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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/03/2017

28 de Março de 2017

Isaías, o profeta do Advento

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Isaías, o profeta do Advento

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11/12/2015 15:11 - Atualizado em 11/12/2015 15:11

Isaías, o profeta do Advento 0

11/12/2015 15:11 - Atualizado em 11/12/2015 15:11

O tempo do Advento é celebrado com o seu duplo aspecto: memória e expectativa. A Igreja, fazendo a memória da primeira vinda do Senhor na fragilidade de nossa carne, se prepara para o retorno d’Ele em poder e glória. O prefácio do Advento I apresenta o núcleo da esperança eclesial: “Revestido da nossa fragilidade, Ele veio pela primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”. Essa esperança cristã na vinda definitiva de Deus, no fim da história, para conceder a salvação aos homens, se fundamenta na leitura dos oráculos vétero-testamentários realizada pelos autores do Novo Testamento.

Na Liturgia da Palavra do Tempo do Advento, a Igreja proclama as profecias sobre a vinda do Messias e sobre a instauração do reino messiânico. No lecionário da eucaristia dominical, durante o ano A, se lê Is 2,1-5 (1º domingo), Is 11,1-10 (2º domingo), Is 35,1-6a.10 (3º domingo) e Is 7,10-14 (4º domingo); durante o ano B, Is 63,16b-17.19b–64,2b-7 (1º domingo), Is 40, 1-5.9-11 (2º domingo), Is 61,1-2a.10-11 (3º domingo) e IISm 7,1-5.8b-12.14a.16 (4º domingo) e durante o ano C, Jr 33,14-16 (1º domingo), Br 5,1-9 (2º domingo), Sf 3,14-18a (3º domingo) e Mq 5,1-4a (4º domingo). O profeta Isaías se destaca, pois dos 12 textos proféticos proclamados, sete são dele. Se ainda considerarmos o lecionário ferial, os textos do Ofício das leituras e das demais horas da Liturgia das horas, devemos reconhecer que dentre os livros proféticos do Primeiro Testamento, o de Isaías tem um destaque substancioso.

De fato, o lecionário atual retoma uma antiquíssima tradição da Igreja de ler, nos dias anteriores à celebração do Natal, as profecias de Isaías. Segundo os estudiosos, nos testemunhos mais antigos sobre o elenco das leituras, o livro do profeta Isaías era lido, de forma contínua, durante o mês de dezembro. A partir do século 4, após a instituição da solenidade do Natal e do tempo do Advento, se foi percebendo a relação entre os oráculos de Isaías e o conteúdo das celebrações do Tempo do Advento e do Natal – o anúncio da vinda do Messias e da inauguração do tempo escatológico. Além disso, o fato dos evangelistas usarem os textos do profeta Isaías para narrar os eventos da preparação e do nascimento de Jesus reforçaram os laços entre o profeta e o ciclo da manifestação do Senhor (Advento – Natal – Epifania). Dessa forma, Isaías se tornou um profeta chave para a celebração desse momento do Ano Litúrgico.

Desta forma, os oráculos de Isaías anuncia o nascimento do Senhor – “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, ele recebeu o poder sobre os seus ombros, e lhe foi dado esse nome: conselheiro-maravilhoso, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz” (Is 9,5); a sua identidade de Rei messias – “Sobre ele repousará o Espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espirito de ciência e temor de Deus; no temor do Senhor encontrará seu prazer” (Is 11,2-3a); e, a chegada do Reino messiânico final – “Naquele se dirá: ‘Vede, este é o nosso Deus, nele esperávamos, certos de que nos salvaria; este é o Senhor, em quem esperávamos. Exultemos, alegremo-nos na sua salvação!’” (Is 25,9). Do mesmo livro profético, ainda, os evangelistas buscaram os textos para compreender a missão de São João Batista – “Uma voz clama: “No deserto, abri um caminho para o Senhor; na estepe, aplainai uma vereda para o nosso Deus” (Is 40,3) – e da Virgem Maria – “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz a um filho e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14bc) – na história da salvação.

A espiritualidade do Advento tem como característica a esperança. Essa nasce dos eventos recordados (a preparação para o nascimento do Senhor) e esperados (os eventos finais da história com a Parusia de Cristo). No livro do profeta Isaías, está presente a grande esperança do Povo da primeira Aliança: a vinda final de Deus para julgar os corações soberbos e para fazer adentrar os justos num reino de paz e salvação. A Igreja crê que, cumprindo os oráculos de Isaías, Jesus Cristo veio, a primeira vez, para inaugurar o tempo messiânico e retornará, uma segunda vez, para levá-lo a plenitude.

Assim, a comunidade se mantém em vigilância, aguardando a realização da promessa de Cristo: “Verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com poder e glória. [...] Erguei-vos e levantei a vossa cabeça, pois está próxima a vossa libertação” (Lc 21,27-28).

É impressionante a analogia entre os temas do anúncio da vinda e da identidade do messias presente no livro do profeta Isaías com as narrativas do nascimento de Cristo, por Mateus e Lucas, e da esperança da sua Parusia.

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Isaías, o profeta do Advento

11/12/2015 15:11 - Atualizado em 11/12/2015 15:11

O tempo do Advento é celebrado com o seu duplo aspecto: memória e expectativa. A Igreja, fazendo a memória da primeira vinda do Senhor na fragilidade de nossa carne, se prepara para o retorno d’Ele em poder e glória. O prefácio do Advento I apresenta o núcleo da esperança eclesial: “Revestido da nossa fragilidade, Ele veio pela primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”. Essa esperança cristã na vinda definitiva de Deus, no fim da história, para conceder a salvação aos homens, se fundamenta na leitura dos oráculos vétero-testamentários realizada pelos autores do Novo Testamento.

Na Liturgia da Palavra do Tempo do Advento, a Igreja proclama as profecias sobre a vinda do Messias e sobre a instauração do reino messiânico. No lecionário da eucaristia dominical, durante o ano A, se lê Is 2,1-5 (1º domingo), Is 11,1-10 (2º domingo), Is 35,1-6a.10 (3º domingo) e Is 7,10-14 (4º domingo); durante o ano B, Is 63,16b-17.19b–64,2b-7 (1º domingo), Is 40, 1-5.9-11 (2º domingo), Is 61,1-2a.10-11 (3º domingo) e IISm 7,1-5.8b-12.14a.16 (4º domingo) e durante o ano C, Jr 33,14-16 (1º domingo), Br 5,1-9 (2º domingo), Sf 3,14-18a (3º domingo) e Mq 5,1-4a (4º domingo). O profeta Isaías se destaca, pois dos 12 textos proféticos proclamados, sete são dele. Se ainda considerarmos o lecionário ferial, os textos do Ofício das leituras e das demais horas da Liturgia das horas, devemos reconhecer que dentre os livros proféticos do Primeiro Testamento, o de Isaías tem um destaque substancioso.

De fato, o lecionário atual retoma uma antiquíssima tradição da Igreja de ler, nos dias anteriores à celebração do Natal, as profecias de Isaías. Segundo os estudiosos, nos testemunhos mais antigos sobre o elenco das leituras, o livro do profeta Isaías era lido, de forma contínua, durante o mês de dezembro. A partir do século 4, após a instituição da solenidade do Natal e do tempo do Advento, se foi percebendo a relação entre os oráculos de Isaías e o conteúdo das celebrações do Tempo do Advento e do Natal – o anúncio da vinda do Messias e da inauguração do tempo escatológico. Além disso, o fato dos evangelistas usarem os textos do profeta Isaías para narrar os eventos da preparação e do nascimento de Jesus reforçaram os laços entre o profeta e o ciclo da manifestação do Senhor (Advento – Natal – Epifania). Dessa forma, Isaías se tornou um profeta chave para a celebração desse momento do Ano Litúrgico.

Desta forma, os oráculos de Isaías anuncia o nascimento do Senhor – “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, ele recebeu o poder sobre os seus ombros, e lhe foi dado esse nome: conselheiro-maravilhoso, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz” (Is 9,5); a sua identidade de Rei messias – “Sobre ele repousará o Espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espirito de ciência e temor de Deus; no temor do Senhor encontrará seu prazer” (Is 11,2-3a); e, a chegada do Reino messiânico final – “Naquele se dirá: ‘Vede, este é o nosso Deus, nele esperávamos, certos de que nos salvaria; este é o Senhor, em quem esperávamos. Exultemos, alegremo-nos na sua salvação!’” (Is 25,9). Do mesmo livro profético, ainda, os evangelistas buscaram os textos para compreender a missão de São João Batista – “Uma voz clama: “No deserto, abri um caminho para o Senhor; na estepe, aplainai uma vereda para o nosso Deus” (Is 40,3) – e da Virgem Maria – “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz a um filho e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14bc) – na história da salvação.

A espiritualidade do Advento tem como característica a esperança. Essa nasce dos eventos recordados (a preparação para o nascimento do Senhor) e esperados (os eventos finais da história com a Parusia de Cristo). No livro do profeta Isaías, está presente a grande esperança do Povo da primeira Aliança: a vinda final de Deus para julgar os corações soberbos e para fazer adentrar os justos num reino de paz e salvação. A Igreja crê que, cumprindo os oráculos de Isaías, Jesus Cristo veio, a primeira vez, para inaugurar o tempo messiânico e retornará, uma segunda vez, para levá-lo a plenitude.

Assim, a comunidade se mantém em vigilância, aguardando a realização da promessa de Cristo: “Verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com poder e glória. [...] Erguei-vos e levantei a vossa cabeça, pois está próxima a vossa libertação” (Lc 21,27-28).

É impressionante a analogia entre os temas do anúncio da vinda e da identidade do messias presente no livro do profeta Isaías com as narrativas do nascimento de Cristo, por Mateus e Lucas, e da esperança da sua Parusia.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida