. Esta oração era chamada “shemá” vespertino. Para nós é a alegria da resposta de Maria que canta as maravilhas de Deus em sua vida, é um atualizar essa experiência.

A oração da manhã, ou louvor matinal, consistia na ação de graças a Deus que comemorava, sobretudo, a ação de Deus na história do povo sob o aspecto da Aliança. Nesta ação de graças evocam-se as diversas alianças de Deus: a aliança da criação do mundo e do homem; a aliança do Sinai e a aliança que Deus renova cada dia com o seu povo. A ação de graças pela Páscoa da Aliança era chamada de “shemá” matutino. Para nós é a alegria da ressurreição, que acontece na madrugada do primeiro dia da semana, e da qual fazemos memória sempre.

No Novo Testamento, o exemplo de oração é Jesus Cristo. Ele, em sua vida, foi a oração personificada por que intimamente unido ao Pai. E praticou também o exercício da oração de muitos modos. Seguia certamente a prática da oração de seu povo, que duas vezes por dia elevava a Deus suas preces de ação de graças em comunhão com os sacrifícios do Templo. Pela tarde, para dar graças a Deus pelos benefícios recebidos, sobretudo na libertação da escravidão do Egito, até chegar à Terra Prometida. Pela manhã louvava a Deus pelos benefícios manifestados nas alianças da criação, do Sinai e do alimento de cada dia.

Sabemos que por várias vezes Jesus retirava-se para lugares solitários e as montanhas para orar ao Pai. Realiza-se aí o grande diálogo de salvação entre Deus e a humanidade. Em Jesus Cristo a humanidade dialoga com Deus, entra em comunhão com Deus. E Jesus ensina: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18, 20). Na Última Ceia Jesus dá graças e acrescenta: “Fazei isto em memória de mim”. O novo conteúdo da oração ensinada por Cristo é o Reino de Deus, é sua própria pessoa, é a Páscoa cristã.

A oração de Cristo se prolonga e se torna presente na Oração da Igreja. A Igreja dos primeiros dias compreendeu bem que ela era uma comunidade de oração. Nos momentos importantes de sua vida, ela se põe em oração. A Liturgia das Horas se insere fundamentalmente no dia litúrgico; constitui uma experiência do mistério pascal na experiência diária do tempo, capaz de evocar o Mistério Pascal de Cristo e seus membros. Podemos dizer, então, que a Liturgia das Horas é uma experiência diária do Mistério Pascal a partir do ritmo do dia. É o louvor da Igreja pelo mistério de Cristo, a partir da luz para santificar de modo especial o tempo.

Assim, as Laudes, ou oração da manhã, evocam de modo particular a Ressurreição do Senhor e a nossa ressurreição com Ele. As Vésperas, ou oração da tarde, evocam, sobretudo, a morte do Senhor. A oração durante o dia (ou os três momentos: terça, sexta e noa), o mistério da vida da Igreja, animada pelo Espírito Santo. O Ofício das Leituras constitui uma Vigília orante que não mais está ligada ao tempo do dia; quer ser uma meditação orante da Bíblia. Temos, assim, as divisões das orações: Ofício Divino, Leituras, Laudes, Hora-Média (ou 3 momentos), Vésperas e Completas. Dessa forma vamos santificando o dia nos seus vários momentos.

A Liturgia ao longo do tempo ficou mais reservada ao clero e aos monges. Os fiéis em geral se contentavam em subsidiar esta oração, até que encontram sua forma apropriada nas devoções. Apesar disso, muitas paróquias ainda conservaram a tradição da Oração do Ofício Divino com o povo ao menos em dois momentos do dia (manhã e tarde). Hoje, a Igreja toda deseja e insiste para que a Liturgia das Horas seja celebrada por todos os cristãos. Vamos intensificar neste ano da misericórdia a Liturgia das Horas. Façamos esta bela experiência de rezar. Rezar sem cessar, colocar-se diante do Senhor nas diversas horas do dia, escutar o Senhor na Lectio Divina, eis uma boa direção a ser conquistada neste Ano da Misericórdia.
Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

A Liturgia das Horas

10/01/2016 17:16 - Atualizado em 10/01/2016 17:16

A oração é a expressão mais preciosa do culto prestado a Deus pelo homem. É a nossa comunicação com o divino. Esta comunicação pode dar-se de várias formas: em forma de pergunta, em que o homem interroga sobre Deus, o homem, o bem e o mal, sobre a realidade que existe. A oração pode ser em forma de resposta, em que o homem se reconhece criatura agraciada, admira-se, adora, louva, reconcilia-se consigo mesmo, com Deus, com o próximo e com toda a realidade criada. Ainda perde perdão e intercede. Jesus também rezou e nos ensinou a rezar, seja com os Salmos, seja com a conversa com o Pai.

Os meios, os exercícios pelos quais o homem busca e expressa a sua comunhão com Deus constituem a espiritualidade. Ela será cristã quando se realizam por Cristo e em Cristo. Estas formas de manifestação de comunhão com Deus, que também podemos chamar de oração, têm dupla expressão:

Primeiro, uma forma individual ou particular. Temos, então, a meditação, o exame de consciência, a leitura espiritual, as obras de misericórdia, o trabalho e orações em fórmulas espontâneas. A esta forma individual são chamados todos os homens. A outra é a expressão comunitária ou eclesial. Aí temos os sete Sacramentos, que serão sempre uma forma de comunhão com Deus para toda a Igreja. Todos celebram os Sacramentos. Depois, as festas, a celebração da Palavra de Deus, os jubileus, a profissão religiosa, as bênçãos, as exéquias e, de modo especial, a oração comunitária.

Esta oração comunitária pode expressar-se numa forma institucional, oficial, como a Liturgia das Horas ou Ofício Divino, e pode ter também uma expressão popular, como o Rosário, o Ângelus, a Via-Sacra, a Bênção do Santíssimo, as orações da manhã, da noite, às refeições, ao sair em viagem.

As duas formas se completam na vivência da vida cristã. São dois modos de nos comunicarmos com Deus, de viver o mistério dessa comunhão. A oração comunitária da Igreja, ou Liturgia das Horas, tem sua origem na oração do povo de Deus no Antigo Testamento. O novo da Liturgia das Horas é o conteúdo cristão.

Temos, então, o louvor vespertino e o louvor matinal. Vespertino e matinal por que o povo de Israel compreendia assim o tempo. O dia festivo começava na véspera. Era a experiência da Páscoa, a experiência da noite e do dia, da passagem das trevas para a luz. Assim, a oração da tarde era a ação de graças elevada a Deus pelos benefícios recebidos na história do povo eleito. Comemorava-se, sobretudo, a Páscoa da libertação do Egito. Esta oração era chamada “shemá” vespertino. Para nós é a alegria da resposta de Maria que canta as maravilhas de Deus em sua vida, é um atualizar essa experiência.

A oração da manhã, ou louvor matinal, consistia na ação de graças a Deus que comemorava, sobretudo, a ação de Deus na história do povo sob o aspecto da Aliança. Nesta ação de graças evocam-se as diversas alianças de Deus: a aliança da criação do mundo e do homem; a aliança do Sinai e a aliança que Deus renova cada dia com o seu povo. A ação de graças pela Páscoa da Aliança era chamada de “shemá” matutino. Para nós é a alegria da ressurreição, que acontece na madrugada do primeiro dia da semana, e da qual fazemos memória sempre.

No Novo Testamento, o exemplo de oração é Jesus Cristo. Ele, em sua vida, foi a oração personificada por que intimamente unido ao Pai. E praticou também o exercício da oração de muitos modos. Seguia certamente a prática da oração de seu povo, que duas vezes por dia elevava a Deus suas preces de ação de graças em comunhão com os sacrifícios do Templo. Pela tarde, para dar graças a Deus pelos benefícios recebidos, sobretudo na libertação da escravidão do Egito, até chegar à Terra Prometida. Pela manhã louvava a Deus pelos benefícios manifestados nas alianças da criação, do Sinai e do alimento de cada dia.

Sabemos que por várias vezes Jesus retirava-se para lugares solitários e as montanhas para orar ao Pai. Realiza-se aí o grande diálogo de salvação entre Deus e a humanidade. Em Jesus Cristo a humanidade dialoga com Deus, entra em comunhão com Deus. E Jesus ensina: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18, 20). Na Última Ceia Jesus dá graças e acrescenta: “Fazei isto em memória de mim”. O novo conteúdo da oração ensinada por Cristo é o Reino de Deus, é sua própria pessoa, é a Páscoa cristã.

A oração de Cristo se prolonga e se torna presente na Oração da Igreja. A Igreja dos primeiros dias compreendeu bem que ela era uma comunidade de oração. Nos momentos importantes de sua vida, ela se põe em oração. A Liturgia das Horas se insere fundamentalmente no dia litúrgico; constitui uma experiência do mistério pascal na experiência diária do tempo, capaz de evocar o Mistério Pascal de Cristo e seus membros. Podemos dizer, então, que a Liturgia das Horas é uma experiência diária do Mistério Pascal a partir do ritmo do dia. É o louvor da Igreja pelo mistério de Cristo, a partir da luz para santificar de modo especial o tempo.

Assim, as Laudes, ou oração da manhã, evocam de modo particular a Ressurreição do Senhor e a nossa ressurreição com Ele. As Vésperas, ou oração da tarde, evocam, sobretudo, a morte do Senhor. A oração durante o dia (ou os três momentos: terça, sexta e noa), o mistério da vida da Igreja, animada pelo Espírito Santo. O Ofício das Leituras constitui uma Vigília orante que não mais está ligada ao tempo do dia; quer ser uma meditação orante da Bíblia. Temos, assim, as divisões das orações: Ofício Divino, Leituras, Laudes, Hora-Média (ou 3 momentos), Vésperas e Completas. Dessa forma vamos santificando o dia nos seus vários momentos.

A Liturgia ao longo do tempo ficou mais reservada ao clero e aos monges. Os fiéis em geral se contentavam em subsidiar esta oração, até que encontram sua forma apropriada nas devoções. Apesar disso, muitas paróquias ainda conservaram a tradição da Oração do Ofício Divino com o povo ao menos em dois momentos do dia (manhã e tarde). Hoje, a Igreja toda deseja e insiste para que a Liturgia das Horas seja celebrada por todos os cristãos. Vamos intensificar neste ano da misericórdia a Liturgia das Horas. Façamos esta bela experiência de rezar. Rezar sem cessar, colocar-se diante do Senhor nas diversas horas do dia, escutar o Senhor na Lectio Divina, eis uma boa direção a ser conquistada neste Ano da Misericórdia.
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro