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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/03/2019

23 de Março de 2019

Nossa Senhora da Expectação

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Nossa Senhora da Expectação

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23/12/2015 00:00 - Atualizado em 24/12/2015 14:44

Nossa Senhora da Expectação 0

23/12/2015 00:00 - Atualizado em 24/12/2015 14:44

Estamos às vésperas do Natal! Nesses dias, a devoção à Maria que aguarda o nascimento de Jesus vem à tona com diversas denominações e devoções. É interessante que neste período do Advento que finda, vemos em nossas Igrejas a coroa (agora com as quatro velas acesas), que é um símbolo que nos avisa que a cada domingo celebrado se torna mais próximo o nascimento do Salvador. Vemos também, em algumas Igrejas, a imagem bonita da Virgem Maria grávida. Ao olhar para o rosto terno de Maria, imaginamos como estava o seu coração para a chegada de seu Filho. Temos todas as certezas de que ela soube se preparar muito bem para o momento do nascimento e, por isso, viveu na expectativa do nascimento do seu Filho e Senhor.

A expectativa de Maria ganha tanto espaço na nossa espiritualidade de Advento, que nós celebramos esta expectativa num dia próprio. Este foi celebrado no dia 18 de dezembro, quando celebramos a Festa de Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora do Parto, Nossa Senhora da Expectação (ou da Expectativa como dizem alguns).

Diz o Evangelho que “Maria guardava todas as coisas em seu coração” (Lc 2,19). E este mesmo coração guardou as aspirações santas da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. Uma das possíveis interpretações dessa devoção esclarece que teria surgido em Toledo, na Espanha, na época do X Concílio, presidido pelo Arcebispo Santo Eugênio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de dezembro. Santo Eugênio foi sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, que determinou que a festa fosse celebrada neste mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria.

A denominação de Nossa Senhora do Ó se deu em razão das antífonas cantadas entre os dias 17 e 23 de dezembro, antes e depois da recitação do Magnificat na oração das vésperas. Todas elas começam por uma invocação a Jesus, que, no entanto, nunca é chamado pelo nome, e todas incluem o apelo “Vinde”. Essas antífonas começam sempre pela interjeição exclamativa Ó, como expoente altíssimo do fervor e ardente desejo da Igreja, que suspira pela vinda pronta de Jesus. Isso inspirou o povo espanhol a este título de Nossa Senhora. Essas antífonas são inspiradas pelos textos do Antigo Testamento que anunciam o Messias. Desde a primeira à última, Jesus é invocado como Sabedoria, Senhor, Raiz, Chave, Estrela, Rei e Emanuel.

No Brasil, o culto e a devoção a Nossa Senhora do Ó chegou por meio dos portugueses, tendo se popularizado com a Freguesia de Nossa Senhora do Ó, em São Paulo (SP). A imagem de Nossa Senhora do Ó, geralmente é representada com Maria tendo a mão esquerda espalmada sobre o ventre sagrado desenvolvido; a mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada.

Na capital paulista, a paróquia da Freguesia do Ó e o bairro nascido em torno dela devem seu nome a essa invocação. Já em 1618, havia sido construída uma capela com tal nome numa aldeia de índios próxima a Piratininga, pelo bandeirante Manuel Preto. Mas com o aumento da população foi necessário edificar novo templo, concluído em 1795. Essa nova igreja incendiou-se no final do século XIX, tendo sido substituída pela atual, que data de 1901.

Aqui na cidade do Rio de Janeiro, existiu uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora do Ó, na Várzea, junto ao morro de São Januário e da praia, que foi construída após a reconquista da cidade das mãos dos franceses calvinistas. Temos também uma antiga tradição da assistência às parturientes, hoje conservada na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro histórico da cidade.

Na cidade de Sabará, em Minas Gerais, a devoção foi levada àquela região pela família do bandeirante Bartolomeu Bueno, a qual construiu no século XVIII uma igreja com a mesma invocação. Em Belém do Pará, temos, em Mosqueiro, essa famosa devoção e o círio de Nossa Senhora do Ó.

Este título de Nossa Senhora nos faz meditar quão grande alegria teve a Virgem em ser mãe do Salvador. Ela não é uma mulher qualquer como alguns dizem (até pelos meios de comunicação), mas ela é digna de respeito e é bem-aventurada entre todas as mulheres da Terra. Ela possui uma missão especial. Isso não é mariolaria, isso é veneração à mãe do Salvador e nossa mãe.

Queremos pedir a Virgem Maria que olhe por cada um de nós e que nos faça sempre fiéis ao seu Divino Filho, particularmente neste Ano Santo da Misericórdia. Rezemos:

Doce Virgem Maria, cujo coração foi por Deus preparado para morada do Verbo feito carne, pelas inefáveis alegrias da expectação de vosso santíssimo parto ensinai-nos as disposições perfeitas de uma íntegra pureza no corpo e na alma, de uma humildade profunda no espírito e no coração, de um ardente e sincero desejo de união com Deus para que o meigo fruto de vossas benditas entranhas venha a nascer misericordiosamente em nossos corações, a eles trazendo a abundância dos dons divinos para a redenção dos nossos pecados, a santificação de nossa vida e a obtenção de nossa coroa no Paraíso em vossa companhia. Assim seja. Amém!”

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Nossa Senhora da Expectação

23/12/2015 00:00 - Atualizado em 24/12/2015 14:44

Estamos às vésperas do Natal! Nesses dias, a devoção à Maria que aguarda o nascimento de Jesus vem à tona com diversas denominações e devoções. É interessante que neste período do Advento que finda, vemos em nossas Igrejas a coroa (agora com as quatro velas acesas), que é um símbolo que nos avisa que a cada domingo celebrado se torna mais próximo o nascimento do Salvador. Vemos também, em algumas Igrejas, a imagem bonita da Virgem Maria grávida. Ao olhar para o rosto terno de Maria, imaginamos como estava o seu coração para a chegada de seu Filho. Temos todas as certezas de que ela soube se preparar muito bem para o momento do nascimento e, por isso, viveu na expectativa do nascimento do seu Filho e Senhor.

A expectativa de Maria ganha tanto espaço na nossa espiritualidade de Advento, que nós celebramos esta expectativa num dia próprio. Este foi celebrado no dia 18 de dezembro, quando celebramos a Festa de Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora do Parto, Nossa Senhora da Expectação (ou da Expectativa como dizem alguns).

Diz o Evangelho que “Maria guardava todas as coisas em seu coração” (Lc 2,19). E este mesmo coração guardou as aspirações santas da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. Uma das possíveis interpretações dessa devoção esclarece que teria surgido em Toledo, na Espanha, na época do X Concílio, presidido pelo Arcebispo Santo Eugênio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de dezembro. Santo Eugênio foi sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, que determinou que a festa fosse celebrada neste mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria.

A denominação de Nossa Senhora do Ó se deu em razão das antífonas cantadas entre os dias 17 e 23 de dezembro, antes e depois da recitação do Magnificat na oração das vésperas. Todas elas começam por uma invocação a Jesus, que, no entanto, nunca é chamado pelo nome, e todas incluem o apelo “Vinde”. Essas antífonas começam sempre pela interjeição exclamativa Ó, como expoente altíssimo do fervor e ardente desejo da Igreja, que suspira pela vinda pronta de Jesus. Isso inspirou o povo espanhol a este título de Nossa Senhora. Essas antífonas são inspiradas pelos textos do Antigo Testamento que anunciam o Messias. Desde a primeira à última, Jesus é invocado como Sabedoria, Senhor, Raiz, Chave, Estrela, Rei e Emanuel.

No Brasil, o culto e a devoção a Nossa Senhora do Ó chegou por meio dos portugueses, tendo se popularizado com a Freguesia de Nossa Senhora do Ó, em São Paulo (SP). A imagem de Nossa Senhora do Ó, geralmente é representada com Maria tendo a mão esquerda espalmada sobre o ventre sagrado desenvolvido; a mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada.

Na capital paulista, a paróquia da Freguesia do Ó e o bairro nascido em torno dela devem seu nome a essa invocação. Já em 1618, havia sido construída uma capela com tal nome numa aldeia de índios próxima a Piratininga, pelo bandeirante Manuel Preto. Mas com o aumento da população foi necessário edificar novo templo, concluído em 1795. Essa nova igreja incendiou-se no final do século XIX, tendo sido substituída pela atual, que data de 1901.

Aqui na cidade do Rio de Janeiro, existiu uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora do Ó, na Várzea, junto ao morro de São Januário e da praia, que foi construída após a reconquista da cidade das mãos dos franceses calvinistas. Temos também uma antiga tradição da assistência às parturientes, hoje conservada na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro histórico da cidade.

Na cidade de Sabará, em Minas Gerais, a devoção foi levada àquela região pela família do bandeirante Bartolomeu Bueno, a qual construiu no século XVIII uma igreja com a mesma invocação. Em Belém do Pará, temos, em Mosqueiro, essa famosa devoção e o círio de Nossa Senhora do Ó.

Este título de Nossa Senhora nos faz meditar quão grande alegria teve a Virgem em ser mãe do Salvador. Ela não é uma mulher qualquer como alguns dizem (até pelos meios de comunicação), mas ela é digna de respeito e é bem-aventurada entre todas as mulheres da Terra. Ela possui uma missão especial. Isso não é mariolaria, isso é veneração à mãe do Salvador e nossa mãe.

Queremos pedir a Virgem Maria que olhe por cada um de nós e que nos faça sempre fiéis ao seu Divino Filho, particularmente neste Ano Santo da Misericórdia. Rezemos:

Doce Virgem Maria, cujo coração foi por Deus preparado para morada do Verbo feito carne, pelas inefáveis alegrias da expectação de vosso santíssimo parto ensinai-nos as disposições perfeitas de uma íntegra pureza no corpo e na alma, de uma humildade profunda no espírito e no coração, de um ardente e sincero desejo de união com Deus para que o meigo fruto de vossas benditas entranhas venha a nascer misericordiosamente em nossos corações, a eles trazendo a abundância dos dons divinos para a redenção dos nossos pecados, a santificação de nossa vida e a obtenção de nossa coroa no Paraíso em vossa companhia. Assim seja. Amém!”

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro