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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

Ele nasceu para todos!

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14 de Novembro de 2019

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01/01/2016 00:00 - Atualizado em 04/01/2016 18:15

Ele nasceu para todos! 0

01/01/2016 00:00 - Atualizado em 04/01/2016 18:15

A Igreja celebra neste final de semana a Epifania, isto é, a manifestação do Senhor ao mundo inteiro. Os Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus (cf. Mt 2, 1-12).

A festa da Epifania convida todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja, que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e Templo do Espírito Santo” (LG 17). Nós podemos ser daqueles que, estando no mundo, imersos nas realidades temporais, viram a estrela de um chamado de Deus e são portadores dessa luz interior que se acende em consequência do encontro diário com Jesus. Sentimos, pois, a necessidade de testemunhar a luz de Cristo parta que muitos indecisos se aproximem do Senhor e renovem as suas vidas.

A Epifania recorda-nos que somos chamados a ajudar a discernir nos corações dos nossos amigos, familiares e colegas a luz que está no céu de suas vidas e ajuda-los a que se aproximem de Jesus. Os Magos, seguindo a estrela, encontram o lugar onde estava o Salvador com Maria e José. Encontraram com o Salvador e assim reconheceram a presença de Deus, o Rei dos reis e o homem que veio dar a vida por nós. Tendo-O encontrado voltaram às suas regiões por outro caminho – sempre o encontro com o Senhor nos faz trilhar novos caminhos.

Os Magos tiveram a disposição de corresponder a um chamado para  partir, e assim conseguiram atingir o Deus presente na história e o adoraram! Diz o Evangelho que eles, “ao verem de novo a estrela, sentiram uma alegria muito grande!” (Mt 2,1-12). Nós também, acontece da mesma forma quando realmente encontrarmos o Senhor! Os Magos encontram uma criança em uma situação de pobreza, ou seja, um sinal aparentemente pequeno, mas nEle acreditaram que Deus estava visitando o Seu povo, pois armou Sua tenda no meio de nós. Não o encontram num palácio, não o encontram numa corte! E, no entanto, com os olhos da fé, reconheceram o Rei verdadeiro, prostraram-se e o adoraram!

Somente quando nos deixamos conduzir pelo Espírito, podemos encontrar o Senhor; somente quando saímos dos nossos esquemas, dos nossos modos de pensar, de achar e de sentir, podemos de verdade ver naquilo que é pobre e pequeno, enfim, naquilo que não estava nos nossos planos e expectativas, a presença de Deus. São as surpresas de Deus em nossas vidas. Depois, diz o Evangelho que eles voltaram por outro caminho... Sim, porque quem encontrou esse Menino, quem se alegrou com ele, quem viu a sua luz, muda de caminho, caminha na Vida!

Ao povo desanimado por ver frustradas suas esperanças de glória temporal, o profeta Isaías (primeira leitura) ordena que Jerusalém levante a cabeça, pois, uma vez convertida, ela servirá de luz para todos os povos. O Messias não virá restituir a gloria militar a Israel, mas este será um povo que anuncia a salvação, trazida por Cristo, para todos os povos. Nós celebramos o Natal pensando, talvez, em bens materiais e esquecemos do nosso compromisso missionário de anunciar Jesus como Salvador e libertador de nossos pecados!

Os “Santos Reis”, ou os sábios do oriente, guiados pela “Estrela Guia”, (uma luz em seu caminho) procuraram Jesus no palácio do rei Herodes, mas o Menino estava em Belém. O anúncio da chegada do Messias não encheu de alegria o coração dos poderosos; alegraram-se os pastores e os “Santos Reis” que o adoraram e o acolheram como Salvador.

Os Magos seguiram a estrela. É importante aprender dos Magos a virtude da perseverança: mesmo durante o tempo em que a estrela se ocultou aos seus olhares continuaram à procura do Menino! Também nós devemos perseverar na prática das boas obras, mesmo durante as mais obscuras trevas interiores. É a prova do espírito, que somente pode ser superada num intenso exercício de fé. Sei que Deus assim o quer, devemos repetir nesses momentos: Sei que Deus me chama e isso basta! “Sei em quem pus a minha confiança” (2Tm 1, 12).

Deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa vida, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13, 13.12).

Ele veio para todos! É isso que explicita com muita clareza o apóstolo Paulo (Ef 3, 2-3.5-6): “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do Evangelho”. Não existe mais grego ou judeu, escravo ou livre, mas todos são um só em Cristo Jesus. Ele veio parta salvar a todos em todos os tempos e em todos em lugares e em todas as épocas da história. Eis o belíssimo anúncio de hoje.

Na “Festa da Epifania” (manifestação), quais seriam os presentes que iremos oferecer ao Menino Jesus, como sinal concreto de nossa adoração e de nossa conversão? Seria muito importante reconhecer Jesus como nosso Rei e Salvador e, como resposta, se comprometer segui-Lo em todos os passos de nossa caminhada diária e, consequentemente anuncia-Lo ao nosso tempo com o nosso testemunho e pela Palavra. O Senhor está no meio de nós e é nossa salvação: alegremo-nos!

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Ele nasceu para todos!

01/01/2016 00:00 - Atualizado em 04/01/2016 18:15

A Igreja celebra neste final de semana a Epifania, isto é, a manifestação do Senhor ao mundo inteiro. Os Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus (cf. Mt 2, 1-12).

A festa da Epifania convida todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja, que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e Templo do Espírito Santo” (LG 17). Nós podemos ser daqueles que, estando no mundo, imersos nas realidades temporais, viram a estrela de um chamado de Deus e são portadores dessa luz interior que se acende em consequência do encontro diário com Jesus. Sentimos, pois, a necessidade de testemunhar a luz de Cristo parta que muitos indecisos se aproximem do Senhor e renovem as suas vidas.

A Epifania recorda-nos que somos chamados a ajudar a discernir nos corações dos nossos amigos, familiares e colegas a luz que está no céu de suas vidas e ajuda-los a que se aproximem de Jesus. Os Magos, seguindo a estrela, encontram o lugar onde estava o Salvador com Maria e José. Encontraram com o Salvador e assim reconheceram a presença de Deus, o Rei dos reis e o homem que veio dar a vida por nós. Tendo-O encontrado voltaram às suas regiões por outro caminho – sempre o encontro com o Senhor nos faz trilhar novos caminhos.

Os Magos tiveram a disposição de corresponder a um chamado para  partir, e assim conseguiram atingir o Deus presente na história e o adoraram! Diz o Evangelho que eles, “ao verem de novo a estrela, sentiram uma alegria muito grande!” (Mt 2,1-12). Nós também, acontece da mesma forma quando realmente encontrarmos o Senhor! Os Magos encontram uma criança em uma situação de pobreza, ou seja, um sinal aparentemente pequeno, mas nEle acreditaram que Deus estava visitando o Seu povo, pois armou Sua tenda no meio de nós. Não o encontram num palácio, não o encontram numa corte! E, no entanto, com os olhos da fé, reconheceram o Rei verdadeiro, prostraram-se e o adoraram!

Somente quando nos deixamos conduzir pelo Espírito, podemos encontrar o Senhor; somente quando saímos dos nossos esquemas, dos nossos modos de pensar, de achar e de sentir, podemos de verdade ver naquilo que é pobre e pequeno, enfim, naquilo que não estava nos nossos planos e expectativas, a presença de Deus. São as surpresas de Deus em nossas vidas. Depois, diz o Evangelho que eles voltaram por outro caminho... Sim, porque quem encontrou esse Menino, quem se alegrou com ele, quem viu a sua luz, muda de caminho, caminha na Vida!

Ao povo desanimado por ver frustradas suas esperanças de glória temporal, o profeta Isaías (primeira leitura) ordena que Jerusalém levante a cabeça, pois, uma vez convertida, ela servirá de luz para todos os povos. O Messias não virá restituir a gloria militar a Israel, mas este será um povo que anuncia a salvação, trazida por Cristo, para todos os povos. Nós celebramos o Natal pensando, talvez, em bens materiais e esquecemos do nosso compromisso missionário de anunciar Jesus como Salvador e libertador de nossos pecados!

Os “Santos Reis”, ou os sábios do oriente, guiados pela “Estrela Guia”, (uma luz em seu caminho) procuraram Jesus no palácio do rei Herodes, mas o Menino estava em Belém. O anúncio da chegada do Messias não encheu de alegria o coração dos poderosos; alegraram-se os pastores e os “Santos Reis” que o adoraram e o acolheram como Salvador.

Os Magos seguiram a estrela. É importante aprender dos Magos a virtude da perseverança: mesmo durante o tempo em que a estrela se ocultou aos seus olhares continuaram à procura do Menino! Também nós devemos perseverar na prática das boas obras, mesmo durante as mais obscuras trevas interiores. É a prova do espírito, que somente pode ser superada num intenso exercício de fé. Sei que Deus assim o quer, devemos repetir nesses momentos: Sei que Deus me chama e isso basta! “Sei em quem pus a minha confiança” (2Tm 1, 12).

Deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa vida, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13, 13.12).

Ele veio para todos! É isso que explicita com muita clareza o apóstolo Paulo (Ef 3, 2-3.5-6): “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do Evangelho”. Não existe mais grego ou judeu, escravo ou livre, mas todos são um só em Cristo Jesus. Ele veio parta salvar a todos em todos os tempos e em todos em lugares e em todas as épocas da história. Eis o belíssimo anúncio de hoje.

Na “Festa da Epifania” (manifestação), quais seriam os presentes que iremos oferecer ao Menino Jesus, como sinal concreto de nossa adoração e de nossa conversão? Seria muito importante reconhecer Jesus como nosso Rei e Salvador e, como resposta, se comprometer segui-Lo em todos os passos de nossa caminhada diária e, consequentemente anuncia-Lo ao nosso tempo com o nosso testemunho e pela Palavra. O Senhor está no meio de nós e é nossa salvação: alegremo-nos!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro