Arquidiocese do Rio de Janeiro

29º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/04/2017

25 de Abril de 2017

Ano Santo da Misericórdia

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25 de Abril de 2017

Ano Santo da Misericórdia

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02/01/2016 14:55 - Atualizado em 02/01/2016 14:55

Ano Santo da Misericórdia 0

02/01/2016 14:55 - Atualizado em 02/01/2016 14:55

O Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Por meio da Bula Misericordiae Vultus – o Rosto da Misericórdia – a Igreja tomou conhecimento dessa iniciativa papal cujo objetivo maior é “nos tonarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai” (MV 3), isto é, vivermos a misericórdia, o perdão e a compaixão divina em direção ao próximo. Jesus Cristo, sinal primordial e radical do Pai, enviou seus discípulos para comunicar o perdão e a misericórdia no mundo: “sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenado; perdoai e vos será perdoado” (Lc 6,36). O Ano Santo, tirando seu lema dessa passagem do evangelho de Lucas, nos chama a abandonar as atitudes de julgamento e de condenação e a praticar o perdão e a comunhão.

Ano Jubilar Extraordinário

Na história da Igreja, encontramos por volta de trinta anos jubilares entre ordinários e extraordinários. O primeiro foi convocado pelo Papa Bonifácio VIII, no ano de 1300 e o último, pelo Papa São João Paulo II, no ano 2000. A diferença entre os anos ordinários e os extraordinários está na periodicidade. Os primeiros começaram com um intervalo de um século, passaram depois para meio século e, por fim, a atual configuração de 25 em 25 anos. Os extraordinários são aqueles instituídos antes de completar o tempo previsto para um ordinário. O Ano Santo da Misericórdia é, então, extraordinário porque foi estabelecido quinze anos após o último.

A inspiração para a convocação do Ano Santo nasce das páginas da Escritura. No Primeiro Testamento, o ano jubilar era decretado, de forma geral, de 50 em 50 anos como período para o descanso da terra cultivável, para a restituição dos bens confiscados e para a libertação dos escravos (cf. Lv 25). No Novo Testamento, Jesus, na sinagoga de Nazaré, afirma que a profecia de Isaias (cf. Is 61,1-2) estava se cumprindo no seu ministério de proclamar o “ano da graça do Senhor” (cf. Lc 4,19). Com essas ressonâncias bíblicas, a Igreja se sente chamada a decretar um tempo para a reconciliação e para a misericórdia.

A Misericórdia

O tema norteador do Ano Santo é a misericórdia divina revelada em Jesus Cristo. Por isso, se faz necessário penetrar naquilo que se manifesta do amor de Deus nas Escrituras Sagradas. O próprio Deus se desvela como misericordioso e compassivo (cf. Ex 34,6), envia seu Filho, Jesus Cristo, para nos apresentar de forma definitiva o seu amor (cf. Mt 9,36) e doa seu Espírito Santo para que nos tornemos capazes de receber e de comunicar a ternura e o perdão divinos no mundo (cf. Jo 20,22-23). Do prolongamento do ministério do Senhor entre os homens, pela potência do Espírito Santo, a comunidade eclesial se esforça na realização de ações em prol dos mais necessitados. Nesse sentido, encontramos as seguintes palavras do Papa Francisco: “Neste Jubileu a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, a aliviá-las com o óleo da consolação, a enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas” (MV 15).

A situação atual

Segundo a visão do Papa Francisco, a Igreja está carente da presença vivificante da misericórdia. Essa carência resulta em, pelo menos, duas situações delicadas. A primeira é a forte atuação da justiça como se ela fosse o máximo possível para se exercer em relação ao outro. Por conseguinte, aquilo de melhor que os fiéis podem oferecer ao próximo encontra em Deus sua medida: “Deus, com a misericórdia e o perdão, passa além da justiça. Isto não significa desvalorizar a justiça ou torná-la supérflua. Antes pelo contrário! Quem erra deve descontar a pena, só que isso não é o fim, mas o início da conversão, porque se experimenta a ternura do perdão” (MV 21). A segunda situação é a escassez da experiência do perdão. Isso revela uma dureza de coração, uma inflexibilidade, uma incapacidade de aceitar as fraquezas dos outros e uma idealização da própria perfeição moral. O que fica da incapacidade de acolher e de perdoar a fraqueza, o limite e o erro dos homens é a morte espiritual: “Sem o testemunho do perdão resta apenas uma vida infecunda e estéril, como se se vivesse num deserto desolador” (MV10). Realmente, o Ano Jubilar da Misericórdia pretende colocar algo ainda mais sublime no âmago dos cristãos: a compaixão e a ternura divina.

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Ano Santo da Misericórdia

02/01/2016 14:55 - Atualizado em 02/01/2016 14:55

O Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Por meio da Bula Misericordiae Vultus – o Rosto da Misericórdia – a Igreja tomou conhecimento dessa iniciativa papal cujo objetivo maior é “nos tonarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai” (MV 3), isto é, vivermos a misericórdia, o perdão e a compaixão divina em direção ao próximo. Jesus Cristo, sinal primordial e radical do Pai, enviou seus discípulos para comunicar o perdão e a misericórdia no mundo: “sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenado; perdoai e vos será perdoado” (Lc 6,36). O Ano Santo, tirando seu lema dessa passagem do evangelho de Lucas, nos chama a abandonar as atitudes de julgamento e de condenação e a praticar o perdão e a comunhão.

Ano Jubilar Extraordinário

Na história da Igreja, encontramos por volta de trinta anos jubilares entre ordinários e extraordinários. O primeiro foi convocado pelo Papa Bonifácio VIII, no ano de 1300 e o último, pelo Papa São João Paulo II, no ano 2000. A diferença entre os anos ordinários e os extraordinários está na periodicidade. Os primeiros começaram com um intervalo de um século, passaram depois para meio século e, por fim, a atual configuração de 25 em 25 anos. Os extraordinários são aqueles instituídos antes de completar o tempo previsto para um ordinário. O Ano Santo da Misericórdia é, então, extraordinário porque foi estabelecido quinze anos após o último.

A inspiração para a convocação do Ano Santo nasce das páginas da Escritura. No Primeiro Testamento, o ano jubilar era decretado, de forma geral, de 50 em 50 anos como período para o descanso da terra cultivável, para a restituição dos bens confiscados e para a libertação dos escravos (cf. Lv 25). No Novo Testamento, Jesus, na sinagoga de Nazaré, afirma que a profecia de Isaias (cf. Is 61,1-2) estava se cumprindo no seu ministério de proclamar o “ano da graça do Senhor” (cf. Lc 4,19). Com essas ressonâncias bíblicas, a Igreja se sente chamada a decretar um tempo para a reconciliação e para a misericórdia.

A Misericórdia

O tema norteador do Ano Santo é a misericórdia divina revelada em Jesus Cristo. Por isso, se faz necessário penetrar naquilo que se manifesta do amor de Deus nas Escrituras Sagradas. O próprio Deus se desvela como misericordioso e compassivo (cf. Ex 34,6), envia seu Filho, Jesus Cristo, para nos apresentar de forma definitiva o seu amor (cf. Mt 9,36) e doa seu Espírito Santo para que nos tornemos capazes de receber e de comunicar a ternura e o perdão divinos no mundo (cf. Jo 20,22-23). Do prolongamento do ministério do Senhor entre os homens, pela potência do Espírito Santo, a comunidade eclesial se esforça na realização de ações em prol dos mais necessitados. Nesse sentido, encontramos as seguintes palavras do Papa Francisco: “Neste Jubileu a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, a aliviá-las com o óleo da consolação, a enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas” (MV 15).

A situação atual

Segundo a visão do Papa Francisco, a Igreja está carente da presença vivificante da misericórdia. Essa carência resulta em, pelo menos, duas situações delicadas. A primeira é a forte atuação da justiça como se ela fosse o máximo possível para se exercer em relação ao outro. Por conseguinte, aquilo de melhor que os fiéis podem oferecer ao próximo encontra em Deus sua medida: “Deus, com a misericórdia e o perdão, passa além da justiça. Isto não significa desvalorizar a justiça ou torná-la supérflua. Antes pelo contrário! Quem erra deve descontar a pena, só que isso não é o fim, mas o início da conversão, porque se experimenta a ternura do perdão” (MV 21). A segunda situação é a escassez da experiência do perdão. Isso revela uma dureza de coração, uma inflexibilidade, uma incapacidade de aceitar as fraquezas dos outros e uma idealização da própria perfeição moral. O que fica da incapacidade de acolher e de perdoar a fraqueza, o limite e o erro dos homens é a morte espiritual: “Sem o testemunho do perdão resta apenas uma vida infecunda e estéril, como se se vivesse num deserto desolador” (MV10). Realmente, o Ano Jubilar da Misericórdia pretende colocar algo ainda mais sublime no âmago dos cristãos: a compaixão e a ternura divina.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida